sexta-feira, abril 22, 2011

Síndrome do túnel do carpo

Você já acordou à noite com dormência/formigamento ou fraqueza em uma ou ambas as mãos, com melhora após balançar as mãos algumas vezes? Se já, isso é bastante desagradável, não é mesmo? Pois bem, você pode estar com a síndrome do túnel do carpo (STC). Esta é uma mononeuropatia, ou seja, a lesão de um nervo único em algum lugar do corpo, nesse caso na mão ou no antebraço, o nervo mediano.

Lá vai uma figura do nervo mediano no punho:



Essa figura vem desse site aqui: http://estudiopilatesacquafit.blogspot.com/2011/01/sindrome-do-tunel-do-carpo-e-importante.html
Pois bem, observe que o nervo, esta estrutura amarela no punho, pode ser comprimida entre os dois ossos do antebraço, rádio e ulna, e os ossos da mão, e os tendões dos vários músculos que correm por ali. Mais uma figura:

Essa figura veio desse site:












 http://vinhetas.drauziovarella.com.br/entrevistas/carpo1.asp

Em algumas situações, como nas pessoas que digitam muito, que fazem trabalhso manuais, que escrevem muito, ou em pacientes com algumas doenças como diabetes ou hipotireoidismo (queda da função da tireóide), pode haver inflamação e inchaço (edema) do nervo e das estruturas ao redor, levando à compressão do nervo mediano e aos sintomas ditos acima que isso ocasiona.

Mais uma figura:


Síndrome do Túnel do Carpo Bilateral com Liberação Cirúrgica
Que veio desse site aqui: http://google.nucleusinc.com/generateexhibit.php?ID=27577&A=1090
O tratamento dessa doença, quando os sintomas são moderados a graves, é cirúrgico, aliás uma cirurgia benigna e rápida, pois assim impede-se a piora e mesmo a perda de função da mão. Muitas vezes os sintomas são leves, e basta uma tala fixa de punho para dormir para diminuir a compressão do nervo e alentecer a evolução da doença.

sindrome do tunel do carpo5

Essa figura da tala fixa de punho veio desse site: http://lucianefigueira.wordpress.com/2009/06/18/sindrome-do-tunel-do-carpo/sindrome-do-tunel-do-carpo5/


O uso de anti-inflamatórios pela boca ou locais por injeção também pode ser feito.

Uma coisa interessante: A STC pode ser o primeiro sintoma de diabetes ou de hipotireoidismo. Logo, se você estiver sentindo coisas parecidas com as descritas acima, procure um médico urgente.

Visão dupla (diplopia)

Diplopia ou visão dupla significa exatamente isso: Você acaba vendo duas coisas quando na verdade só há uma coisa ali. Não, você não está vendo coisas ou ficando lelé. Isso pode ser sinal de alguma doença neurológica.

O olho é uma estrutura complexa. É uma esfera presa à órbita por tecidos moles (gordura e vasos/nervos), pelo nervo óptico que sai do olho e vai direto ao cérebro, e que é o responsável por levar as informações do olho para o cérebro (ou seja, é por meio deste nervo que você enxerga) e pelos músculos extra-oculares, músculos que se parecem em estrutura com os outros músculos do corpo, e que movimentam o olho.

Lá vai uma figura do olho (gosto de mostrar figuras, pois acredito que torna o aprendizado mais fácil):

http://www.miracleintheeye.com/images_miracle_eye/eye_muscle_3.jpg

Note o olho na órbita (cavidade óssea abaixo da fronte), e estas estruturas marrom-avermelhadas saindo lá de trás à esquerda e se inserindo no olho são os músculos extra-oculares.

Há os seguintes pares de músculos (há um de cada lado). As funções de cada um serão citadas brevemente:
1. Reto superior - Eleva o olho
2. Reto inferior - Abaixa o olho
3. Reto medial - Leva o olho para perto do nariz
4. Reto lateral - Leva o olho para longe do nariz
5. Oblíquo superior - Abaixa o olho quando ele está próximo ao nariz
6. Oblíquor inferior - Eleva o olho quando ele está próximo ao nariz

Pois bem, lá vai outra imagem destes pequenos músculos:

http://catalog.nucleusinc.com/imagescooked/28509W.jpg

Essa figura é ainda melhor, por que mostra a função dos músculos.
E o que é diplopia? Diplopia é quando um destes músculos não está funcionando direito, ou está funcionando demais. Vamos explicar de outro jeito:

O olho é uma câmera, como uma máquina fotográfica, mas bem melhor que uma máquina. O olho consegue captar várias coisas, mas para que isso ocorra, os dois olhos têm que estar funcionando do mesmo jeito e na mesma direção. A imagem que entra nos olhos cai na retina para ser levada ao cérebro. Retina é a camada do olho que se comunica com o cérebro, e é composta de células nervosas (neurônios) e nervos. Esta é a retina:



Bem, observe que a retina é grande, se extende por grande distância dentro do olho. Então, para a imagem ficar bonita, nítida, ela tem que cair na mesma posição em cada retina, ou seja, o mesmo local da retina de cada lado tem de ver aquela imagem, senão o cérebro vai entender que são duas imagens diferentes, pois uma cai em um lado da retina, e a outra cai em outro lado. Entendeu? Se isso não ocorrer, ou seja, se os olhos ficarem desviados um do outro, ocorre a diplopia.

