domingo, maio 08, 2011

O cérebro pode inchar? Continuação

Esta pergunta equivale a perguntar quantas gotas de água tem o oceano? Ou seja, não é possível contar. Mas é possível saber quais são os vasos principais, aqueles que podemos ver em exames de imagem como tomografia e ressonância, e que são de maior importância nas doençs neurológicas.

O cérebro possui artérias e veias. As artérias são vasos que levam o sangue com oxigênio para os tecidos, vindo do coração. Já as veias levam o sangue pobre em oxigênio e cheio de produtos do metabolismo dos tecidos de volta ao coração para ser limpo e oxigenado pelos pulmões.

O sangue arterial geralmente é vermelho brilhante, e o venoso é um pouco mais escuro, arroxeado. E o cérebro possu os dois tipos de vasos.

Entre as artérias, temos dois conjuntos principais, as artérias chamadas da circulação anterior, e as da chamada circulação posterior. As artérias da circulação anterior são assim chamadas por que suprem a parte da frente do cérebro, os 2/3 anteriores dele. São as artérias carótidas internas, uma de cada lado, e elas saem de uma artéria maior, na verdade a maior do corpo, a artéria aorta. As da circulação posterior também o são assim chamadas por que suprem a parte de trás do cérebro, e são as artérias vertebrais, também uma de cada lado. Estas artérias, quando dentro do cérebro, unem-se para formar uma artéria só, chamada de artéria basilar.

Destas artérias, carótidas, vertebrais, e basilar, saem ramos como pequenos afluentes de um rio maior, e que vão para as diversas partes do cérebro.

As artérias carótidas saem da aorta e dividem-se em carótida interna, que vai para a cabeça, e externa, que vai para a face. A carótida interna é demonstrada na figura abaixo:



Essa figura veio daqui: http://www.santagenoveva.com.br/santagenoveva/dicas_avc.htm

A artéria carótida interna tem uma porção fora da cabeça (extracraniana) e uma dentro da cabeça (intracraniana). A porção intracraniana, continuação da extracraniana, é mostrada aqui:



Essa figura veio daqui: http://www.angiomax.com.br/tratamento.html


O cérebro pode inchar?

Hoje um amigo leigo veio falar comigo sobre uma colega que está com uma doença que incha o cérebro. Bem, mas cérebro pode inchar? Hummm...

Vamos aos fatos

O cérebro é um órgão complexo, composto de várias células (já discutidas em tópicos anteriores), prolongamentos destas células (axônios e dendritos), vasos (artérias, que saem do coração, e veias, que voltam para o coração), e um líquido que é produzido dentro do cérebro, e que banha o cérebro e a medula, chamado de líquido céfalo-raquidiano, ou simplesmente líquor. Por ser um órgão, ele também possui células de defesa, chamadas de micróglia. As céulas de defesa do resto do corpo, os leucócitos (linfócitos), não chegam com facilidade ao cérebro por conta de uma proteção chamada de barreira hemato-encefálica. Isso por que os vasos cerebrais, que são as ruas por onde as células andam pelo corpo todo, são bem fechados no cérebro por células chamadas de astrócitos (já discutidas antes) e por características dos vasos cerebrais. Isso é necessário para que vírus, bactérias, e drogas nocivas não cheguem ao cérebro.

Mas quando o cérebro sofre uma lesão, digamos, um derrame, ocorre isquemia cerebral (parada de circulação de sangue para uma dada região do cérebro), e isso leva a lesão dos vasos ao redor, o que faz com que aquela barreira hemato-encefálica se perca por enquanto. O tecido cerebral morto tem de ser retirado de lá de alguma maneira. Além disso, toda necrose (morte de tecido do corpo) é acompanhada por uma reação inflamatória (a base das doenças no corpo é a inflamação, ou seja, a dilatação dos vasos e a entrada de células de defesa para agilizar o processo de limpeza do local e a morte de qualquer agente nocivo, como bactérias ou vírus, por exemplo).

Nesta reação inflamatória, o que ocorre? Ora, imagine uma lesão no seu dedo. Ela fica vermelha em algumas horas, certo? Por que? Por que aumenta a circulação de sangue na região por conta de várias substâncias que são liberada no local (as citoquinas e outras), e além disso, é necessário que aumente a circulação para que as células de defesa cheguem no local. Vai saber o que uma lesão no dedo esconde, não é mesmo? Além disso, a lesão, e o dedo, ficam inchados, certo? Por que? Por que o aumento da circulação, e a dilatação dos vasos locais, aumenta a saída de líquido dos vasos para fora, para os tecidos do dedo. O local fica quente pelo mesmo motivo. E dói, por que as substâncias liberadas estimulam os terminais de dor.

