Caros amigos e visitantes, este blog não se destina em nenhuma hipótese a dar diagnósticos ou sugerir tratamentos, mas tão somente a alertar acerca de problemas de saúde. Faça um bem a si mesmo, na existência de algum problema de saúde procure um médico. Não respondo a todos os comentários, e nem em tempo real. Posso demorar dias até ter tempo de respondê-los. Perguntas sobre diagnósticos ou tratamentos devem ser feitas a um médico em consulta.
sexta-feira, setembro 07, 2012
Dez dicas para melhorar a memória
As 10 melhores dicas de como melhorar a memória, do site www.meddybear.net, e aqui em tradução livre e com comentários.
O cérebro humano é um aparelho (se é que podemos chamá-lo assim) maravilhoso, sendo capaz de armazenar memórias de longo e curto prazo. Mas para manter seu cérebro saudável, você tem que mantê-lo ativo, ou seja, exercitá-lo todos os dias (alguém um dia disse que o cérebro é como um músculo, o que na prática não é verdade, mas como os músculos temos de mantê-lo em atividade todos os dias). E aqui vão algumas dicas para melhorar sua memória e a saúde do seu cérebro:
1. Foco - O maior boost que você pode dar ao seu cérebro quando se trata de memória, é manter o foco, a atenção, o que em teoria é óbvio, já que se não soubermos o que estamos fazendo, não nos lembraremos disso depois. Certifique-se de que sua atenção está completamente voltada para o que você quer aprender ou lembrar (é, estudar pensando na colega de classe ou no XBOX não ajuda em nada!). Evite distrações enquanto estuda ou lê, como TV, e-mails, celulares, internet, facebook! E esta é uma das maiores causas das famosas idas ao quarto ou cozinha e "o que é que eu ia fazer aqui mesmo?" ou "onde eu guardei minha chave?". Você não se lembra provavelmente por que não estava atento ao problema na hora.
2. Descanse - Durma, descanse, relaxe e tenha sua diversão. Ninguém, e nenhum aparelho trabalha cansado. Uma mente cansada não consegue focalizar a atenção, e voltamos ao problema 1. De acordo com a National Sleep Foundation, um adulto deve dormir de 7 a 9 horas por dia.
3. Beba água - Hidratação é importante para que nosso corpos funcionem de forma apropriada, inclusive nossos cérebros. Bebe água, 2 litros por dia, e evite bebidas doces, como refrigerantes.
4. Coma alimentos que nutram seu cérebro - Coma coisas que possuam antioxidantes, como abacate, castanhas, castanha do pará, nozes, frutas vermelhas como mirtilo ou morango, salmão, brócolis, semente de linhaça.
5. Use acrônimos - Quando você tentar memorizar algo, una as iniciais das palavras que você quer lembrar em uma ou mais palavras de fácil memorização, ou seja, um acrônimo. Quem não se lembra da primeira coluna da tabela periódica - Li, Na, K, Rb, Cs, Fr - Linak Roubou César na França?
6. Jogue - Um cérebro ativo é um cérebro feliz (:))). Jogue jogos que o façam pensar, como palavras cruzadas ou Sudoku.
7. Leia ou diga o que quer lembrar em voz alta - O ato de verbalizar o que se quer lembrar faz com que o estímulo (memória) seja recebido por mais de um sentido, o que o fixa mais rigidamente no cérebro.
8. Faça exercícios diários - Isso ajuda a aumentar o fluxo sanguíneo cerebral, o que leva a maior poder da sua caixinha de pensamento (ou seja, poeticamente o cérebro). Faça atividade aeróbica. Estudos mostram que a prática de exercícios aeróbicos leva a uma melhor performance em testes neuropsicológicos.
9. Mastigue chiclete - Estudos mostram que o ato de marcar chiclete auxilia na manutenção da atenção (Por que, ninguém sabe!). E isso ocorre com chicletes com ou sem açúcar. Mas mascar muito chiclete pode dar gastrite, então cuidado e vá com calma.
10. Limite a quantidade de tempo que você passa lendo ou estudando - Tempos curtos, mas concentrados, de estudo são melhores que longos tempos de estudo para a memória. Leia por 15 a 20 minutos, e depois leia novamente o que você leu. Isso ajuda a fixar a memória.
terça-feira, setembro 04, 2012
Quantos neurônios há no nosso cérebro?
Notícia tirada do site do The Guardian e traduzida livremente - leia mais aqui.
Quantos neurônios há no nosso cérebro? A resposta estimada era de 100 bilhões, até há algumas semanas. Mas a resposta parece ser um pouco menos que isso.
De acordo com a pesquisadora brasileira Dra. Suzana Herculano-Houzel, do Rio de Janeiro, ninguém sabia exatamente de onde o número de 100 bilhões havia saído, e como se havia chegado a ele. A pesquisadora chegou a um número mais concreto a partir de um trabalho de pesquisa impressionante. O seu grupo coletou cérebros de cadáveres adultos masculinos com as idades de 50, 41, 54 e 71 anos, e que haviam falecido de doenças não neurológicas. Todos haviam doado seus cérebros para pesquisa. O grupo de pesquisadores transformou o que a Dra. Suzana chama de "sopa de cérebro".
O método envolve dissolver as membranas celulares dentro do cérebro, e criar uma mistura homogênea de todo o conjunto, uma massa. Pega-se então uma amostra desta sopa, conta-se o número de corpos celulares de neurônios (claro que há as outras células não neuronais, as células da glia, descritas em tópico neste blog), e extrapola-se este número para se ter o número completo.
Este método é mais vantajoso que o mais conhecido, ou seja, contar o número de neurônios em uma parte isolada de um cérebro e a partir daí extrapolar o número completo de neurônios (que tem lá seus problemas, já que o número de neurônios não é o mesmo de uma região do cérebro para outra, além de que em algumas regiões cerebrais, os neurônios estão bem mais unidos e agrupados que em outras, dificultando a contagem).
Mas qual é o número? Em média, de acordo com Dra. Suzana, o cérebro humano possui 86 bilhões de neurônios, 14 bilhões a menos do que se pensava. Mas para quem pensa que é uma pequena diferença, 14 bilhões é o número de neurônios que há no cérebro de um babuíno, ou quase metade do número de neurônios do cérebro de um gorila.