Muitas crianças nascem com estrabismo, ou seja, são vesgas. Então, por que elas não apresentam diplopia? Por que o cérebro delas aprendeu a ver daquele jeito, foi treinado daquele jeito, e vê o mundo daquele jeito. Mas se um estrabismo se desenvolve na vida adulta, aí é outra história. É como se algo que nunca foi mexido, e sempre foi daquele jeito, de repente sofre uma reviravolta. Claro que tudo será diferente dali em diante.

E quais são as causas de diplopia? São preocupantes?

Bem, podemos citar:
1. Uso de medicações - Remédios para dormir, para alergia, para crises convulsivas, quando usados pela primeira vez ou em doses altas podem causar visão dupla. Mas se você tiver esse sintoma, procure um médico antes de dizer que a culpa é a medicação!
2. Derrames - São a causa mais perigosa de diplopia, e devem ser procurados quando a visão dupla vem com mais alguma coisa, como alterações da fala, fraqueza ou perda de sensibilidade, ou mesmo quando só há a visão dupla mesmo e mais nada.
3. Intoxicações - Algumas substâncias podem causar visão dupla, como arsênico. Infecções como o botulismo podem causar visão dupla. Veneno de cobra coral e cascavel também.
4. Doenças musculares  - A miastenia gravis, da qual falaremos um pouco em tópicos à frente, pode causar visão dupla.
5. Doenças does nervos (neuropatias) - Também podem causar, como a polirradiculoneuropatia aguda (da qual já falamos) ou crônica.
6. Esclerose múltipla - Falaremos desta doença mais tarde também, mas é causa de visão dupla também.
7. Outras doenças mais raras.

Ou seja, teve visão dupla, vá imediatamente a um médico!

Paralisia facial

Quem já teve paralisia facial? É incômodo, não é mesmo? Mas na maior parte dos casos, é benigna.

Muito bem, nosso rosto é composto de várias estruturas, e uma delas é um nervo chamado de nervo facial. Nervos são estruturas que saem do sistema nervoso e como ligações elétricas mantém os músculos, a pele, a sensibilidade, as glândulas funcionando.

Vamos ver uma figura do nervo facial:

http://www.sistemanervoso.com/images/anatomia/ncm_39.jpg

E não se assustem com a figura. Bem, os fios amarelos andando pelo rosto são o nervo facial. São muitos, mas muitos músculos mesmo que este nervo inerva. E ele passa por dentro de um canal muito, mas muito estreito e todo feito de osso antes de desembocar no rosto logo abaixo de sua orelha.

Sabe-se que toda vez que uma estrutura, um órgão, etc..., no corpo é lesado ou traumatizado, ele inflama, e inflamação quer dizer inchaço. Sua pele incha e inflama quando você se fere ou quebra algum osso, não é mesmo? Pois é, o nervo facial, se lesado, também incha. E ele passa, como dissemos, por um canal estreito e duro, rígido. Pois bem, imagine o nervo aumentado por uma lesão ou uma inflamação. Ele não tem para onde correr, por que ele não pode sair do canal onde ele fica. Logo, uma inflamação no nervo facial acaba por lesar o nervo ainda mais.

Observe por onde o nervo facial passa. Ele passa junto com o tímpano no ouvido, lá dentro dele.

http://www.anatomyatlases.org/atlasofanatomy/plate30/images/30-4_static.jpg

Bem, figura complicada esta não, mas vamos explicá-la. Esse osso grosso, cheio de buracos no lado direito da figura é a mastoide, o osso logo atrás de sua orelha. Está sentindo uma protuberância atrás de sua orelha bem rígida? Pois é, é esse osso aí. Esse nervo (O frio grosso em amarelo logo à direita, o mais grosso de todos) é o nervo facial. E ele não está solto assim, só está assim para você ver. Na verdade, ele está todo encoberto por osso. Mas por que diabos eu estou falando tudo isso para você? Agora vamos entender tudo.

A paralisia facial é provavelmente causada por um vírus, talvez (e eu disse, talvez), o mesmo víris que dá aquelas lesões nos lábios, o herpes tipo 1. Quando o vírus acomete o nervo, ele o leva à inflamação. Inflamado, e preso no seu canal, o nervo para de funcionar direito, e ocorre o que você percebe no seu rosto. Paralisia de todo um lado do rosto, que pode ser maior em cima ou embaixo, dificuldade de fechar um dos olhos, de fazer careta com um dos lados do rosto, de assobiar, de assoprar, de mastigar, às vezes com comida ou saliva saindo do canto paralisado da boca. Entendeu o porquê de toda essa ladainha anatômica?

