sábado, maio 12, 2012

Pequeno dicionário de termos médicos - Ptose palpebral

A palavra ptose vem do grego πτωσις (ptosis) e que significa queda (referência). Ptose palpebral é a queda da pálpebra. E você sabe o que é a pálpebra? 

Pálpebra é a pele que cobre o olho, e que apresenta os cílios. Veja abaixo:

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8d/Eyelashes.jpg/220px-Eyelashes.jpg
Esta figura demonstra a pálpebra superior normal.

Temos a pálpebra superior e a inferior. A queda da pálpebra inferior, geralmente causada por paralisia facial, chama-se de lagoftalmo

A ptose palpebral logo é a queda da pálpebra superior, e pode ocorrer por vários motivos, desde lesões musculares da própria pálpebra, problemas oculares, até lesões do terceiro nervo craniano (nervo oculomotor) (leia aqui), lesões musculares generalizadas como a miastenia gravis ou miopatias mitocondriais (falaremos disso posteriormente) ou síndrome de Horner, quando há lesão de vias que saem do cérebro e inervam a musculatura palpebral (Falaremos disso em outro tópico)

Veja abaixo:

https://encrypted-tbn1.google.com/images?q=tbn:ANd9GcT7nODtnrV6jTzIFDEe0YIMYHbIqx7S3nNH3GLaxtyjEfgq3eiD
Esta figura mostra ptose palpebral do lado direita (olho à esquerda). Observe que a córnea se esconde parcialmente por detrás da pálpebra.


https://encrypted-tbn1.google.com/images?q=tbn:ANd9GcR-p5-1VCbasrRZ2jP4JwufRfJhpUJ_khY6p24YkGfL_2IF60QMlw
Caso de ptose palpebral bilateral. 

Como você pode ver, a ptose pode ser uni ou bilateral, e isso ajuda muito no diagnóstico das causas.

A ptose pode ainda ser completa, fechando completamente o olho, como você vê abaixo:

https://encrypted-tbn0.google.com/images?q=tbn:ANd9GcSs98Bc6zWZOM-f0YVAfzRTP14HRS6a28USON_9TU5VlpQt6koZvw

quarta-feira, maio 09, 2012

Meningite viral

Meningite é a inflamação das membranas que envolvem o cérebro, as meninges. Há três meninges, a mais grossa e mais externa, a dura-máter, a intermediária, chamada de aracnóide, e a mais interna, aderida ao cérebro e bem fina, a pia-máter. 

Observe abaixo (skull significa crânio): 

http://media.tumblr.com/tumblr_li82yoxK9I1qc9f5v.jpg
E mais:

http://www.mundosemdor.com.br/wp-content/uploads/2011/03/cerebro_meninges.jpg
As meninges podem inflamar por uma variedade de causas (leia mais aqui e aqui). Entre as causas mais comuns, encontram-se as infecções bacterianas (e daí, teremos as meningites bacterianas, doenças graves e que podem levar à morte se não tratadas a tempo) e a infecções virais. 

As meningites virais, temas deste tópico, são diferentes das bacterianas pela sua relativa benignidade. Toda meningite leva a dor de cabeça (cefaleia), dificuldade de olhar para a luz (fotofobia) e nuca rígida. As meningites bacterianas podem dar alteração da consciência, febre alta, dores pelo corpo, confusão mental e crises epilépticas.

Já as meningites virais podem levar a dor no corpo e confusão mental, mas podem não dar febre. Crises epilépticas podem também ocorrer, especialmente se o cérebro, o parênquima cerebral, for atingido, tendo-se aí não mais somente uma meningite, mas uma meningoencefalite. 

A causa das meningites virais pode ser virtualmente qualquer vírus, mas mais frequentemente vírus que causam doenças infecciosas comuns, como os enterovírus, os adenovírus, herpes simples e o vírus da catapora (varicela zoster).

As meningites virais costumam, geralmente, ter um prognóstico melhor que as bacterianas, mas há casos graves.

O diagnóstico deve ser feito afastando-se doenças outras com uma tomografia de crânio e uma coleta de líquor da espinha o tão logo possível. Sempre que na dúvida entre uma meningite viral e bacteriana, já que pelas características clínicas não é sempre possível diferenciar as duas com exatidão, deve-se iniciar antibiótico o tão logo que possível até que o resultado do líquor demonstre ser uma meningite viral.

E o que o líquor mostra?

Na meningite bacteriana, o líquor que deveria ser cristalino fica turvo, grosso, cheio de leucócitos (as células de defesa do corpo, que reagem a invasões e inflamações, e aqui consistem basicamente em neutrófilos, um tipo de leucócito), proteínas e com baixa glicose.

Já na viral, o líquor é de aspecto cristalino, e há poucas células, na sua maior parte linfócitos (outro tipo de leucócito), proteína levemente aumentada e glicose normal.

O líquor é extremamente importante no diagnóstico de meningite, e deve sempre ser feito na sua suspeita.

terça-feira, maio 08, 2012

Qual a capacidade "digital" do cérebro humano?