Mas então, o que faz nosso cérebro especial? De acordo com a Dra. Suzana, nós temos uma quantidade de células cerebrais muito maior que outras espécies de primatas, o que é energeticamente muito caro para nosso corpo (estima-se que cerca de 20 2 5% de nossa energia total é gasta para manter nosso cérebro funcionando).
Mas, na humilde opinião do escritor deste blog, não é somente o número de neurônios que importa, mas as conexões que eles fazem uns com os outros que nos tornam também quem somos.
Pequeno dicionário de termos médicos - Leucoencefalomalácia
Lá vai mais um palavrão médico - leucoencefalomalácia. Este é um termo comumente achado em laudos de tomografia e ressonância magnética, e na boca dos neurologistas. Mas não é difícil de entender.
Leuco vem do grego, λευκος, ou seja, branco. Encéfalo vem do grego, εγκεφαλος, ou seja, encéfalo. E malácia vem, ufa, do grego μαλακία, que quer dizer debilidade, amolecimento. Ao pé da letra, leucoencefalomalácia quer dizer, tecnicamente, amolecimento do tecido cerebral, tanto de substância branca como cinzenta.
A leucoencefalomalácia nada mais do que do que tecido cerebral danificado, em geral por um derrame (AVC), um trauma cerebral ou outra lesão que leve a cicatrização de tecidos cerebrais. E geralmente nos leva a pensar em lesões antigas, que já ocorreram há bastante tempo. São, portanto, lesões cicatriciais.
Observe abaixo:
| https://encrypted-tbn1.google.com/images?q=tbn:ANd9GcSt9NCZMvNQMG1S6ago3b6LhAKhdljz6TmxMRa6F809x0j1w6fJ |
Este é um cérebro de verdade. No lado direito da figura, há uma região como um buraco que se estende da superfície à profundidade do cérebro. Este é um exemplo de encefalomalácia. Aqui há perda de tecido cerebral.
Na imagem de tomografia, a encefalomalácia aparece como uma região escura, ou seja, de baixa densidade, sendo que os ventrículos, os espaços de líquido normais do cérebro, do mesmo lado podem aparecer maiores, e os sulcos da superfície cerebral podem aparecer mais alargados próximos à área de encefalomalácia.
Observe abaixo um exemplo de encefalomalácia visto em uma tomografia:
![]() |
| http://www.lasse.med.br/mat_didatico/lasse1/textos/eliana01_arquivos/image003.jpg |
Observe os ventrículos do lado direito, á esquerda da figura, pequenos, e os do lado esquerdo, do lado direito da figura, adjacentes à região lesada e bem grandes. Esta lesão ocorreu pode conta de um grande derrame.
Nem todas as áreas de encefalomalácia são grandes, e há pequenas áreas, como a abaixo:
![]() |
| http://www.scielo.br/img/revistas/ramb/v56n4/09f3.jpg |
Na figura da esquerda, há uma área mais escura à direita da figura. Esta área de encefalomalácia, pequena, foi causada por uma lesão pela neurocisticercose (ou o bichinho da carne de porco).
terça-feira, agosto 28, 2012
O que é botulismo?
Recentemente, a mídia divulgou a ocorrência de um surto de botulismo devido a alimentos contaminados com a toxina da bactéria chamada Clostridium botulinum. Mas você sabe o que é botulismo?
Botulismo é uma doença produzida pela toxina da bactéria Clostridium botulinum. Foi descoberta e caracterizada pela primeira vez em 1897, na Bélgica, por Émile Pierre-Marie Van Ermengem, um bacteriologista belga (leia mais aqui). A bactéria, a que nos referiremos a partir de agora somente por CB, é um organismo grande, em forma de bastão, que predomina no solo e na água. Este micro-organismo é capaz de produzir esporos, ou seja, uma forma que resiste às condições do tempo, podendo permanecer vivo mesmo em ambientes inóspitos ou temperaturas altas, até cerca de 120 graus Celsius (a temperatura de ebulição, ou seja, de formação de vapor, da água é de 100 graus Celsius). É um organismo anaeróbio restrito, ou seja, não vive em meio rico em oxigênio, e sob estas condições acaba ficando sob a forma de esporo, inativa.
Abaixo uma figura que fala por si só.
Botulismo é uma doença produzida pela toxina da bactéria Clostridium botulinum. Foi descoberta e caracterizada pela primeira vez em 1897, na Bélgica, por Émile Pierre-Marie Van Ermengem, um bacteriologista belga (leia mais aqui). A bactéria, a que nos referiremos a partir de agora somente por CB, é um organismo grande, em forma de bastão, que predomina no solo e na água. Este micro-organismo é capaz de produzir esporos, ou seja, uma forma que resiste às condições do tempo, podendo permanecer vivo mesmo em ambientes inóspitos ou temperaturas altas, até cerca de 120 graus Celsius (a temperatura de ebulição, ou seja, de formação de vapor, da água é de 100 graus Celsius). É um organismo anaeróbio restrito, ou seja, não vive em meio rico em oxigênio, e sob estas condições acaba ficando sob a forma de esporo, inativa.
Abaixo uma figura que fala por si só.
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| http://notrickszone.com/wp-content/uploads/2011/05/botulism.jpg |
Adquire-se a bactéria CB através da ingestão de alimentos mal conservados ou enlatados/processados de forma inapropriada ou contaminada. Mais raramente a toxina pode contaminar uma pessoa através de feridas abertas contaminadas com a bactéria, como ocorre com o tétano (que aliás é causado por uma bactéria parente da CB, a Clostridium tetani). A bactéria produz uma neurotoxina (uma toxina, ou substância nociva ao corpo, que age no sistema nervoso), a toxina botulínica, isso mesmo, a mesma usada para tratamentos de rugas e doenças neurológicas, mas neste caso em diluições muito, mas muito minúsculas que não fazem mal. Esta toxina é extremamente potente, e doses de 0.05 a 0.1 micrograma (1 micrograma é 1 miligrama dividido por mil) podem ser suficientes para matar uma pessoa.
O botulismo pode ocorrer em crianças abaixo de 1 anos de idade, podendo estar associado ao consumo por elas de mel. Isso mesmo, mel. Sugere-se que não se alimente crianças abaixo de 1 ano de idade com mel, pela ineficácia do trato intestinal da criança até essa idade de lidar com a bactéria caso a ingira (leia mais sobre isso aqui).