Bem, e se você tiver isso, o que você deve fazer? Em primeiro lugar, a paralisia facial (chamada de paralisia de Bell quando sem causa conhecida, como os casos supostamente causados por vírus) é comum, e pode ocorrer várias vezes em uma mesma pessoa, mudando de lado, mas geralmente ocorre uma só vez. Em segundo lugar, você pode sentir uma dor ou dormência atrás da orelha do mesmo lado afetado antes de perceber a paralisia. Em terceiro lugar, há outras doenças que podem se manifestar como paralisia facial, como derrames, especialmente se você obervar paralisia do lado contrário do corpo (o rosto todo paralisou à direita, a fala está empastada, e o lado esquerdo do corpo está fraco também).

A primeira coisa a fazer é manter a calma, e ir imediatamente a um médico. Não espere passar, pois isso pode atrasar o tratamento. Sabendo-se que o nervo facial está preso em um túnel estreito e rígido (olha a importância de saber anatomia de novo, aí) e que ele está inflamado, quanto mais rápido a inflamar acabar melhor, não é mesmo? Logo, atrasar a ida a um médico só piora a situação. Depois de o examinar, o médico vai tirar suas conclusões. Se for paralisia facial de Bell mesmo (ou seja, se não for alguma outra doença), o tratamento vai envolver anti-inflamatórios que só o médico vai saber prescrever (não adianta ir a farmácias e comprar um, você vai estar gastando dinheiro em vão) e proteção do olçho acometido.

Proteção do olho??? O que o olho tem a ver com isso? Ora, na paralisia facial, você não consegue fechar o olho direito, e ele fica exposto a agressores do ambiente, podendo levar a inflamações, infecções ou mesmo lesões mais sérias do olho. Logo, uma proteção ocular com colírios e proteção física com gaze e micropore/gaze toda vez que você se expuser a ventos, poeira ou ao dormir, tem de ser feita, e é muito, mas muito importante.

Algumas vezes, mesmo fazendo todo o tratamento correto, a paralisia não volta. São casos raros, mas podem ocorrer. O mais comum é a paralisia recuperar totalmente em dias a semanas. Um exame chamado de eletroneuromiografia pode ser feito para verificar o tamanho da lesão do nervo, na dependência do seu médico. Um exame de imagem nos casos em que a paralisia não voltar ou demorar para voltar, como uma ressonância magnética da cabeça, pode também ser feito, mas é seu médico quem vai decidir isso. E fisioterapia deve ser feito nos casos mais graves, que não obtiverem melhora, mas deve-se aguardar algumas semanas para iniciá-la. Tudo isso, o seu médico saberá lhe informar.

Mas doutor, eu observei que junto com a paralisia apareceram lesões como bolhas com crostas na minha orelha do mesmo lado da paralisia, e com dor. O que é isso? Opa, isso pode ser mais grave. Essas lesões podem ser manifestação de uma doença chama de Herpes Zoster (que os antigos chamavam de cobreiro), e que dá lesões em um só lado do corpo, geralmente no tronco ou na barriga, mas que pode ocorrer em um braço ou uma perna. Essa doença é uma reativação da catapora (é isso mesmo, quando você pega catapora, chamada de varicela tecnicamente, o vírus não morre totalmente nem vai embora, mas fica silencioso, dormindo nos seus nervos. Perda da imunidade, doenças crônicas, AIDS, envelhecimento, ou sem causa alguma, o vírus pode voltar como essas lesões que podem acometer a orelha, e neste caso, chamamos de Herpes Oticus), e seu tratamento difere um pouco pois, nestes casos, além de internação ser aconselhada, também deve ser feito o uso de medicações pela veia contra o vírus. Nestes casos, a ida ao médico é ainda mais urgente.

Não quero alarmar ninguém, mas quero fazer o paciente entender seu corpo e o que pode causar-lhe problemas, pois se o paciente souber ajudar o médico fornecendo-lhe as informações corretas e fazendo o tratamento indicado, mais cedo o paciente se recupera, e melhor ele vive.

quinta-feira, abril 21, 2011

Alguém já ouviu falar de síndrome de Guillain-Barré?



Síndrome de Guillain-Barré (a partir de agora, iremos nos referir a esta doença com a sigla SGB), que nome difícil. Tão difícil, que parece um insulto. Mas na verdade, esta doença, também chamada por outro nome difícil, polirradiculoneuropatia inflamatória aguda, é uma das causas mais comuns de incapacidade em pacientes jovens, e muitas vezes sem doenças prévias.