Notícia tirada do site do Estadão (leia mais aqui)

Calcula-se que a capacidade de armazenamento da mente humana situe-se entre 10 e 100 terabytes (só para lembrar, 1 terabyte = 1024 gigabytes; 1 gigabyte = 1024 megabytes). Mas estima-se que a variação seja ainda maior, entre 1 e 2560 terabytes (ou 2,5 petabytes; e 1 petabyte [eu também nunca havia ouvido falar nessa unidade] é igual a 1024 terabytes). 
Para calcular isso, deve-se considerar que o cérebro humano contém 100 bilhões de neurônios (fora as outras células, em número ainda maior), e que cada neurônio, a célula de "armazenamento de dados" é capaz de realizar mil conexões, ou seja, cada neurônio pode realizar mil sinapses que armazenam dados. Agora, multiplique isso por 100 bilhões, e teremos 100 trilhões de pontos de dados, ou 100 terabytes de informação (interessante não?)
Entretanto, estes cálculos são muito simplistas, pois supõem, em primeiro lugar, que cada sinapse armazene somente 1 byte de informação (o que pode ser errôneo, podendo ser ainda mais alta ou mais baixa). Fora isso, para que esses cálculos sejam corretos, deve-se admitir que cada sinapse transmita somente informações binárias (1 bit), ou seja, sim ou não, liga ou desliga, 0 ou 1, e isso pode não ser verdade. E podem existir sinapses que façam conexões ainda mais complexas, o que dificulta o cálculo. 
Fora isso, as sinapses não são completamente independentes, e podem ser necessárias várias para transmitir uma única informação. Então, isso pode aumentar a capacidade cerebral, dependendo do quão frequentemente isso ocorre (logo, podemos inferir, baseada nesta única informação, e sabendo-se que pessoas que recebem mais estímulos possuem maior número de sinapses, a capacidade cerebral pode variar entre pessoas, para mais ou para menos). 
E mais, não se sabe o que é utilizado e o que é espaço "livre" no nosso "disco rígido". O cérebro é muito mais complexo do que um disco rígido. Não só algumas partes parecem estar envolvidas em muitas memórias ao mesmo tempo, mas os dados armazenados com frequência são corrompidos e perdidos.
Assim, qual seria a velocidade de processamento do cérebro, em mega-hertz? É bom dizer que o cérebro é uma máquina muito poderosa, formada de processadores muito mais lentos. Cada neurônio teria uma "velocidade de processamento" na ordem de quilo-hertz, que é um milhão de vezes mais lento do que o giga-hertz - a velocidade de processamento de um smartphone é de cerca de um giga-hertz. Por isso, os computadores são mais rápidos para completar tarefas especializadas, embora não consigam reproduzir todas as várias funções do cérebro humano.
O cérebro é extraordinariamente econômico em termos de energia: roda a 12 watts - eletricidade que usamos para acender algumas lâmpadas que economizam energia. Seria necessária muita energia para rodar um computador tão poderoso como o cérebro, talvez um gigawatt de energia, o consumo de Washington - o que seria impraticável.

segunda-feira, maio 07, 2012

Neurologia nutricional - A vitamina A e o sistema nervoso

A vitamina A é também chamada de retinol, em relação à sua importância para o funcionamento apropriado da visão. Sua forma ativa, o ácido retinóico, é transformada no corpo após sua absorção. 

A função primordial da vitamina A é a visão, e esta vitamina compõe uma proteína chamada de rodopsina, essencial para o bom funcionamento dos bastões (rods, em inglês), células retinianas responsáveis pela visão em ambientes pouco iluminados (leia mais sobre isso aqui). 

Sua forma natural ou pró-vitamina A, o beta-caroteno, está presente em várias fontes, como cenouras, mamões, laranjas, folhas verdes, leite, fígado, gema de ovos, sardinha, caju, pêssego, abóbora, maçã, manga, e outras fontes (leia mais sobre isso aqui).

Para quem se interessar, a fórmula da vitamina A é esta abaixo:

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/5c/All-trans-Retinol2.svg/250px-All-trans-Retinol2.svg.png
Apesar de ser necessária à saúde, o consumo excessivo de vitamina A pode levar a uma hipervitaminose (geralmente, com o consumo crônico diário de mais do que 25,000 UI ou Unidades Internacionais).

À falta de vitaminas (qualquer uma), chama-se de hipovitaminose. No caso da vitamina A, sua falta denomina-se de hipovitaminose A. Alimentação exclusiva ou predominantemente composta de arroz e/ou trigo pode levar à hipovitaminose A. Pessoas que abusam de álcool (etilistas crônicos), idosos malnutridos ou pessoas que sofrem carência alimentar podem ter diminuição nos níveis de vitamina A. Doenças como doença celíaca, fibrose cística, algumas doenças do fígado, e pancreatite podem levar à má-absorção de vitamina A, isso por que a vitamina A, juntamente com as vitaminas D, E e K são lipossolúveis, ou seja, dependem de gordura alimentar para serem absorvidas. 

A hipovitaminose A causa o que se chama de cegueira noturna (ou nictalopsia), e problemas na córnea e na conjuntiva, a parte mais externa do olho. Pode ocorrer também prejuízo do paladar. Fora do sistema nervoso, podem ocorrer alterações da pele, e problemas respiratórios, digestivos e urinários.