Já na circulação, a toxina botulínica, ou BnT, segue em direção às sinapses entre os nervos e os músculos, ou sinapses motoras.
Observe uma sinapse motora abaixo:
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| http://2.bp.blogspot.com/_GEh3VJH3PEo/TGc91D3kd8I/AAAAAAAAAAw/XHRdgThV6kM/s1600/sinapse2.jpg |
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| http://i100.photobucket.com/albums/m32/maxaug/nervoso3.gif |
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| http://128.241.192.41/images/hyperhidrosis004.gif |
Mas o que a BnT faz? A BnT destrói estas vesículas de ancoragem, justamente elas. E estas proteínas demoram para ser restauradas.
Qual o quadro clínico do botulismo?
O botulismo produz paralisia muscular progressiva, de cima para baixo (começando pelo rosto), podendo haver paralisia diafragmática com parada respiratória, e paralisia dos músculos dos braços e pernas. Pode haver também boca seca e diminuição do suor, por que a toxina age também nas glândulas que produzem a saliva e o suor.
Geralmente a doença começa de 2 a 36 horas após a ingestão da toxina. Iniciam-se visão dupla, borramento visual, queda da pálpebra e paralisia facial bilateral. Logo advêm dificuldade para falar (disartria) e para engolir (disfagia). A fraqueza acaba por descer para os membros e em casos severos, para os músculos da respiração. A doença pode ser leve, com sintomas mínimos, ou graves, necessitando de internação em serviço de emergência ou UTI, e intubação (colocação do tubo pela boca para auxiliar na respiração). O paciente permanece ciente e consciente de tudo ao menos que seja sedado.
Outros sintomas como constipação, boca seca, queda de pressão ao ficar em pé (hipotensão postural), alterações urinária como retenção urinária, podem ocorrer. Náuseas, vômitos e diarreia podem ocorrer no começo da doença.
A recuperação é prolongada, podendo durar semanas a meses, mas completa, geralmente sem sequelas. O que ocorre é quer as terminações nervosas inativadas pela toxina necessitam ser repostas por terminações novas, que demandam tempo, além de que as proteínas inativadas também de se ser produzidas de novo.
O diagnóstico é clínico, e geralmente é bastante típico. Mas algumas doenças podem se parecer com o botulismo, como a síndrome de Guillain-Barrè (leia aqui), a miastenia gravis (leia mais aqui), especialmente quando os sintomas são leves, ou uma doença chamada de paralisia pela picada de carrapato, um quadro causado pela picada e permanência de certos tipos de carrapatos na pele.
Mas há exames para o diagnóstico? Sim!
O exame de eletroneuromiografia (saiba mais sobre esse exame aqui) pode demonstrar alterações nos padrões de ativação dos nervos que sugerem, na dependência do quadro clínico e de outros exames, o diagnóstico de botulismo, ou seja, este exame sozinho não dá o diagnóstico.
Deve-se detectar a toxina em amostras de soro do paciente, fezes ou ferida contaminada. Este é o melhor método de diagnóstico, mas é um exame que deve ser feito tão logo o paciente chegue ao hospital com a suspeita diagnóstica.
O tratamento deve ser sempre feito em hospital, podendo haver a necessidade de suporte de UTI, além do uso da antitoxina, uma substância que inativa a toxina ainda em circulação. A toxina já presente nos nervos não pode mais ser inativada pela antitoxina.
Mas o que fazer para evitar o botulismo?
De acordo com o site Brasil Escola:
1. Não adquirir nem ingerir alimentos cuja lata ou tampa se apresentem estufadas ou enferrujadas;
2. Não adquirir nem ingerir alimentos cujo conteúdo líquido se apresente turvo;
3. Não adquirir nem ingerir alimentos cujo vidro se apresente turvo;
4. Só consumir mel de procedência conhecida;
5. Ferver alimentos enlatados antes do consumo, principalmente o palmito, já que este é um dos alimentos mais relacionados aos casos de botulismo (a toxina é destruída à temperatura de 65 a 80º C por 30 minutos; ou à 100 º C por 5 minutos).
Além disso, no site How Stuff Works (leia mais aqui), pode-se conhecer mais como prevenir botulismo por contaminação de feridas:
6. Limpe qualquer ferimento com anti-séptico e verifique se não há sinais de infecção. Como a toxina botulínica cresce apenas na ausência do oxigênio, é muito importante manter as feridas limpas e sem tecido morto. Em caso de dúvida, procure um médico imediatamente.
domingo, agosto 19, 2012
Pequeno dicionário de termos médicos - Neurônio motor inferior
Já vimos o que são neurônios (leia aqui). Vimos que são as células principais do sistema nervoso. Mas eles não existem somente no cérebro, e a medula é cheia de neurônios, localizados na substância cinzenta medular. Os neurônios medulares recebem e transmitem as informações da periferia, repassando as informações de fora do corpo para o cérebro, e de dentro do cérebro para os músculos, a fim de realizarmos os movimentos. Há neurônios motores, sensitivos e presentes em uma porção da medula, chamada de coluna intermédio-lateral, responsáveis pelas funções autonômicas do corpo (leia mais sobre isso aqui).
Observe a medula em um corte horizontal (ou axial, de frente para trás). Na substância cinzenta, os neurônios sensitivos estão na porção mais posterior, ou corno posterior, e os neurônios motores no corno anterior da medula:
| https://encrypted-tbn1.google.com/images?q=tbn:ANd9GcQm24v8UioHAAvzOsZKhRw3L4pnROFMzuZzxY_2dBQi8pII9Qm15Q |
Mais ainda, a substância cinzenta é dividida em lâminas, camadas de grupos neuronais, sendo que cada camada, ou lâmina de Rexed, é responsável por certas funções ou conecta-se a certas fibras que sobem ou descem pela substância branca.
Observe mais abaixo as lâminas de Rexed do lado direito da figura:
![]() |
| http://thebrain.mcgill.ca/flash/a/a_03/a_03_cl/a_03_cl_dou/a_03_cl_dou_1d.jpg |
Do lado esquerdo há alguns grupos de neurônios específicos, sendo os de coloração púrpura sensitivos, os de coloração esverdeada autonômicos, e os de coloração avermelhada motores.