Bem, vamos ao básico para você entender e não se complicar:

Já falamos que o sistema nervoso é composto de duas partes básicas - o central (cérebro, tronco cerebral e medula), e o periférico (nervos, raízes destes nervos, e músculos). Pois é, a SGB afeta esta última parte, os nervos e raízes. 

Aqui você vê o sistema nervoso central. O cérebro lá em cima, em forma de um capacete. O tronco cerebral (mesencéfalo, ponte e bulbo) liga o cérebro à medula, que vem logo embaixo, como um bastão. É da medula que saem os nervos, que ligam o cérebro à periferia do corpo, seus braços, pernas, pescoço, tronco. etc...

http://www.webciencia.com/11_29snp.jpg
Bem, e o sistema nervoso periférico é esse aqui ao lado.

Os feixezinhos em amarelo saindo da medula são os nervos. Eles saem da medula na forma de raízes, formam plexos que originam nervos, que vão os músculos, glândulas, etc...

E há vários tipos de nervos. Nervos motores puros, que só servem para fazer um músculo se mexer, nervos sensitivos puros, que só servem para transmitir a sensibilidade ao cérebro vinda da periferia (dor, tato, posição do corpo no espaço, etc...), e nervos mistos, que funcionam com as duas funções (são os mais comuns) e que ainda carregam nervos que fazem agir uma glândula, ajudam a fazer funcionar o coração, os intestinos, a bexiga, etc... (nervos autonômicos). Mais ainda, há uma capa chamada de mielina que encobre alguns nervos, ditos mielinizados (os mais grossos, e que transmitem informação a grandes velocidades, diferente dos sem essa capa, chamados de não mielinizados, de condução mais lenta, e de informação menos precisa). E olha um nervo aí:



Os axônios são o corpo do nervo. O gânglio é onde ficam as cabeças, os neurônios, de onde saem os axônios. E eles estão separados uns dos outros e protegidos pela mielina, que ajuda na condução rápida do nervo.

Pois bem, quando ocorre uma inflamação, e esta inflamação atinge as raízes e os nervos (esses aí de cima), levando a fraqueza nos quatro membros (o que chamamos de tetraparesia), perda de reflexos (reflexos são aquelas reações engraçadas que temos quando o neurologista bate com o martelo na nossa perna ou no nosso braço, e o braço ou a perna mexem sós, sabe?), formigamentos nas pernas ou nos braços, chamamos de polirradiculoneuropatia aguda, ou SGB.

E essa doença tem cura? Sim! Tem, para os que acham que neurologia cuida somente de doenças sem cura, essa tem! E não é difícil. A doença é rápida, e o tratamento também tem de ser. Então, caso você ou alguém conhecido apresente estes sintomas de fraqueza nos quatro membros (a fraqueza geralmente começa nas pernas e vai subindo para os braços, e mais raramente para o rosto), formigamentos sem perda de sensibilidade (há só a dormência, mas a sensibilidade à dor ou ao tato estão ok), ou fraqueza no rosto, deve ir imediatamente a um pronto-socorro, pois pode ser SGB (mas podem ser outras coisas também, e só o médico saberá dizer o que é).

O tratamento é feito à base de uma medicação chamada de imunoglobulina humana (anticorpos humanos) ou uma forma de diálise chamada de plasmaférese. Geralmente a doença para de evoluir em 2 a 4 semanas, e regride em semanas. Casos raros ocorrem em que a doença não para de progredir, ou re-aparece. A estes casos, raros, chamamos de polirradiculoneuropatia inflamatória crônica. Falaremos dela em outros tópicos.

Quais as possíveis consequências do diabetes no sistema nervoso?

O diabetes é uma doença conhecida por todos, e envolve, na sua forma mais comum, o tipo 2, aumento da glicose no sangue por conta da incapacidade das células do corpo de absorver e manusear a glicose (intolerância a glicose). Sua causa mais comum é a obesidade central (a famosa barriga).

O diabetes tem várias consequências ao corpo, e as neurológicas são bastante devastadoras.
Entre elas, podemos citar:

1. Derrame - O diabetes é uma das causas mais comuns de derrames juntamente com a pressão alta.

2. Neuropatia periférica - Se você é diabético, já deve ter sentido aquelas sensações de formigamento, choques, dores como alfinetadas ou queimação nas pernas e pés - pois é, esses são sintomas do acometimento dos nervos das pernas pelo diabetes, cuja tendência, caso a diabetes não seja controlada, é a piora progressiva.

3. Epilepsia - Sim, e vou explicar como. Diabetes leva a derrames, e derrames podem levar a crises convulsivas, e por conseguinte, epilepsia.

4. Perda visual - O diabetes tanto pode causar perda de visão por doença da retina, como por um coágulo que se desprende dos vasos do pescoço e vai para os olhos (embolia), o mesmo mecanismo que leva aos derrames.