Já a hipervitaminose A pode causar cefaleia, insônia, irritabilidade, inchaço na retina (papiledema) e hipertensão intracraniana.







sexta-feira, maio 04, 2012

Considerações sobre a depressão e ansiedade

Artigo escrito pela psicóloga clínica Ângela Carvalho Jatobá.


Pós-Graduação em Psicologia Clinica Psicanalitica

Formação em Neuropsicologia Infância/Adolescência/ Adulto
Formação em Terapia Cognitivo-Comportamental Infância/ Adolescência/ Adulto
Coordenadora do Grupo de Apoio para portadores de TDAH-Recife

E-mail: angella.jatoba@hotmail.com

Por que a depressão existe?

Segundo algumas teorias, conforme a civilização se desenvolveu, o homem alterou seu ambiente numa velocidade maior que a sua capacidade de adaptar-se a ele. Evoluímos para viver em grupos, seguindo o ciclo do sol, com a preocupação de obter alimento e procriar. Porém agora as coisas mudaram, pois temos de que nos preocupar com contas, imagem, carreira. E muitos planos acabam frustrados, talvez mais do que a cabeça pode aguentar. E o pior é que temos hábitos sedentários, e graças à luz artificial, fazemos nosso corpo funcionar no tempo do relógio e não no tempo do sol. Isso explica por que a prevalência da depressão tem aumentado. 


Adaptado de Paul Gilbert, Universidade de Derby, Reino Unido, e publicado na Superinteressante. 


O lado bom das nossas falhas (leia mais aqui)

Estudos sobre "depressão", "timidez", "pessimismo", afirmam que estas condições não só têm lado bom, como também são peças fundamentais para uma vida melhor e mais feliz, pois através das nossas falhas se poe atingir o sucesso. 


Algumas considerações retiradas do site da Superinteressante:

A mulher mais rica do Reino Unido ganhou uma fortuna durante uma crise de "depressão" ao escrever um livro, enquanto sustentava sua filha com a ajuda do governo, pois tinha acabado de perder o emprego e se divorciado. Estamos falando da autora de "Harry Potter".

O maior filósofo do século XX não passou no colegial, sofreu bullying na escola por escrever errado, ter uma péssima memória e não fazer amizades, pois não se interessava em conviver com as pessoas. 

O mais famoso intérprete de Johann Sebastian Bach não gostava de tocar para a plateia e não deixava que pessoas encostassem nele.

O inventor da lâmpada, Thomas Edison, era tão avoado que foi expulso da escola aos 8 anos de idade, e precisou estudar em casa.

Algumas pessoas não conseguem se interessar pelo que existe a sua volta, mas é exatamente por isso que conseguem se concentrar dias a fio num só raciocínio e chegam a conclusões geniais.

As pessoas desatentas, por exemplo, conseguem captar vários estímulos no ambiente ao mesmo tempo, e a partir disso fazer associações inesperadas e criativas.

A ansiedade nos protege de pagar para ver uma ameaça, e a tristeza e o pessimismo nos fazem desistir deas ilusões.

Do ponto de vista clínico, não há nada de bom na "depressão", pois ela aprisiona as pessoas no sofrimento, que paralisadas não conseguem tomar decisões e atitudes que melhorariam suas vidas, isolam-se socialmente e tendem a remoer um problema; porém, a "depressão" tem um lado positivo: segundo o psicólogo americano Erick Klinger, um dos primeiros cientistas a pesquisar a "depressão", num artigo de 1975, analisou como o humor melhora conforme o progresso na busca de um objetivo. Isso motiva a pessoa a continuar buscando e a assumir riscos cada vez maiores. E quando esses esforços começam a falhar, uma piora no ânimo a faz voltar atrás, preservar suas reservas e reconsiderar opções. Essa piora, ou seja, essa depressão leve, abre espaço para a introspecção (auto-crítica) e ao auto-exame necessários para se tomar decisões difíceis, como desistir de objetivos inalcançáveis e buscar novas metas; ou seja, pessoas com sintomas leves de "depressão" conseguem abrir mão com mais facilidade de buscar objetivos irrealistas, dando menos murro em ponta de faca, e machucando-se menos do que os esmurradores de lâminas. 

[Adaptado da revista Superinteressante por Ângela Carvalho Jatobá - Psicóloga Clinica - Recife/PE]

terça-feira, maio 01, 2012

Para que serve a pesquisa de bandas oligoclonais?


Artigo escrito pelo Dr. Diego Zanotti Salarini, médico neurologista do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo, do Ambulatório de Desordens de Movimento do Hospital das Clínicas da FMUSP, e do Ambulatório de Neurologia da Santa Casa de São Paulo, e cedido gentilmente pelo mesmo. 

Quantas vezes já não vimos um pedido de exame assim: liquor com pesquisa de bandas oligoclonais. Mas afinal de contas para que serve esse exame?

Inicialmente devemos mencionar que é apenas um exame, e não uma certeza absoluta sobre nada. Não adianta realizar o exame sem ter uma suspeita clínica (como qualquer outro exame).

O exame não é feito só no LCR, mas também é coletado sangue do paciente nesse momento. O que se faz é uma simples comparação, claro que com uma tecnologia envolvida, mas não passa de uma comparação, entre a presença dessas bandas no sangue e no líquor.