Pois no cérebro é a mesma coisa. Quando ocorre uma lesão, ocorre aumento de circulação de sangue local, e ocorre o que? Ocorre inchaço cerebral, o famoso edema cerebral, de que já ouvimos falar tantas vezes. Agora, o inchaço é maior ou menor dependendo de várias coisas: Primeiro, do tamanho da lesão. Lesões pequenas geralmente levam a inchaços pequenos. O oposto também é verdade. Mas dependendo da lesão, mesmo lesões pequenas podem levar a grandes áreas de inchaço (edema). Segundo, do tipo de lesão. Lesões infecciosas, como abscessos (coleções de pus encapsuladas), levam a grandes inchaços, mesmo sendo o abscesso pequeno. E terceiro, da idade da lesão. Lesões mais antigas levam a menores inchaços, claro.

Então, o cérebro pode inchar? Sim, pode! Mas aí é que mora o perigo. Você sabe onde fica o cérebro?

Continua no post seguinte...

sexta-feira, maio 06, 2011

Medula espinhal

Você já deve ter se perguntado - coomo o cérebro faz para controlar tudo, o corpo todo, se ele está lá em cima, e por exemplo, o pé está lá embaixo? Pois bem, para isso ele conta com órgãos especializados em transmitir as informações dele e para ele. São a medula espinhal e os nervos periféricos.

A medula é uma estrutura alongada que sai imediatamente embaixo do tronco cerebral, a parte mais baixa do cérebro. Ela parece um grande cone, e vai do seu pescoço até o final de suas costas, protegida por um colete ósseo, a coluna vertebral ou espinha. Nela entram nervos que transmitem as informações vindas da periferia do corpo, pele, músculos, braços, pernas, tronco, para o cérebro, e dela saem nervos que vão dizer o que o cérebro quer que seja feito - mover um braço aqui, mover uma perna ali, abrir a boca, etc...

A medula é formada pelas seguintes partes:
1. Cervical - A mais alta, localizada no pescoço
2. Dorsal ou torácica - Localizada nas costas, é a mais longa
3. Lombar - Localizada lá embaixo dos rins
4. Sacro-coccígea - Parte pequena, seus segmentos formam uma parte mais avolumada da medula chamada de cone medular.

A medula não é tão grande quando a coluna vertebral, pois a coluna acaba por crescer mais que a medula, e isso é bom, por que dá a nós médicos um belo espaço lá embaixo, sem medula, para coletar líquido espinhal para exames.

Uma figura da medula:



Essa figura veio daqui: http://auladefisiologia.files.wordpress.com/2009/11/medula.gif?w=417&h=517

Observe nessa figura o tronco cerebral lá em cima seguido logo após pela medula. A medula como o cérebro é envolvido pelas meninges, a pia-máter, a aracnóide, e a dura-máter, de dentro para fora. A medula é envolta também, como pode-se ver na figura, por osso denso, as vértebras. E da medula saem e entram os nervos. Observe na figura menor à esquerda que a medula é menor que a coluna óssea, e há uma estrutura lá embaixo chamada de cauda equina, que é um conjunto de nervos que saem das porções mais baixas da medula para a porção baixa do abdome e para os membros inferiores, as pernas.

A medula é um órgão de extrema importância, mas não é somente mandada pelo cérebro, tendo ela vida própria quando separada do cérebro. Isso ocorre por exemplo nos casos de acidentes, fraturas por quedas, ou lesão por arma de fogo. Ocorre lesão medular, e a pessoa perde a força e a sensibilidade abaixo da lesão, além de ter alterações da bexiga e do reto.

A medula sem o cérebro faz isso, exerce suas ações independente da vontade, e suas ações são de enrijecer o corpo, tornar o corpo mais duro, mais tenso, e os reflexos acabam por ficar mais exaltados ao exame com o martelinho de reflexos. Além disso, como houve lesão da medula, a pessoa perde a capacidade de sentir o corpo abaixo da lesão por que a sensibilidade não chega mais ao cérebro.

sábado, abril 30, 2011

Há outras células no sistema nervoso além dos neurônios?

Se você é curioso, e gosta de pesquisar, talvez já tenha se feito essa pergunta antes. E se você nunca teve curiosidade de saber do que é feito o seu cérebro, bem, lá vai mais uma explicação.