5. Desmaios - O diabetes pode levar a doença da carótida, o vaso do pescoço e um dos que vão para a cabeça, e placas neste vaso podem levar a dificuldade de o corpo reconhecer quando a pessa está de pé ou deitada (o corpo faz isso também por meio de receptores na carótida, que sente mudanças na pressão sanguínea). Se estes receptores não sentem estas modificações direito por conta de placas, pode haver desmaio quando deitado se levanta rápido, por que a pressão não consegue aumentar a tempo. Este é um dos mecanismos de desmaio (síncope) em idosos e diabéticos.

Voltaremos a falar de diabetes depois.

segunda-feira, abril 18, 2011

Neuropatias periféricas

O sistema nervoso é composto basicamente de duas partes, o sistema nervoso central, composto de cérebro, tronco cerebral e medula espinhal, e o periférico, composto dos nervos periféricos que saem da medula e músculos.
Neuropatias periféricas são as doenças que acometem justamente as ramificações da medula que ligam a medula e o cérebro às estruturas do corpo, os nervos. Várias são as causas de neuropatias, e vários são os tipos. Mas quais são os sintomas, o que eu posso sentir caso venha a ter uma neuropatia?
1. Geralmente os sintomas são lentos, ou seja, se desenvolvem em semanas a meses. Algumas formas se desenvolvem em horas a dias, como as polirradiculoneuropatias, que acometem a parte mais próxima à medula (as raízes dos nervos) e os nervos, como a síndrome de Guillain-Barré, que dá uma paralisia que sobe das pernas para os braços, em horas a dias.
2. Fraquezas em braços e pernas, ou em mãos e pés, com atrofia (perda da massa muscular) ou diminuição do tônus (membros ficam mais moles).
3. Dormências, formigamentos em localizações específicas do corpo, como territórios de nervos (por acaso, você já dormiu sobre o braço e acordou com a parte de dentro do braço dormindo? Ou acordou à noite e a mão toda estava dormindo? Ou saiu de uma posição sentada, em que você estava cruzando uma perna sobre a outra, e uma parte do dorso do pé parecia dormindo? Ou fraco? Pois é, você produziu uma neuropatia periférica transitória por compressão, as forma mais comuns de neuropatia)


Toda vez que você sentir algo igual que não melhorar em horas (não espere muito), vá imediatamente ao hospital. Pode ser uma neuropatia, e como disse antes, há várias causas.

sábado, abril 09, 2011

Perda visual súbita

Esse assunto compete mais ao oftalmologista, mas nós, neurologistas, não raro atendemos pacientes com perda súbita de visão.

A perda visual é dramática, pois acomete um dos sentidos mais importantes do corpo, justamente a visão. Fora isso, são várias as causas, muitas tratáveis e mesmo curáveis, sendo que o reconhecimento precoce da causa auxilia em evitar a cegueira em muitas situações.

Entre as causas oftalmológicas, as mais importantes são o glaucoma (pressão ocular aumentada), o descolamento de retina (mais comum pós-trauma e em diabéticos) e a catarata (que se desenvolve mais devagar que as outras causas), mas doenças da córnea, e da parte de trás do olho (uveíte) também ocorrem.

Entre as causas neurológicas, citam-se:
1. A isquemia retiniana, ou AVC retiniano, causado por deslocamento de um coágulo de um vaso do pescoço (carótida) para o olho, e é o equivalente ocular do derrame cerebral. Causa perda súbita e indolor da visão.
2. A NOIA (Neuropatia óptica isquêmica anterior), que causa perda visual súbita e indolor, também, e geralmente se manifesta como perda visual como uma cortina descendo ou subindo nos olhos, podendo haver perda transitória da visão com mudanças de postura da cabeça ou do corpo. Ocorre mais em pacientes idosos.
3. A neurite óptica, pode dar uma perda visual súbita ou progressiva dolorosa, geralmete de um olho só, mas raramente pode acometer os dois olhos, e é mais comum em pacientes jovens
4. Derrames da parte de trás do cérebro dão perda de visão indolor, súbita, mas que pode passar despercebida, ao menos que haja outros sintomas, como confusão mental, perda de força ou formigamentos.
5. Aneurismas cerebrais podem levar a perda de visão gradual devido a compressão do nervo que sai do olho (nervo óptico).
6. Déficit de vitaminas pode levar a perda visual indolor gradual também. Quem fez cirurgia bariátrica (de redução do peso) deve verificar como estão seus níveis de vitaminas e de cobre no sangue periodicamente com o médico que os operou, para evitar complicações neurológicas da falta de vitaminas.

Há várias causas para perda visual. Se esta ocorre, deve ser investigada imediatamente, para poder-se tratar, e mesmo curar o problema.

quarta-feira, abril 06, 2011

Tremores

Tremores são movimentos de oscilação, ou seja, um membro, o pescoço, a mandíbula, ou outra parte do corpo, oscila de forma alternada (como nos braços, onde o tremor pode girar de um lado para outro).