Os grupos de neurônios mais anteriores, localizados no corno ou ponta anterior da medula (os de coloração avermelhada da figura acima) são os que se conectam aos músculos através dos nervos motores. Estes grupos neuronais recebem informações dos neurônios localizados na substância cinzenta do cérebro, o córtex cerebral. Lá localizam-se os chamados primeiros neurônios, ou neurônios motores superiores.
Na medula, há os segundos neurônios, ou neurônios motores inferiores. Destes neurônios saem os nervos motores que vão diretamente para os músculos.
A degeneração lenta destes neurônios pode levar a fraqueza muscular, perda de massa muscular (atrofia) e fasciculações (movimentos de fibras musculares isoladas como teclas de piano sendo tocadas). Entre algumas enfermidades, duas doenças podem causar este tipo de problema:
1. A paralisia infantil, ou poliomielite, uma infecção dos neurônios por um vírus de contágio intestinal, já erradicado no Brasil;
2. A ELA, ou esclerose lateral amiotrófica, sobre a qual falaremos a seguir.
sexta-feira, agosto 17, 2012
Trombose Venosa Cerebral
Artigo escrito pelo neurologista Dr. Diego Zanotti Salarini, e cedido gentilmente para publicação neste blog.
Olá amigos, levante a mão quantas
vezes algum leitor aqui do blog já não pensou que tinha um “aneurisma cerebral”
quando apresentou uma dor de cabeça intensa? Poucos sabem que o aneurisma
cerebral ocorre em 5-10% da população geral e poucos tem sintomas (cerca de
15/100000 habitantes – 0,015% da população). O que poucos sabem que a trombose
venosa cerebral é outra possível causa de dor de cabeça, além de vários outros
sintomas, e é tão importante quanto os aneurismas.
A trombose venosa cerebral (ou
TVC) é uma doença que acomete o sistema de drenagem sanguíneo do encéfalo, as
veias cerebrais e os seios venosos (leia mais aqui).
Primeiramente vamos explorar o
conceito de trombose. Trombose é um mecanismo do nosso organismo que visa a
parada de perdas sanguíneas para fora dos vasos, logo é um mecanismo protetor,
mas com alguns fatores externos (medicamentos, tabagismo, trauma, alterações
genéticas, doenças reumatológicas, etc), ela pode ocorrer espontaneamente em
qualquer parte do organismo onde existam veias – pernas, pulmão, coração,
cérebro, pele, órgãos reprodutivos). Como resultado final plaquetas e hemácias
(os glóbulos vermelhos) ficam aprisionados em uma rede de fibrina (a proteína que facilita a agregação do coágulo) e formam o trombo
(ou coágulo), que pode ter um componente mais rico em plaqueta e fibrina
(trombo branco) ou hemácias (trombo vermelho).
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| http://2.bp.blogspot.com/_zXdWeWj4UFw/SM_gD5GBD9I/AAAAAAAAADA/YRAIJpi2ZTo/s400/trombo+branco.jpg |
Com toda essa explicação e os
posts anteriores conseguimos entender que realmente é uma condição
possivelmente séria. Agora vamos entender o mecanismo dos seus sintomas.
Imagine uma caixa d´água: a água vai enchendo a caixa e a casa vai consumindo a
água, mantendo um mecanismo de equilíbrio nesse processo. Quando o enchimento
fica prejudicado falta água na caixa e a casa fica sem abastecimento
(igualzinho o que ocorre em um AVC isquêmico– se faltar em alguns cômodos – ou um
infarto cardíaco com síncope (leia aqui p que é síncope) – quando falta água na casa toda).
Agora vamos imaginar outro
cenário: o abastecimento está correto porém a saída da caixa está comprometida
(ou o entupimento dos canos ou o cano quebrou), o que irá acontecer? A caixa vai
ter água transbordando, ocorre a maior sujeira no sótão e o bombeiro encanador
vai ser chamado para consertar. Isso é exatamente o que ocorre na TVC, porém
temos um agravante, o crânio é uma caixa fechada e não tem como extravasar o sangue (Leia aqui e aqui),
logo ocorre a primeira manifestação clínica, a Hipertensão Intracraniana.
Com o aumento da pressão intracraniana o cérebro é “espremido” e, como ele é ancorado
nas meninges (leia aqui sobre as meninges),
ocorre seu repuxamento e gera a dor de cabeça característica dessa condição,
piora com o deitar, contínua, progressiva, melhora com o ficar de pé, por toda
a cabeça e de leve a moderada intensidade no seu início.
![]() |
| http://www.jped.com.br/conteudo/99-75-S279/fig01.gif |
A cefaléia é decorrente da
trombose dos seios venosos cerebrais, porém temos outros vasos venosos no
encéfalo, as veias corticais, que drenam o sangue diretamente do córtex
cerebral. Se ocorrer trombose nesses locais o que ocorre é um AVC, dessa forma
outros sintomas possíveis são: fraqueza em um lado do corpo, crises
convulsivas, baixa da capacidade visual.
O diagnóstico é feito através de
uma boa história clinica, explorando bem as características da dor de cabeça e
o exame neurológico, incluindo o exame de fundo de olho que é de extrema
utilidade.
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| http://1.bp.blogspot.com/-sAZFxoHf5I8/TqjK-hXsU-I/AAAAAAAAAk4/4u0H9zCWzJg/s400/papiledema.png |
A figura acima demonstra um caso de papiledema, ou seja, inchaço da retina, alteração no exame de fundo de olho que nos ajuda a
determinar se há ou não aumento da pressão intracraniana
Os exames de tomografia de crânio
e ressonância magnética nos auxiliam no diagnóstico, confirmando a suspeita ou
mostrando outro possível problema. Observe abaixo um caso de um exame de tomografia de crânio demonstrando um caso de trombose venosa cerebral. A seta branca demonstra a veia trombosada, ou seja, preenchida pelo coágulo ou trombo:
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O principal da trombose venosa cerebral é saber que ela é prevenível em muitos casos. E quais as causas prováveis de TVC: |
1. Tabagismo – o fumo libera várias substâncias que nem sabemos enumerar todas e causa lesão do endotélio (o revestimento interno dos vasos sangíneos). Dessa forma desencadeia mecanismos de trombose.