As proteínas que existem no sangue são muito parecidas com as que existem no líquor, pois este é considerado como uma filtrado do sangue. Logo se compararmos essas proteínas, elas são iguais. Já em algumas doenças, como por exemplo a Esclerose Múltipla, ocorre a produção de proteínas diferentes só no líquor, desta forma a comparação aparecerá diferente (veja a presença de bandas na imagem abaixo):

http://www.ms-gateway.com.pt/html/images/upload/LCR.jpg
As bandas são estas imagens escuras, como códigos de barras, na fila abaixo, onde está escrito LCR à esquerda, e demonstram a presença de proteínas diferentes no líquor em relação ao sangue, ou seja, proteínas produzidas exclusivamente no líquor, e não passado do sangue para ele. 

Isso mostra apenas uma coisa para nós: existe algo errado nas defesas imunológicas que protegem o cérebro de agressões do meio externo a ele. Nesse contexto o significado é de que existem células que podem estar causando a inflamação no cérebro.

Observe abaixo como funciona a inflamação cerebral na esclerose múltipla. 

http://4.bp.blogspot.com/_YpglDLZkbqY/TQ05GU376BI/AAAAAAAAAIY/DK2KFlh18YI/s400/esclerose-multipla-celula-t.jpg

Para dar o diagnóstico de Esclerose Múltipla muito mais coisas são necessárias (avaliações sucessivas do neurologista e exames de imagem), o que será discutido em outro post. 


O que é a doença de Machado-Joseph?

Artigo escrito pelo Dr. Diego Zanotti Salarini, médico neurologista do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo, do Ambulatório de Desordens de Movimento do Hospital das Clínicas da FMUSP, e do Ambulatório de Neurologia da Santa Casa de São Paulo, e cedido gentilmente pelo mesmo.

Atualmente discutida por conta de um ator com esta enfermidade (veja aqui), a Doença de Machado-Joseph, ou ataxia espinocerebelar tipo 3 (há mais de 30 tipos de ataxias espinocerebelares, e esta é a mais comum) é uma de muitas doenças que se manifestam com ataxia (vide aqui), além de outros sintomas possíveis de apresentar. 


Sua origem é considerada como portuguesa, das Ilhas de Flores e Açores, sendo que nessas ilhas, a proporção de pessoas com essa doença é bem maior que na população geral. Veja abaixo a localização da Ilha de Açores:


http://2.bp.blogspot.com/-xf7E_Xxqrjw/TWK0Ay8pwaI/AAAAAAAAAB4/-7U6npewno8/s1600/carte-acores.gif

Esta é uma doença genética, isto é, é passada como uma alteração no DNA de pai para filho. Ela recebe o nome de dominante pois basta ter um gene alterado para a pessoa ter a doença. Devemos lembrar nesse ponto que o nosso DNA apresenta sempre um par de cada um dos 23 cromossomos, e em cada posição um par de genes, um para cada cromossomo, e há vários genes em cada cromossomo, mas esta é outra história. Veja abaixo:


http://www.unifesp.br/centros/creim/imagens/dominante.gif 


A figura acima demonstra a transmissão genética denominada de dominante, sendo o gene dominante, neste caso hipotético, denominado como A, e o recessivo a. Basta um gene A na dupla para que a pessoa tenha a doença. Observe a transmissão genética recessiva abaixo, onde são necessários dois genes a para que a pessoa tenha a doença:

http://www.unifesp.br/centros/creim/imagens/recessiva1.gif 


O início da doença pode ser com alterações no andar (marcha) e no equilíbrio na maioria das vezes. Nesse ponto inicial muitas pessoas podem ser taxadas de bêbadas por pessoas que não conhecem os sintomas da doença pois andam como se estivessem com excesso de álcool no sangue, além da voz poder estar alterada, a disartria (vide aqui). 


Outros sintomas podem ser: visão dupla, formigamentos ou perda de sensibilidade nos pés (polineuropatia), parkinsonismo (apresentando alguns sintomas parecidos com os da Doença de Parkinson), movimentos anormais de braço e pescoço, reflexos aumentados (hiperreflexia) e alterações de sono e memória.


A evolução da doença é bem lenta com pioras muito sutis no dia-dia, sendo mais facilmente vistas por um neurologista experiente (mesmo assim com uma certa dificuldade) e com aparecimento de novos sintomas. Como 100% dos paciente com essa herança genética irão manifestar a doença o teste genético se faz necessário para duas coisas: primeiro, determinar se realmente é a Doença de Machado-Joseph (existem outras 31 formas de ataxias hereditárias dominantes, além de uma vasta lista de ataxias recessivas), e segundo, aconselhamento genético (deve ser feito por um geneticista).


No momento vários estudos estão sendo feitos para melhorar os cuidados para com essa doença, sendo que a fisioterapia é ainda a melhor intervenção, com boa melhora funcional dos pacientes. Outras medicações são usadas para os sintomas que o paciente pode apresentar.


Para ter informações sobre essa doença e sobre como trata-la consulte seu médico.

segunda-feira, abril 30, 2012

O que é o corpo caloso?