Quando se pensa em tremor, sempre vem à cabeça doença de Parkinson, não é mesmo? Mas na verdade, esta doença é só uma das várias causas de tremor. De fato, o tremor mais comum é uma forma geralmente hereditária (o que significa que deve haver mais pessoas da sua família afetadas, ou você terá pessoas afetadas, como filhos ou sobrinhos) denominada de tremor essencial. É um tremor que aparece geralmente na adolescência ou no começo da vida adulta, dos dois lados, geralmente mais nos braços, pode acometer a cabeça, não é perigoso, e de fato a progressão é lenta e benigna. Piora quando se segura algo, ao se escrever, quando sob estresse, e melhor, entre outras coisas, quando se está em repouso ou quando dormindo.

O tremor da doença de Parkinson geralmente é de repouso, ou seja, aparece quando o membro (geralmente o braço, mas pode ser a perna também) fica sem mexer, como quando se está sentado, ou andando. O tremor é mais grosseiro, menos frequente que o essencial, começa mais de um lado e acaba indo para o outro em meses a anos.

Outras formas de tremor podem existir. Quando você está segurando algo pesado com um braço só numa posição incômoda, seu braço pode tremer. Quando se está com frio, você treme também, mas o corpo todo. O tremor pode aparecer quando sob estresse ou ansiedade, quando se toma muito café ou guaraná, sob efeito do álcool, ou em doenças sistêmicas como o hipertireoidismo (quando a tireóide fica muito ativa).

Se você tem algum tipo de tremor, vá ao neurologista e discuta as possíveis causas com ele.

sábado, abril 02, 2011

Esclerose múltipla

Esclerose múltipla (EM) é uma doença descrita há mais de 100 anos, e ainda hoje é um mistério. Geralmente começa de forma súbita, com perda de força em algum dos membros, ou perda de força nas pernas, ou dificuldade para falar, ou perda visual, ou perda de sensibilidade em algum membro. Costuma acometer mais pessoas jovens, apesar de pessoas mais velhas e mesmo crianças raramente poderem ser afetadas. É mais comum em mulheres.
Sua definição é de uma doença auto-imune, ou seja, o sistema imunológico da pessoa ataca as células e terminações nervosas do cérebro e da medula espinhal.Os neurônios ficam sem comunicação uns com os outros, ou com lentificação da mesma. Ao longo de anos, pode ocorrer morte de células cerebrais.
A doença geralmente evolui em surtos, na forma chamada de remitente-recorrente (RR). Há surtos de perda de força ou algum outro déficit, que devem ser tratados de forma urgente para evitar ao máximo possível sequelas. Estes surtos geralmente duram mais de 24 horas, e levam a sintomas e sinais visíveis ao exame neurológico.
Em pacientes já com o diagnóstico, ocasionalmente quando sob estresse físico, calor ou banho quente, pode haver piora do quadro que geralmente é reversível - não é surto, e é chamado de fenômeno de Uthoff. Se, no entanto, a piora demorar, deve ser avaliada o mais urgente possível.
Estes surtos podem se somar, e levar a um quadro mais generalizado ao longo de vários anos (podendo ser décadas).
O diagnóstico deve ser feito por neurologista, com ressonância magnética de crânio e exame do líquido da espinha (líquor).
Falaremos mais em próximos artigos.

domingo, março 27, 2011

Meningite em adultos


O cérebro é coberto não só por osso e pele, mas por três camadas de tecido chamadas de meninges. Elas envolvem o cérebro, e auxiliam não só na diminuição de traumas, mas evitando a entrada de elementos nocivos à saúde do cérebro, como bactérias e outros microorganismos.

Lá vai uma figura do cérebro com as meninges, para ilustrar o que quero dizer:



https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi8CcuwmdQQ7_gJlAw7W8ilKJsGWEZd_FLjws_TnBMzTnfsxBx4TEnl81Kkz8cSaipwB52QDxEC6vjfQLzcQ1C1a1sglL0xtimSINjejf6GcEc31Fm357o_ilaLXqg6XPUwZo3j53nSO-U/s400/meningite.jpg
Mas em certas situações ocorre justamente a infecção destas estruturas chamadas de meninges, e daí vem o termo  Meningite. Há vários tipos de meningite, dependendo da causa, sendo que temos as bacterianas, as virais, as causadas por fungos, as assépticas (quando a causa não é por microorganismos, mas por inflamações outras), por tuberculose, etc...