O cérebro, como qualquer órgão do corpo, como já dito, é feito de células. Os neurônios são a menor parte desse material celular que chamamos de sistema nervoso. Isso por que a maior parte é dominada por células de suporte chamadas de células gliais, ou da glia. São várias células que dão sustentação ao neurônio, auxiliam-no na condução dos impulsos elétricos, mantém o cérebro a salvo de organismos e substâncias tóxicas através de algo chamado de barreira hemato-encefálica (barreira entre o sangue e o líquido da espinha e cabeça, ou seja, o líquor, que banha o cérebro e a medula), matam organismos invasores, fazem a defesa do cérebro, mantém a homeostase (o equilíbrio) do cérebro.

Há várias células gliais, sendo elas os astrócitos, os oligodendrócitos, e a micróglia.

Os astrócitos, chamados assim por terem a forma de estrelas (astros) são as células de sustentação e suporte neuronal propriamente ditas. Há várias formas e tipos deles. Aqui vai um astrócito:



Essa figura veio daqui: http://www.sobiologia.com.br/figuras/Histologia/sinapse3.gif

Observem que os astrócitos se ligam aos vasos e aos neurônios, Nos vasos, eles impedem que substâncias e organismos nocivos cheguem ao cérebro (barreira hemato-encefálica).

Os oligodendrócitos são células que principalmente produzem a bainha de gordura (mielina) que envolve os neurônios e ajuda na condução elétrica dos impulsos neuronais. Na figura acima, um oligodendrócito é demonstrado como uma pequena célula entre dois neurônios.

Já a micróglia é o sistema imunológico, de defesa propriamente dita, do sistema nervoso. São os vigias, os guardiões que iniciam um ataque caso haja uma invasão de organismos tipo vírus ou bactérias, e também retiram restos de células mortas. Um componente da micróglia, com as outras células:



Essa foto veio daqui: http://www.poderdasmaos.com/site/pub/bancoimg/bancodeimagens/Materia/coluna-11.jpg

terça-feira, abril 26, 2011

O neurônio

Se você é curioso, e gosta de pesquisar, talvez já tenha se feito essa pergunta antes. E se você nunca teve curiosidade de saber do que é feito o seu cérebro, bem, lá vai mais uma explicação.

O cérebro, como qualquer órgão do corpo, como já dito, é feito de células. Os neurônios são a menor parte desse material celular que chamamos de sistema nervoso. Isso por que a maior parte é dominada por células de suporte chamadas de células gliais, ou da glia. São várias células que dão sustentação ao neurônio, auxiliam-no na condução dos impulsos elétricos, mantém o cérebro a salvo de organismos e substâncias tóxicas através de algo chamado de barreira hemato-encefálica (barreira entre o sangue e o líquido da espinha e cabeça, ou seja, o líquor, que banha o cérebro e a medula), matam organismos invasores, fazem a defesa do cérebro, mantém a homeostase (o equilíbrio) do cérebro.

Há várias células gliais, sendo elas os astrócitos, os oligodendrócitos, e a micróglia.

Os astrócitos, chamados assim por terem a forma de estrelas (astros) são as células de sustentação e suporte neuronal propriamente ditas. Há várias formas e tipos deles. Aqui vai um astrócito:

http://www.sobiologia.com.br/figuras/Histologia/sinapse3.gif

https://encrypted-tbn0.google.com/images?q=tbn:ANd9GcR84a-HecWyvE1S0VeuK6ESfSVNznF7su5fjttXgsivINEsTkG0

Observem que os astrócitos se ligam aos vasos e aos neurônios, Nos vasos, eles impedem que substâncias e organismos nocivos cheguem ao cérebro (barreira hemato-encefálica).

Os oligodendrócitos são células que principalmente produzem a bainha de gordura (mielina) que envolve os neurônios e ajuda na condução elétrica dos impulsos neuronais. Na figura acima, um oligodendrócito é demonstrado como uma pequena célula entre dois neurônios.

Já a micróglia é o sistema imunológico, de defesa propriamente dita, do sistema nervoso. São os vigias, os guardiões que iniciam um ataque caso haja uma invasão de organismos tipo vírus ou bactérias, e também retiram restos de células mortas. Um componente da micróglia, marcado com o número 5, com as outras células:

https://encrypted-tbn0.google.com/images?q=tbn:ANd9GcRBsosQniHbnyxnHmn1Qsf1G2DDATb-fdkzx-yKp7v9WVRR6wuh3A