O cérebro é formado por dois hemisférios, o direito e o esquerdo. Estes dois hemisférios comunicam-se entre si através de fibras ou conjuntos de axônios e dendritos que trafegam de um hemisfério para outro, ligando áreas semelhantes (frontal com frontal, parietal com parietal, e assim vai) e fazendo a comunicação entre diversas áreas diferentes dos dois lados. Estas comunicações chamam-se de comissuras, e geralmente localizam-se na linha média (exatamente entre os dois hemisférios).

Há algumas comissuras, como a comissura anterior, a comissura posterior, e a comunicação intertalâmica.

Observe abaixo:

http://www.benbest.com/science/anatmind/FigVI24.gif
A comissura anterior está localizada à esquerda (na parte da frente do cérebro) (anterior commissure). A comissura posterior está lá atrás, acima do cerebelo. Esta figura mostra todas as comissuras cerebrais, todas muito importantes. Estas conexões ligam as estruturas correspondentes dos dois lados entre si.

Agora, observe a figura como sanfona localizada acima de todas as outras comissuras. Esta é a comissura mais importante do cérebro, e liga as informações corticais e subcorticais entre si. Este é o corpo caloso.

O corpo caloso é necessário para a correta interpretação de informações vindas dos sentidos, como visão, tato, além de informações mentais. Problemas de linguagem podem advir de lesões do corpo caloso. Problemas de orientação direita-esquerda, não reconhecimento de um lado do corpo (o que chamamos de heminegligência), e problemas de reconhecimento de objetos visuais podem advir de lesões desta estrutura. Estas informações são complexas, e seu completo entendimento necessita de certas informações que ainda não foram fornecidas neste blog. Aos interessados em aprofundar estes conhecimentos, indico este site, e estes artigos (este e este).

O corpo caloso é uma massa de substância branca formada de fibras radiais, ou seja, que passam de um lado para outro. Observe abaixo:

https://encrypted-tbn1.google.com/images?q=tbn:ANd9GcQ_u_GWMCwHp_jkJZcglktqP4zwJ74lGc0EngLmiJy9HMdUaYrm
Observe ainda mais abaixo:

https://encrypted-tbn2.google.com/images?q=tbn:ANd9GcT3AtHwvqsDVFWlHkeoAJPQ-Kxy_VsqTvIOEef2f-a2AnUwlOSW
Esta figura mostra as fibras que constituem o corpo caloso.

Na ressonância magnética, pode-se ver bem o corpo caloso. Observe abaixo:

https://encrypted-tbn3.google.com/images?q=tbn:ANd9GcSxwKfn0AH13bc1IlIDe09Hm65m2B5LyHxqIEl7w3rTgnA8QHhK
Observa ainda abaixo:

https://encrypted-tbn1.google.com/images?q=tbn:ANd9GcRaRpTCB0j9zhK8xvydTde6RvaMUNwCSTAl3XT9hDt2CcxTQxT16w
E mais abaixo:

https://encrypted-tbn2.google.com/images?q=tbn:ANd9GcQShVey1OYXEy2F0jOd3b0HsanjbnBprnwhUbZlBd0K6QZMldnk
Nesta figura, corpo caloso está indicado pelo número 5 (a, b, e c). Aqui você observa que o corpo caloso é formado por três partes, a saber: 5a - cabeça; 5b - corpo ou esplênio; 5c - joelho do corpo caloso.

Observe ainda mais abaixo:

https://encrypted-tbn2.google.com/images?q=tbn:ANd9GcRhyf6ags6NjK9z4ETcPxsN2kTwJaaF5Ws6sVYZmFv5-CAApFMD
Agora que você já conhece o corpo caloso, o que pode acontecer com ele?

Sabendo-se que é uma estrutura de linha média feita de substância branca, doenças que acometem a substância branca, como esclerose múltipla, desmielinizações causadas por uso crônico de álcool, infecções como doenças virais, e vários tumores podem afetar o corpo caloso e causar problemas na substância cerebral ao redor.

E mais. O corpo caloso pode não nascer, ou nascer incompleto, ao que se chama agenesia ou hipogenesia do corpo caloso. Observe abaixo:


https://encrypted-tbn1.google.com/images?q=tbn:ANd9GcTwoUYxKzBumkJ8_u5kNyxFF6Vs2MlUHKXms24tNg03eOisZFmWyA
Nesta figura, o corpo caloso não nasceu, e os ventrículos estão com forma e tamanho diferentes (algo que chamamos de colpocefalia). Compare com as figuras acima.

Agora você já sabe muita coisa sobre o corpo caloso.


domingo, abril 29, 2012

Neurologia nutricional

O sistema nervoso é palco de várias reações químicas diariamente, tanto na manutenção de suas células e sinapses como na criação de novas sinapses, reparos, manutenção de células não neuronais e do meio interno do cérebro, importante para sua segurança, proteção e funcionamento. Fora isso, o funcionamento perfeito dos outros órgãos e sistemas é vital para o bom desempenho cerebral.

Mas para que todas estas atividades ocorram em harmonia diariamente, é necessário um mínimo de nutrientes, proteínas e vitaminas a serem continuamente encaminhados ao cérebro e a outros órgãos, como o fígado, rim, coração, pele, tireóide, e várias outras estruturas vitais. 

Esse mínimo é mantido às custas de uma alimentação saudável, rica em nutrientes e vitaminas, além de um trato digestivo, misturando estômago, intestino, pâncreas, funcional e ativo. 