Um quadro de meningite é sempre uma situação grave, pois leva a febre, nuca rígida, e alterações mentais. A meningite bacteriana é a forma mais grave. Geralmente evolui com febre alta, dor de cabeça, confusão, nuca bem rígida, sudorese, mal-estar geral, vômitos e aumento da pressão na cabeça. Seu diagnóstico deve ser imediato, e seu tratamento ainda mais urgente. Quanto mais tarde se der o antibiótico, mais sequelas o paciente poderá ter após o tratamento da doença.

As meningites virais são mais benignas, na maior parte das vezes. Seu tratamento inclui repouso, analgésicos, e hidratação. Evolui com febre (mais baixa que a bacteriana), rigidez de nuca, dor de cabeça e alterações mentais. Pode também ser grave dependendo da causa, e se há ou não acometimento do próprio cérebro (virando uma encefalite).

Logo, se alguém na sua casa estiver com febre, dor de cabeça, nuca difícil de fletir, confuso, leve-o imediatamente ao médico (não espere!), pois pode ser uma meningite.

O diagnóstico é feito pela retirada do líquido da espinha, que pode vir normal em aparência nas meningites virais, ou parecido com leite nas bacterianas (o líquor normal parece água mineral). Uma tomografia sempre é necessária nestes casos, e a entrada do antibiótico deve ser imediata.

sexta-feira, março 25, 2011

Mas o que é distonia?

Distonia é uma síndrome (ou seja, não é uma doença, mas sintomas que ocorrem em várias doenças diferentes) que se caracteriza por contrações musculares involuntárias, sustentadas, de vários músculos que fazem movimentos contrários de uma extremidade ou de uma parte do corpo.

Para você entender melhor, imagine seu braço. Há os músculos que trazem o antebraço em contato com o braço e o ombro (flexores como o bíceps) e músculos que fazem o contrário, afastam o antebraço do ombro e do braço (os extensores, como o tríceps). Quando o bíceps contrai, ou seja, você faz o "muque", o tríceps relaxa, e quando você estica o braço, o tríceps contrai e o bíceps relaxa. Agora imagine estes músculos agindo ao mesmo tempo, de forma forte e forçada, sem você querer - pois é, isso é a base fisiológica da distonia. E isso pode ocorrer no rosto, na boca, na língua, no braço, na perna, no tronco, etc...

Nos próximos artigos, falaremos algo sobre outros tipos de distonia além da cervical.

Distonia cervical - Princípios para o leigo e o paciente

Distonia cervical (DC) é uma desordem neurológica de causas ainda desconhecidas e múltiplos desencadeantes, desde traumas periféricos e lesões cerebrais até a inexistência destes.
Caracteriza-se pela presença de movimentos involuntários do pescoço em várias posições e planos, podendo estes movimentos ser posturas fixas ou movimentos dinâmicos, havendo dor que muitas vezes domina o quadro clínico.
É uma desordem socialmente embaraçante, que faz com que muitos pacientes decidam se isolar de seu familiares, amigos e atividades, levando a transtornos psíquicos e depressão.

Como todas as doenças neurológicas, a distonia cervical não está isenta de pesquisas e mais pesquisas atrás de uma cura, ou pelo menos de um alívio dos sintomas, especialmente a dor, que em muitos pacientes parece ser a fonte maior de sofrimento.

Há várias medicações utilizadas com esse intuito, como os relaxantes musculares (tanto os de farmácia como o baclofen), anticolinérgicos e benzodiazepínicos, como o clonazepam e o diazepam. Mas a medicação que mais faz efeito nestes casos é mesmo a toxina botulínica.
O termo distonia cervical é um guarda-chuva, que abriga várias condições, que têm em comum movimentos involuntários da musculatura do pescoço, podendo evoluir para outras áreas, como ombros, membros superiores ou face. Ainda, a distonia cervical pode fazer parte de um quadro mais amplo, que pode ter se iniciado na face ou membro superior.

Várias são as doenças neurológicas que cursam com distonia cervical. Muitas ocorrem na infância e adolescência, e outras na vida adulta. Várias desordens genéticas, como a doença de Wilson e a doença de Hallervorden-Spatz podem se manifestar como distonia cervical. Traumas cervicais, lesões medulares ou cranianas, siringomielias podem se manifestar como distonia cervical. Logo, deve-se fazer o diagnóstico da causa, se houver, juntamente com o plano terapêutico.

Como já foi comentado, há vários tipos de distonias cervicais, sendo o mais comum o tipo onde há uma rotação da cabeça, ou para a direita ou para a esquerda. A este tipo de movimento, dá-se o nome de torcicolo (por favor, diferencie do torcicolo que se tem quando se dorme de mal jeito ou se dá um "jeito" no pescoço. Nestes casos, ocorre dor intensa e postura anormal, mas o quadro é agudo e resolve em horas a dias, e não costuma tornar a aparecer). Geralmente há, acompanhando este movimento, dor que pode ser de leve a intensa, em alguns pacientes sendo mais grave que o próprio movimento involuntário.