2. Uso
de anticoncepcionais – infelizmente o estrogênio e o progestágeno que existem
nas pílulas podem causar mecanismos de trombose pois eles são fatores que
previne a hemorragia nas mulheres
decorrente da menstruação.
3. Traumas
cranianos
4. Fatores
genéticos – no sangue existe um equilíbrio entre pró-coagulação e
anti-coagulação. Em alguns indivíduos existem mutações em alguma parte desse
sistema que favorece a coagulação ou prejudica a anti-coagulação, dessa forma,
com um mínimo estímulo ou até expontaneamente, desencadeia o processo de
trombose.
5. Doenças
reumatológicas – lúpus, síndrome anti-fosfolípide
6. Câncer
O tratamento das TVC é feito com
anticoagulantes (heparina e cumarínico) e deve ser feito inicialmente em ambiente hospitalar e sob os cuidados de um neurologista.
Esperamos ter ajudado na
descoberta e entendimento dessa doença que é prevenível e tratável. Até mais.
domingo, agosto 12, 2012
Veias do cérebro
Esse post deve anteceder o próximo, Trombose Venosa Cerebral, para que seu entendimento seja completo.
Já vimos que o cérebro possui vasos que levam o sangue do coração para ele, as artérias (leia mais nos tópicos correspondentes do blog). Mas há vasos mais distensíveis, menos resistentes, que levam o sangue de volta para o coração, as veias. E elas são muito importantes por que a obstrução de uma veia ou de um sistema de veias pode causar o que chamamos de trombose venosa cerebral, um quadro grave e que pode levar a aumento da pressão dentro da cabeça, dor de cabeça, e derrames.
Observe abaixo as veias cerebrais:
Observe que as veias podem ser chamadas de seios (na figura acima, no inglês sinus), que são as veias maiores, nas quais desembocam as veias superficiais. As veias cerebrais não são azuis, e esta cor é mundialmente usada para denotar veias em qualquer parte do corpo, assim como o vermelho é usado para as artérias, o verde para os vasos linfáticos, e o amarelo para os nervos.
A veia, ou seio mais importante, é o seio sagital superior, que corre da parte da frente até a parte de trás do cérebro. A confluência dos seios, ou Tórcula de Heróphilo, localizada na parte esquerda baixa da figura, é onde há a união do seio sagital superior, seios transversos, e conjunto de veias e seios profundos, que desembocam no seio reto.
O seio transverso transforma-se em seio sigmoide, que termina na veia jugular interna e que corre para o coração através da grande veia cava superior.
Observe a veia jugular e a veia cava superior:
Observe que nesta figura acima, bem no centro, há um emaranhado de veias e canais venosos, logo atrás do olho, e que configura-se me uma união das veias superficiais, vindas da pele e músculos da face, e das veias profundas. Esta confluência é chamada de Seio Cavernoso, e é muito importante por que juntamente com ele passam vários nervos que vão inervar os músculos dos olhos, além do próprio nervo do olho, o nervo óptico.
Observe abaixo o seio cavernoso:
Esta figura mostra o seio cavernoso cortado de forma coronal, ou seja, de frente. Observe que ele fica na base do crânio, ao lado de nervos importantes como o trigêmeo, do seu lado, e o nervo óptico acima dele.
Observe na figura à direita que várias estruturas em amarelo passam próximas ou dentro do seio cavernoso, como o nervo oculomotor, o nervo troclear e o nervo abducente, além da primeira porção do nervo trigêmeo. Todos estes nervos já foram discutidos em posts anteriores.
Observe também a estrutura em vermelho na figura à direita. Esta é a artéria carótida, que passa dentro do seio cavernoso. A estrutura em forma de sino no meio da figura à direita é a hipófise, estrutura importante na produção de hormônios e manutenção de nosso estado metabólico.
Observe outra figura do seio cavernoso:
Abaixo do seio cavernoso, de cada lado, há o seio esfenoide, um dos seios faciais que podem ficar inflamados na sinusite aguda. A inflamação aguda bacteriana, purulenta, deste seio pode levar a um quadro de inflamação ou trombose deste seio cavernoso, com sintomas como dor de cabeça, vômitos, alterações visuais, olho pulado ou vermelho, e sopro objetivo (que o médico ouve com o estetoscópio) atrás ou por sobre o olho inflamado.
As figuras abaixo demonstram os mesmos seios e as veias superficiais do cérebro em um cérebro de verdade. Os seios e as veias foram injetados com uma solução azulada para melhor visualização, daí eles parecerem azuis. Os nomes estão em inglês.
No próximo post falaremos da trombose venosa cerebral, o que é e quais seus principais sintomas.
Já vimos que o cérebro possui vasos que levam o sangue do coração para ele, as artérias (leia mais nos tópicos correspondentes do blog). Mas há vasos mais distensíveis, menos resistentes, que levam o sangue de volta para o coração, as veias. E elas são muito importantes por que a obstrução de uma veia ou de um sistema de veias pode causar o que chamamos de trombose venosa cerebral, um quadro grave e que pode levar a aumento da pressão dentro da cabeça, dor de cabeça, e derrames.
Observe abaixo as veias cerebrais:
Observe que as veias podem ser chamadas de seios (na figura acima, no inglês sinus), que são as veias maiores, nas quais desembocam as veias superficiais. As veias cerebrais não são azuis, e esta cor é mundialmente usada para denotar veias em qualquer parte do corpo, assim como o vermelho é usado para as artérias, o verde para os vasos linfáticos, e o amarelo para os nervos.
A veia, ou seio mais importante, é o seio sagital superior, que corre da parte da frente até a parte de trás do cérebro. A confluência dos seios, ou Tórcula de Heróphilo, localizada na parte esquerda baixa da figura, é onde há a união do seio sagital superior, seios transversos, e conjunto de veias e seios profundos, que desembocam no seio reto.
O seio transverso transforma-se em seio sigmoide, que termina na veia jugular interna e que corre para o coração através da grande veia cava superior.
Observe a veia jugular e a veia cava superior:
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| http://www.sistemanervoso.com/images/anatomia//dve_11.jpg |
Observe abaixo o seio cavernoso:
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| http://www.google.com.br/url?source=imglanding&ct=img&q=http://home.comcast.net/~wnor/cavernousinus.jpg&sa=X&ei=IXhmUKr2CYeE9QTbvYDYBg&ved=0CAkQ8wc&usg=AFQjCNFp4fofjC6Flm-qxi7CTNba6xzoUA |
Esta figura mostra o seio cavernoso cortado de forma coronal, ou seja, de frente. Observe que ele fica na base do crânio, ao lado de nervos importantes como o trigêmeo, do seu lado, e o nervo óptico acima dele.