Várias são as vitaminas que devem ser consumidas continuamente por reações químicas cerebrais importantes para a manutenção da vida, e vários são os nutrientes essenciais ao corpo. Fora isso, aminoácidos, as menores unidades formadoras das proteínas, são ou consumidos obrigatoriamente através dos alimentos para serem usados pelo cérebro (os aminoácidos essenciais) ou são produzidos no corpo (aminoácidos não essenciais).

De longe, as vitaminas do complexo B (B1, B2, B3, B5, B6, B9 e B12) são as mais importantes no metabolismo cerebral, mas a vitamina E e A operam tão importantemente quanto. Oligoelementos, como o cobre, o zinco, cobalto, magnésio são muito importantes também. Todas estas substâncias são conseguidas na dieta, ou através de suplementação com vitaminas. 

Pela importância que têm estas vitaminas e minerais no funcionamento cerebral, faremos alguns tópicos sobre estes assuntos, e no final, discutiremos o papel da cirurgia bariátrica (cirurgia feita para pacientes com excesso de peso) na neurologia.


sábado, abril 28, 2012

Os núcleos da base - O núcleo subtalâmico

Este é mais um dos núcleos que forma os núcleos da base, e seu nome deriva do fato de esta estrutura estar abaixo do tálamo, daí o nome subtalâmico.

Observe abaixo:

http://www.virtual.unifesp.br/unifesp/apoptose/restrito/ganglios.gif
O núcleo subtalâmico é a estrutura em rosa abaixo da grande massa acinzentada na figura (ou seja, o tálamo). Observe maia esta figura:

http://www.profelis.org/amc/ap1/gifs/basal-ganglia_normal.gif
Nesta figura, você vê a relação entre os núcleos já discutidos, o núcleo caudato e o putâmen em azul, o globo pálido em azul claro e branco, o tálamo em rosa e o núcleo subtalâmico em cinza. Esta figura demonstra a disposição destes núcleos separados do restante do cérebro. Aqui estão outras massas de substância cinzenta, a substância negra, principal núcleo da doença de Parkinson, e o núcleo rubro.

O núcleo subtalâmico é o único núcleo que possui um neurotransmissor excitatório (que excita, estimula outras terminações nervosas), o glutamato. Este núcleo participa ativamente de todas as informações que saem do córtex e vão para os núcleos da base, incluindo terminações diretas que saem do córtex para ele. Fora isso, ele se conecta ao globo pálido e ao tálamo, e ao putâmen/caudato.

Lesões do núcleo subtalâmico levam a uma condição chamada de hemibalismo/hemicoreia, onde há movimentos desordenados, involuntários, de grande amplitude de um lado do corpo, contrário ao lado lesado. As causas mais comuns disso são derrames e diabetes descompensando, mas traumas e esclerose múltipla também pode causar esta condição.

O núcleo subtalâmico é a principal estrutura usada no tratamento da doença de Parkinson com a técnica de estimulação cerebral profunda, o famoso marcapasso cerebral.

Observe abaixo:

http://www.mayfieldclinic.com/images/bilateral_dbs_72.jpg
Nesta figura, dois eletrodos (o marcapasso deles está no peito) estão colocados de cada lado no núcleo subtalâmico para tratamento da doença de Parkinson.

Observe mais abaixo esta figura que demonstra o marcapasso e o eletrodo, desta vez de um lado só (esquerdo):

http://biomed.brown.edu/Courses/BI108/BI108_2003_Groups/Deep_Brain_Stimulation/images/man2.jpg
Falaremos, no próximo post sobre anatomia, da substância negra.

terça-feira, abril 24, 2012

O que é craniossinostose ou estenose crânio-facial?

Muito temos ouvido falar desta deformidade nestes últimos dias. Mas você sabe o que é craniossinostose (ou cranioestenose)?

O crânio é formado por vários ossos, que se conectam através de articulações fixas, ou suturas, sem possibilidade de movimento entre eles após as suturas estarem completamente formadas.

Observe abaixo:

https://encrypted-tbn3.google.com/images?q=tbn:ANd9GcSaOH3jhvUJe0CDzsBuL4utmzXfqnuZqUY01i6pI6hTN_-HewLZjA
Os ossos do crânio são o Frontal, dois ossos Parietais, dois ossos Temporais, o osso Occipital, dois ossos Zigomáticos, o osso Maxilar, o osso Nasal, e o osso Esfenoidal (observe abaixo):

https://encrypted-tbn2.google.com/images?q=tbn:ANd9GcSdaqC9lICvGHN_vxhV_bDSt-5x9udcbE5i2XAGHz2spl1bf8bQ

O osso esfenóide é visto aqui somente parcialmente. Na verdade, este é um osso complexo, cheio de buracos (forames) e proeminências. Observe abaixo:

https://encrypted-tbn3.google.com/images?q=tbn:ANd9GcQv04kPMjXKdoAaP2z3qU_G4ZGJ3ennHMKPsddhi8gaXVqccezj




Este é o osso esfenóide, e sua localização no crânio segue abaixo:
https://encrypted-tbn2.google.com/images?q=tbn:ANd9GcRRYWGndb5gobgOqCtlR3ZpTAnk0ZfpR4RHck3xrAzHbRDmqyps

Muito bem.Observe a primeira e a segunda figuras. Observe que entre os ossos, há linhas serrilhadas, as suturas. A mobilidade entre os ossos é mínima a nula por conta destas suturas, e no adulto somente doenças que deformam o osso, tumores ósseos, ou traumas graves podem romper este lacre. Mas na criança, temos outro quadro.  