Em vários pacientes com torcicolo, há também o que chamamos de laterocolo, ou tilt, um desvio da cabeça para um dos lados, que pode ser leve a grave. Este tilt tende a ser contralateral ao torcicolo (torcicolo para direita, tilt para a direita, e vice-versa).

O paciente queixa-se de dificuldade para virar a cabeça para o lado contrário ao torcicolo, e há em alguns pacientes tremor em negação (de um lado para o outro) que é melhor quando o paciente vira a cabeça para o lado da distonia, e piora quando vira a cabeça para o lado contrário. O tremor tende a bater para o lado da distonia.

Laterocolo é o desvio da cabeça fazendo com que a orelha fique mais próxima do ombro. Pode ser para a direita ou para a esquerda, e pode vir acompanhado de elevação do ombro do mesmo lado do desvio. Leva a bastante dor por tensão do músculo elevador da escápula, um pequeno músculo localizado na parte de trás do pescoço e que auxilia a levantar o ombro, e do músculo trapézio, que vai da nuca até o meio das costas de ambos os lados.

Esta forma de distonia cervical resume-se a um deslocamento cervical para a frente, tanto um deslocamento anterior como uma queda do pescoço. É a forma mais difícil de tratar, pois os músculos envolvidos são profundos, e de difícil aplicação com a toxina botulínica.

Devido aos vários diagnósticos diferenciais, incluindo doenças musculares (miopatias), miastenia gravis, síndromes miastênicas (com fraqueza muscular), doença de neurônio motor (como a esclerose lateral amiotrófica e a atrofia espinhal progressiva, além da atrofia bulbar progressiva), derrames ao nível do bulbo, doenças da coluna cervical, como malformação de Arnold-Chiari e siringomielia, e outras, deve-se fazer um extenso estudo, com ressonância de crânio e cervical e eletromiografia, ao menos que exames acurados demonstrem contrações distônicas que favoreçam o diagnóstico clínico. O tratamento é o mesmo das outras formas de distonia cervical.
Retrocolo é a forma antagônica do anterocolo, ou seja, desvio posterior do pescoço para trás, por contrações tônicas, involuntárias do pescoço, que o trazem forçadamente para trás, com dores e contrações de vários músculos cervicais. Estes movimentos pioram muito quando o paciente anda ou escreve, e com movimentos como falar e engolir, e podem melhorar completamente quando o paciente deita de costas ou de frente, apoia-se em uma parede ou segura a cabeça por detrás com a mão, o que denominamos truque sensitivo, e que pode ocorrer em qualquer forma de distonia cervical.

Seu tratamento consiste na aplicação de toxina botulínica nos músculos afetados, mais comumente os músculos localizados na parte posterior do pescoço, como o trapézio, elevador da escápula, semiespinhais do pescoço e da cabeça, e longuíssimos do pescoço.

Parkinsonismo - O que é?

James Parkinson foi um médico de uma comunidade rural da Inglaterra, que em 1817 publicou um livro relatando 6 casos de uma nova doença por ele descoberta, e a qual ele chamou de "paralisia agitante". Alguns anos após a morte de James Parkinson, o considerado Pai da Neurologia, Jean Martin Charcot chamou a doença de Doença de Parkinson. Os sintomas mais importantes desta doença são:
1. Tremor de repouso (quando o membro, braço ou perna. está descansando, ao longo do corpo, sobre uma cadeira, ou quando não está em movimento);
2. Lentidão (a chamada bradicinesia);
3. Rigidez (endurecimento das articulações que ocorre na doença);
4. Instabilidade postural (quedas e risco de quedas).

Mas outras doenças podem causar estes sintomas, não só a doença de Parkinson, e a estas doenças chamamos de parkinsonismos (ou seja, parkinsonismo é a ocorrência de bradicinesia com tremor de repouso e/ou rigidez, podendo haver quedas).

Entre os parkinsonismos, temos a própria doença de Parkinson, chamada de parkinsonismo primário (sem causa definida). Há outras formas, como:

1. Secundário - Causado por medicações, como os antipsicóticos e algumas medicações para labirintite, causado por traumas ou infecções da cabeça, ou exposição a tóxicos e drogas, ou causado por derrames, ou por hidrocefalia (acúmulo anormal de líquido na cabeça, ou causado por tumores, etc...)
2. Atípico - Doenças que parecem a doença de Parkinson, também sem causa, mas não são a doença de Parkinson (temos quatro doenças neste grupo, e poderemos falar delas após)
3. Heredodegenerativo - São os casos que acompanham outras doenças neurológicas, ou seja, o parkinsonismo não é o sintoma principal da doença, mas faz parte dela.
4. Genético - Algumas formas de doença de Parkinson podem ser causadas por mutações genéticas

Parece complicado, mas na verdade é simples. Com um pouco de paciência, qualquer neurologista pode explicar isso ao paciente sem preocupações.