Observe na figura à direita que várias estruturas em amarelo passam próximas ou dentro do seio cavernoso, como o nervo oculomotor, o nervo troclear e o nervo abducente, além da primeira porção do nervo trigêmeo. Todos estes nervos já foram discutidos em posts anteriores.
Observe também a estrutura em vermelho na figura à direita. Esta é a artéria carótida, que passa dentro do seio cavernoso. A estrutura em forma de sino no meio da figura à direita é a hipófise, estrutura importante na produção de hormônios e manutenção de nosso estado metabólico.
Observe outra figura do seio cavernoso:
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| http://www.ganfyd.org/images/2/2e/Cavernous_sinus.png |
Abaixo do seio cavernoso, de cada lado, há o seio esfenoide, um dos seios faciais que podem ficar inflamados na sinusite aguda. A inflamação aguda bacteriana, purulenta, deste seio pode levar a um quadro de inflamação ou trombose deste seio cavernoso, com sintomas como dor de cabeça, vômitos, alterações visuais, olho pulado ou vermelho, e sopro objetivo (que o médico ouve com o estetoscópio) atrás ou por sobre o olho inflamado.
As figuras abaixo demonstram os mesmos seios e as veias superficiais do cérebro em um cérebro de verdade. Os seios e as veias foram injetados com uma solução azulada para melhor visualização, daí eles parecerem azuis. Os nomes estão em inglês.
![]() |
| http://www.sistemanervoso.com/images/anatomia//dve_08.jpg |
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| http://www.sistemanervoso.com/images/anatomia//dve_10.jpg |
quarta-feira, agosto 08, 2012
Vamos falar sobre a vitamina D - Introdução
Muito tem sido discutido sobre os potenciais e reais benefícios do 25-2(OH)-colecalciferol ou vitamina D na medicina, e mais ainda na neurologia, inclusive por conta de seus aparentes benefícios na esclerose múltipla dispersos pelos quatro cantos do Brasil através de revistas como Veja e IstoÉ.
Por conta disso, a partir de agora, o blog Neuroinformação trará uma série de posts sobre os usos da vitamina D em neurologia e o que se sabe até agora, com base em artigos publicados na maior base de dados da literatura médica da internet, o Pubmed (veja aqui do que estamos falando).
Aguarde, que muito está sendo preparado.
O que é a imunoglobulina humana e para que serve?
Antes de saber sobre o que é a imunoglobulina humana, ou IgIV (Imunoglobulina IntraVenosa), temos de falar um pouco sobre anticorpos.
O nosso sistema imunológico é formado basicamente por dois sistemas, interligados. O sistema celular e o sistema humoral. O sistema celular compreende as células de defesa, os linfócitos, os macrófagos, e várias outras células que têm como objetivo combater as infecções e corpos estranhos em nosso corpo. Estas células agem através de um mecanismo chamado inflamação, ou seja, a saída de células e mediadores químicos, que chamamos de citocinas, da corrente sanguínea para os tecidos, quando da invasão destes por vírus, bactérias, fungos ou corpos estranhos, como um pedacinho de vidro ou uma farpa de madeira no dedo.
Já o sistema humoral é formado pelas células B ou linfócitos B e plasmócitos, além dos produtos de sua ação, os anticorpos. Anticorpos são substâncias que agem grudando-se ao corpo estranho ou ao micro-organismo invasor, e assim levando à sua destruição através de um processo chamado de opsonização, ou seja, a sua sobre um corpo estranho ativa um sistema chamado de sistema ou cascata do complemento, cuja ação final é a destruição do objeto invasor.
Observe abaixo um anticorpo:
![]() |
| http://www.oocities.org/sssiqueira/anticorpo2.jpg |
Observe que estas moléculas possuem duas partes ligadas por pontes de enxofre (S-S). Eles ligam-se às estruturas invasoras através das cadeias leves, que são variáveis, ou seja, dependem da célula que produz e do objeto para o qual ele está sendo produzido. Nosso sistema imunológico possui memória, a memória imunológica, e há já guardadas nesta memória informações de várias substâncias nocivas e agentes infecciosos que já nos infectaram um dia, sendo que se eles vierem novamente, nosso sistema já sabe como lidar com eles.
Os anticorpos possuem outro nome, imunoglobulinas ou Ig, e dependendo de onde e por quem são produzidos, e também com qual finalidade são produzidos, sua estrutura pode mudar, levando às várias formas de imunoglobulina, ou seja, IgA, IgD, IgE, IgG e IgM. Está fora do contexto deste blog explicar cada forma de imunoglobulina, já que isso foge ao escopo da neurologia. Se quiser saber mais sobre isso, vá aqui.
Bem, mas os anticorpos só fazem o bem? Não! No tópico deste blog sobre doenças autoimunes, falamos de doenças causadas pela própria ação de nosso sistema imune, e os anticorpos podem sim levar a doença quando liberados de forma errada e/ou sobre estruturas próprias do corpo, algo que chamamos de reação cruzada. Quando um micro-organismo nos infecta, e por exemplo uma proteína de sua parede celular se parece com uma proteína de nosso sistema nervoso ou de nossa pele, o sistema imunológico hiperativado pode acabar atacando estas proteínas próprias do nosso corpo, e levar a doenças.
E há várias doenças neurológicas que possuem como mecanismo fisiopatológico a ativação anormal de nosso sistema imune. Já falamos de algumas delas, como a síndrome de Guillain-Barrè, a esclerose múltipla, e outras como a polimiosite, da qual falaremos mais em tópicos posteriores, as encefalites autoimunes e outras doenças.
Há vários mecanismos para explicar seus efeitos, mas os mecanismos precisos são pouco conhecidos. Sabe-se que a IgIV pode funcionar como um anticorpo inibitório, mediando respostas anti-inflamatórias. Fora isso, parece que os anticorpos da medicação podem se ligar aos anticorpos que causam a doença em questão, estimulando sua remoção. Sabe-se que esta medicação não é imunossupressora, ou seja, não suprime ou inativa o sistema imune como o faz certos quimioterápicos usados no tratamento de cânceres, mas é imunomoduladora, modula a resposta imunológica tornando-a mais branda.