Os ossos do crânio de uma criança ao nascer e após alguns anos do nascimento são diferentes dos de um adulto. São mais moles, e a separação entre eles é menos rígida, permitindo aos ossos crescerem e se adequarem ao cérebro em crescimento. Na parte anterior e na posterior da cabeça de uma criança recém-nascida, há duas aberturas que são justamente o espaço entre os ossos que ainda não se fechou, as fontanelas, ou popularmente conhecidas moleiras. Elas são necessárias para que o cérebro e os ossos cresçam. 

O cérebro termina seu crescimento ao final do segundo ano de vida, permitindo à fontanela anterior fechar-ser entre o 9º e o 15º mês de vida. A posterior fecha-se ao redor do 2º mês de vida (informações tiradas deste site). 

O que ocorre na craniossinostose ou cranioestenose é o fechamento precoce destas suturas, destas ligações entre os ossos do crânio de uma criança. Devido ao impedimento do crescimento normal do cérebro e do crânio, há crescimento diferente dos ossos, levando o crânio a assumir formas diferentes do normalmente visto, podendo inclusive levar a alterações neurológicas.

O quadro é mais comum em meninos, e ocorrer em geral 1 caso para cada 2000 crianças. A doença já se inicia na fase embrionária, e pode ter causa genética (hereditária), infecciosa (infecções no período neonatal) e causas intra-uterinas várias. O uso de certas medicações na gestação pode causar estas deformidades também. 

Há vários tipos de estenose craniofacial, dependendo da sutura (ou suturas) acometidas (fonte). E há várias suturas diferentes.

1. Sutura sagital: Entre os dois ossos parietais ( a linha entre os dois ossos esverdeados (parietais) abaixo).

https://encrypted-tbn0.google.com/images?q=tbn:ANd9GcS-VaOqqUPtFbmlR_Ju_aTjIW5yxHt53fZqwW97WuvHlxfZ3pghjw
2. Sutura coronal: São duas, entre o osso frontal e cada osso parietal (a sutura entre o osso azulado (frontal) na frente e cada osso esverdeado atrás dele).

3. Suturas lambdóide: São duas, entre o osso occipital (o osso azulado na parte de trás da figura) e os ossos parietais à frente deles. 

4. Sutura metópica: Típica do recém-nascido, junta as duas partes do osso frontal em uma só após o oitavo ano de vida (pode continuar presente em cerca de 8% das pessoas ) (fonte)

http://www.yalemedicalgroup.org/stw/images/126473.jpg
Dependendo da sutura ou suturas envolvidas, há vários tipos de cranioestenose. 

Tabela tirada deste site:

Tipos de cranioestenose:
Escafocefalia: causado pelo fechamento da sutura sagital. É o caso mais comum.
Trigonocefalia: causado pelo fechamento da sutura metópica.
Plagiocefalia: causada pelo fechamento da sutura coronária unilateral.
Braquicefalia: causada pelo fechamento da sutura coronária bilateral.
Oxicefalia: causada pelo fechamento da caixa craniana
Turricefalia: causada pelo fechamento das suturas frontoparietal e parietoccipital

O diagnóstico é feito pela observação da criança e por exame de imagem da cabeça, radiografia de crânio ou tomografia computadorizada do crânio, que podem auxiliar no diagnóstico e na formulação do melhor tratamento. 


Quer saber mais sobre diagnóstico e tratamento desta afecção? Discuta com seu pediatra ou neuropediatra. 


segunda-feira, abril 23, 2012

Novas pistas quanto às causas da enxaqueca

Notícia tirada deste site e deste site e traduzida livremente abaixo.

Cefaleia induzida pelo frio (ou Cefaleia do Sorvete - vide este link para mais informações) parece ligada a alterações de fluxo de uma artéria cerebral específica, de acordo com um pequeno estudo. Isto pode auxiliar no tratamento de outras dores de cabeça, como enxaqueca, por exemplo.

Os cientistas monitoraram o fluxo sanguíneo cerebral de 13 voluntários sadios enquanto estes tomavam água gelada através de um canudo comprimido contra o palato duro, de forma a produzir "cefaleia do sorvete". Os resultados sugerem que esta cefaleia transitória é causada por um súbito aumento no fluxo sanguíneo na artéria cerebral anterior, e a cefaleia acaba quando a artéria contrai de volta ao seu tamanho normal.

Observe abaixo a artéria cerebral anterior:

http://www.meddean.luc.edu/lumen/MedEd/Neuro/neurovasc/ImageFiles/ancirc.jpg
A dilatação rápida e a pronta constrição da artéria podem ser um tipo de auto-defesa do cérebro. O cérebro é muito sensível à temperatura, de modo que a dilatação do vaso pode estar movendo sangue levemente mais quente para os tecidos para que o cérebro mantenha-se aquecido. Como o crânio é uma estrutura fechada, um aumento súbito no volume de sangue por dilatação vascular pode causar dor por aumento da pressão local. A constrição dos vasos pode ser um modo de evitar maiores danos por aumento súbito da pressão cerebral.

Estas alterações de fluxo sanguíneo são também observadas na enxaqueca e outros tipos de cefaleia, o que pode lançar uma luz na causa e fisiopatologia (modo de instalação e evolução) destas formas de cefaleia. 

domingo, abril 22, 2012

O que é um ataque isquêmico transitório? ou "Princípio de AVC"

Ataque isquêmico transitório, ou AIT, é um evento vascular, ou seja, um problema da vasculatura cerebral, e que muitos conhecem como "princípio de AVC". Na verdade, o AIT não é um princípio de AVC, mas um AVC (derrame) de verdade, mas que demora pouco, dura pouco, e logo tudo volta ao normal.

Um AIT é um evento vascular que dura pouco, resolve-se geralmente em questão de minutos, e apresenta exames de imagem normais, ou seja, sem lesões aparentes decorrentes dele.

O AIT obedece aos mesmos requisitos que um AVC isquêmico (leia aqui e aqui para saber mais). Ocorre de forma súbita, pode piorar ao longo dos minutos, pode causar fraqueza, dormência, perda de sensibilidade, alteração da fala, perda da linguagem, incoordenação, alterações da marcha, perda de visão, confusão. Mas em geral, de acordo com os critérios antigos, deve durar 24 horas e resolver completamente.

Mas os últimos exames de imagem demonstram que 24 horas é um tempo muito longo. Isso por que, em média, os AIT's re resolvem em 60 minutos ou menos (em geral 15 minutos mais ou menos na experiência do escritos deste artigo), e aqueles que duram mais do que isso na verdade são derrames verdadeiros, provados pela tomografia ou ressonância magnética com uma técnica chamada e difusão, que demonstra lesões agudas inflamatórias e vasculares, mas cujos sintomas clínicos se resolvem. Ou seja, um AIT que dura mais do que 60 minutos pode não ser um princípio de AVC, mas um AVC de verdade.

O AIT é benigno? Não! Não é! Dependendo de vários fatores, um AIT pode ser simplesmente o aviso de que um derrame maior, e logo mais duradouro e incapacitante, está por vir. Há uma escala usada por nós, médicos, baseada em estudos para poder definir este risco. Esta escala (chamada de ABCD2) usa critérios como idade, pressão arterial, presença de perda de força ou alteração de linguagem no AIT, diabetes, e a duração do AIT para medir o risco de um AVC (leia mais aqui para uma avaliação técnica do assunto).  E cerca de metade dos AVC's que ocorrem após um AIT o fazem 48 horas após.

Quais são as causas de um AIT? Exatamente as mesmas de um AVC (leia aqui). Mas é claro que há certas causas mais raras de AVC, como inflamações vasculares (vasculites) ou doenças genéticas, que não serão discutidas nesta tópico, mas podem ser discutidas em tópicos posteriores.

Há outras causas para sintomas semelhantes aos de um AIT? Doenças outras podem causar uma plêiade de sintomas que se parecem com sintomas de um AIT, mas quando faz-se imagem cerebral, demonstra-se serem outras doenças. E quais são estas doenças?

1. Hemorragia cerebral - Pequenas hemorragias podem dar sintomas semelhantes aos de um AIT, mas neste caso uma tomografia de crânio é suficiente para tirar a dúvida (experiência do autor).
2. Trombose venosa cerebral - A obstrução de veias do cérebro pode causar sintomas semelhantes aos de um AIT, e nestes casos deve-se pesquisar a causa, geralmente encontrada com estudos das veias cerebrais.
3. Crise epiléptica - Crises podem durar pouco, e se parecerem com um AIT. Mas em geral ocorrem várias vezes ao dia, ou várias vezes por semana, algo raro para um AIT, que ocorre poucas vezes antes de um AVC de verdade se formar. Nestes casos, um eletroencefalograma pode ajudar no diagnóstico.
4. Hemorragia subdural - Hemorragias no espaço entre o cérebro e a dura-máter, de fora do cérebro, podem causar sintomas semelhantes aos de um AIT, e uma tomografia de crânio pode ajudar a elucidar o diagnóstico.
5. Queda de pressão - Quedas de pressão podem causar sintomas parecidos, mas nestes casos deve-se estudar os vasos cerebrais pois aqui, geralmente, há fechamento de um vaso que sofre com a queda de pressão.

E como diagnosticamos um AIT? Na chegada ao PS, o paciente deve ser internado para investigar. Tomografia de crânio, doppler de carótidas, ressonâncias e mesmo angiografia cerebral, a depender do caso, valem no diagnóstico. Deve-se despender todo o esforço possível na elucidação da causa de um AIT, pois se deixado sem investigação, um AIT pode virar um AVC de verdade (Isso pode ocorrer mesmo no hospital, horas após o AIT. Mas como a maior parte dos AVC's se formam após 48 horas do AIT, o uso de medicações, controle da pressão e da glicemia, e uma investigação bem feita acabam por fazer a diferença na vida do paciente).

O tratamento é o mesmo de um AVC, mas mais intenso e em busca de evitar um AVC de ocorrer. Leia aqui para saber mais.