A IgIV é formada a partir dos anticorpos retirados do sangue de milhares de doadores, daí o custo da medicação, que é bastante cara mas acessível através de planos e seguros de saúde para as indicações previstas em literatura. O plasma doado é limpo várias vezes em processos de remoção de impurezas. Não há registros de infecções causadas pelo uso de IgIV (segundo artigo publicado por Feasby e colaboradores de 2007 na revista Transfusion Medicine Reviews - leia aqui para os que sabem fala inglês e se interessarem por artigos técnicos). Foi publicado em 2004 pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e disponibilizado na internet gratuitamente, um consenso sobre o uso de IgIV na prática médica, para todas as indicações até aquela época, mesmo as neurológicas (leia aqui).
As doenças neurológicas que podem se beneficiar do uso correto da IgIV são:
1. Encefalopatia Disseminada Aguda (ADEM)
2. Polineuropatia inflamatória desmielinizante crônica (CIDP ou PDIC)
3. Síndrome de Guillain-Barrè
4. Alguns tipos de polineuropatias, doenças do sistema nervoso periférico
5. Dermatomiosite e Polimiosite, doenças inflamatórias dos músculos
6. Algumas formas de neuropatia diabética
7. Síndromes miastênicas, e a crise miastênica, episódio grave que pode ocorrer em alguns pacientes com miastenia gravis
8. Síndrome da pessoa rígida, ou stiff-person syndrome
9. Doenças neurológicas paraneoplásicas (leia no tópico específico deste blog sobre estas doenças)
10. Alguns tipos de encefalites
Há ainda outras indicações que estão sendo estudadas. E como saber se o que você tem pode ser tratado com imunoglobulina humana?
Simples - discuta isso com o seu médico. Ele também lhe informará sobre indicações, contra-indicações (existem contra-indicações que devem ser bem discutidas), doses e efeitos colaterais.
Poesia sobre a ressonância magnética
Artigo escrito e gentilmente cedido ao blog pela escritora, roteirista e professora universitária Ana Lúcia Reboledo Sanches
Ressonância Magnética
(Matando o tempo e mantendo a calma na ressonância de crânio
e cervical!)
Ou você entra e fica
Ou você entra e toca a campanhia
Calma calma
Este teto sob meus olhos
Calma
O teto colado sob meus olhos
Sons sons tuins e toins
Zuuum , rumm, toin, toin toin toin
Pisco vejo preto
Pisco vejo branco
Vejo o teto do aparelho
Branco
Uma experiência concreta
Estar aqui por tanto tempo
Experiência de vanguarda
Futurista
Me aguarda
Corpo preso
Pescoço preso
Pensamentos soltos
Britadeiras gritam
Uma cidade de ruídos
Ta ra rararara popoc popoc popoc
Avisto-o ao longe chegando
Vencendo as picaretas
O cavalo alado de minha infância
Vou embora com ele
Esqueço onde estou
Até a voz me devolver à prisão
“Agora não engole”
E agora? Como não?
Calma, calma.
Dadá
Ismos Vanguardistas
Ninguém sabe do meu cavalo alado
A máquina fatia o cérebro
Mas não escuta o que eu penso
Falta pouco
Mais um pouco
Zummmmmmmmmm
Fim da Ressonância.
Agora, só o ano que vem!
Ana Lúcia Reboledo Sanches.
Memórias de uma guerreira
Artigo escrito e gentilmente cedido ao Blog pela escritora, roteirista e professora universitária Ana Lúcia Reboledo Sanches.
Desde os treze anos, vez ou outra sofria algumas invasões. Em
alguns dias era um certo aperto na cabeça e em outros uma sensação de
flutuação. Em meio às brincadeiras, os jogos esportivos, as peripécias de
adolescente era de súbito invadida por uma tempestade calma de areia. Uma
tempestade que não me tocava, mas me suspendia do chão. É possível haver
“tempestade calma” ou turbilhão em “slow motion”? Assim posso definir a
vertigem que me invadia, mas não me derrubava. Foi preciso passar o tempo e a
esta vertigem outras sensações se somarem para que eu encontrasse uma
explicação, um nome: EM (Esclerose Múltipla). A verdade é que sempre tive
sorte, porque as “invasões” não eram em mim do tipo rasteira, daquelas que
derrubam mesmo, porque em muita gente é
e tenho consciência da dificuldade que isso implica. Mas quem disse que viver é
algo definitivo ou regular? Toda a gente tem bons e maus momentos. Lembro-me de
dizer para meu médico doutor Flavio:- “mas, mas eu pretendia morar sozinha!
Quero fazer tanto ainda!” A resposta que ele me forneceu mudou o medo e desconhecimento que tinha da EM:” -Vá morar
sozinha, vá fazer suas coisas, vá viver! Tem gente com dor no dedo gritando e
tem gente sem pernas ganhando medalhas! “ Em dois meses estava morando em meu
atual apartamento e trabalhando normalmente. Procuro pensar que na vida
sofremos constantes invasões. Podem ser de privacidade, de autoridade, de
doenças, de tristezas e imprevistos, mas
também são de alegrias e boas surpresas. A EM é apenas mais uma invasão e que
tem me feito refletir ritmos e sonhos
que valham à pena. O bom da vida é tentarmos desenvolver capacidade de dividir
felicidade e receber felicidade. O que não quer dizer que não possamos nos
sentir tristes ou desanimados vez ou outra. Tem dias em que não quero levantar
da cama, mas quem não tem dias assim? Nada é definitivo ou regular! Acometer e
ser acometido de alegria nos faz viver bem, com ou sem Esclerose Múltipla.
Ana Lúcia Reboledo Sanches
segunda-feira, agosto 06, 2012
O sono e o seu cérebro
Notícia tirada do site da revista Superinteressante:
A falta ou privação de sono leva às suas consequências, como perda de reflexos, cansaço, perda de memória, lentidão de pensamento e muitas vezes confusão mental. O que ocorre é um aumento na atividade cerebral, mas de forma prejudicial.
Um estudo feito na Universidade de Milão, Itália, e publicado em uma revista de alto impacto, a Cerebral Cortex, demonstra que o cérebro vai ficando mais ativo, mais sensível a estímulos e mais alerta à medida que o tempo de insônia aumenta.
O estudo, que utilizou voluntários humanos que ficaram sem dormir por 8, 12 e 32 horas, usou uma técnica recentemente introduzida na prática clínica, a estimulação magnética transcraniana, para estudar o comportamento dos neurônios. O estímulo magnético, elétrico, nos neurônios privados de sono demonstrou que as células respondiam de forma agitada às descargas elétricas, com picos mais fortes e imediatos.
Isso tem relação com a epilepsia, doença onde há aumento das descargas neuronais de forma anormal, patológica. Há muito tempo que se sabe que epilépticos ficam mais propensos a crises convulsivas se forem privados de sono, mesmo sob tratamento medicamentoso.
Já pacientes que apresentam depressão severa, segundo o artigo, por terem atividade cerebral abaixo do normal, podem ter ligeira e temporária melhora do desempenho cognitivo se ficarem sem dormir (não faça isso a menos que o seu médico o aconselhe a tal).
O porquê disso deve-se, provavelmente, ao fato de que na vigília, os neurônios estão sempre em atividade, formando novas ligações neuronais, as sinapses. Quanto mais tempo passamos sem dormir, ou seja, acordados, mais sinapses são formadas. Mas muitas destas sinapses são irrelevantes, e acabam por serem destruídas. O sono, entre tantas funções, parece ajudar a passar uma borracha nas sinapses desnecessárias e a lapidar as necessárias, impedindo, entre outras coisas, sobrecargas neuronais. É por isso que é difícil aprender ou memorizar coisas novas quando estamos sonolentos, pois para isso formamos novas sinapses, que devem ser consolidadas durante o sono. E se o sono não vem, daí... você já sabe.
A falta ou privação de sono leva às suas consequências, como perda de reflexos, cansaço, perda de memória, lentidão de pensamento e muitas vezes confusão mental. O que ocorre é um aumento na atividade cerebral, mas de forma prejudicial.
Um estudo feito na Universidade de Milão, Itália, e publicado em uma revista de alto impacto, a Cerebral Cortex, demonstra que o cérebro vai ficando mais ativo, mais sensível a estímulos e mais alerta à medida que o tempo de insônia aumenta.
O estudo, que utilizou voluntários humanos que ficaram sem dormir por 8, 12 e 32 horas, usou uma técnica recentemente introduzida na prática clínica, a estimulação magnética transcraniana, para estudar o comportamento dos neurônios. O estímulo magnético, elétrico, nos neurônios privados de sono demonstrou que as células respondiam de forma agitada às descargas elétricas, com picos mais fortes e imediatos.
Isso tem relação com a epilepsia, doença onde há aumento das descargas neuronais de forma anormal, patológica. Há muito tempo que se sabe que epilépticos ficam mais propensos a crises convulsivas se forem privados de sono, mesmo sob tratamento medicamentoso.
Já pacientes que apresentam depressão severa, segundo o artigo, por terem atividade cerebral abaixo do normal, podem ter ligeira e temporária melhora do desempenho cognitivo se ficarem sem dormir (não faça isso a menos que o seu médico o aconselhe a tal).
O porquê disso deve-se, provavelmente, ao fato de que na vigília, os neurônios estão sempre em atividade, formando novas ligações neuronais, as sinapses. Quanto mais tempo passamos sem dormir, ou seja, acordados, mais sinapses são formadas. Mas muitas destas sinapses são irrelevantes, e acabam por serem destruídas. O sono, entre tantas funções, parece ajudar a passar uma borracha nas sinapses desnecessárias e a lapidar as necessárias, impedindo, entre outras coisas, sobrecargas neuronais. É por isso que é difícil aprender ou memorizar coisas novas quando estamos sonolentos, pois para isso formamos novas sinapses, que devem ser consolidadas durante o sono. E se o sono não vem, daí... você já sabe.
Você está em risco de ter um derrame (AVC)?
Notícia tirada do site Meddy Bear, do Facebook.
Tradução:
Você está em risco de ter um AVC?
Você tem pressão alta? Colesterol elevado? Diabetes? Excesso de peso? Problemas de coração? História familiar de derrame ou aneurisma cerebral? Você fuma?
Todos estes fatores o colocam em risco de ter um derrame.
O derrame ocorre quando há doença da circulação sanguínea cerebral, ou por um vaso obstruído (AVC isquêmico) ou por uma ruptura vascular (AVC hemorrágico). A falta resultante de oxigênio às células cerebrais prejudica a função cerebral. AVC é a terceira causa mais importante de morte nos EUA, e uma das mais 3 importantes no Brasil. Cerca de 160,000 AVC's dos 600,000 anuais dos EUA levam à morte. Atualmente, há 4 milhões de sobreviventes de AVC só nos EUA, muitos dos quais com incapacidades significantes.
Lembre-se:
Trate ou evite pressão alta, diabetes e colesterol elevado.
Pare de fumar
Faça atividades físicas regulares orientadas pelo seu médico
Vá ao médico pelo menos 1 vez por ano para check-up, ou quando ele lhe solicitar
Pare de beber álcool ou excesso.
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Tradução:
Você está em risco de ter um AVC?
Você tem pressão alta? Colesterol elevado? Diabetes? Excesso de peso? Problemas de coração? História familiar de derrame ou aneurisma cerebral? Você fuma?
Todos estes fatores o colocam em risco de ter um derrame.
O derrame ocorre quando há doença da circulação sanguínea cerebral, ou por um vaso obstruído (AVC isquêmico) ou por uma ruptura vascular (AVC hemorrágico). A falta resultante de oxigênio às células cerebrais prejudica a função cerebral. AVC é a terceira causa mais importante de morte nos EUA, e uma das mais 3 importantes no Brasil. Cerca de 160,000 AVC's dos 600,000 anuais dos EUA levam à morte. Atualmente, há 4 milhões de sobreviventes de AVC só nos EUA, muitos dos quais com incapacidades significantes.
Lembre-se:
Trate ou evite pressão alta, diabetes e colesterol elevado.
Pare de fumar
Faça atividades físicas regulares orientadas pelo seu médico
Vá ao médico pelo menos 1 vez por ano para check-up, ou quando ele lhe solicitar
Pare de beber álcool ou excesso.
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