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domingo, junho 07, 2015

A descoberta anatômica do século... até agora

Notícia tirada do site Huffington Post, traduzida e modificada para o blog Neuroinformação.

O sistema imunológico funciona através de órgãos de defesa (as glândulas linfáticas e o baço). Mas há um líquido, claro e denso, que fica entre as células após a passagem do sangue, a linfa, e que contém células de defesa, como os linfócitos e macrófagos,  cuja função é auxiliar na remoção de toxinas e combate a agentes nocivos, como microórganismos. A linfa é carreada por vasos pequenos, chamamos de vasos linfáticos. Esses vasos, que fazem parte do sistema linfático, conectam-se a todos os órgãos, e acredita-se que terminem na base do crânio, sem penetrar no cérebro. Ou seja, nunca foi provada a existência de vasos linfáticos no cérebro, de modo que acredita-se que a proteção cerebral se dê através das células próprias de defesa existentes no tecido cerebral, a micróglia, juntamente com a entrada de células vindas do sangue quando há algum processo inflamatório existente ou começando. Bem, acreditava-se.

Neurocientistas descobriram uma nunca antes conhecida comunicação direta entre o sistema imunológico e o cérebro, através de vasos linfáticos que penetram o cérebro, e que passaram despercebidos por séculos. A descoberta que pode mudar o modo como entendemos as doenças autoimunes cerebrais, dentre elas a esclerose múltipla (EM), foi feita na Universidade da Virgínia, nos EUA, e foi publicada na famosa revista Nature, mês passado. 

A descoberta foi feita em cérebros de camundongos, quando os pesquisadores observaram, olhando no microscópio, vasos linfáticos adjacentes às veias cerebrais. Parece que esses vasos estavam bem escondidos atrás de uma veia cerebral (as veias externas cerebrais são bem grandes e grossas), e imagem radiológica ou de ressonância dessas áreas sempre foi muito difícil de avaliar completamente. E acredita-se, pela anatomia comparada, que esses mesmos vasos existam em pessoas. 

A comprovação dessa tese pode mudar a maneira como entendemos doenças autoimunes cerebrais. No entanto, a descoberta é preliminar, e se verdadeira, abrirá novos caminhos para pesquisa tanto em fisiopatologia (como as doenças cmeçam e agem) e tratamento das doenças autoimunes e inflamatórias cerebrais (dentre elas a esclerose múltipla, o autismo e a doença de Alzheimer). 

Vamos esperar para ver. 

Abaixo, imagem tirada do artigo original mostrando um seio venoso (em azul escuro), e os vasos linfáticos (em verde), antes desconhecidos, correndo paralelamente ao seio venoso.

http://www.nature.com/nature/journal/vaop/ncurrent/images/nature14432-sf10.jpg



quinta-feira, julho 31, 2014

A formação reticular ativadora ascendente

O encéfalo (conjunto do cérebro e das estruturas dentro do crânio que se ligam a ele) é um órgão bastante complexo, como já visto em vários posts deste blog. E não é somente o pensamento que o cérebro produz, mas todas as formas de sensações e movimentos são moduladas e filtradas no cérebro, para que possamos realizar nossas ações sempre de forma harmônica e correta.

Há várias estruturas dentro do encéfalo, e o cérebro é somente uma delas. Entre as outras, temos o cerebelo e o tronco cerebral. O tronco cerebral é um tubo formado por três partes (mesencéfalo, ponte e bulbo) que conecta o cérebro à medula espinhal e ao cerebelo.

Veja abaixo a figura do cérebro, cerebelo e tronco cerebral:

http://www.sobiologia.com.br/figuras/Corpo/cerebro.jpg
Muito bem. O tronco cerebral é formado por vários conjuntos de neurônios e seus axônios, formando fibras que se conectam a outras fibras próximas e distantes, e axônios mais longos que vão para o cérebro, medula e cerebelo. Dentro do tronco cerebral, há dezenas de núcleos diferentes, todos apertados em um tubo estreito. Sua importância está no fato de o tronco ter os núcleos responsáveis pela movimentação dos olhos, pela movimentação da face, pela movimentação da língua, ombros e pescoço, pela sensibilidade da face, pela capacidade de falar e engolir, pela capacidade de respirar, andar, manter o equilíbrio, e mais importante ainda, pela consciência. 

Sim, a consciência é produto do córtex cerebral, mas este precisa ser ativado para funcionar, e a ativação provem de núcleos dentro do tronco cerebral, que perfazem o que chamamos de formação reticular ativadora ascendente (ou FRAA). 

Sem essa ligação entre o córtex cerebral e o tronco, não conseguiremos permanecer acordados. Por isso que uma lesão extensa do tronco cerebral, como por exemplo por um derrame, pode levar o paciente ao coma. 

http://www.sistemanervoso.com/images/anatomia/slfr_i_01.jpg
Essa FRAA começa mais ou menos na transição entre o bulbo e a ponte, e sobe até o cérebro, como pode ser visto acima. Lesões da ponte, do mesencéfalo logo acima, ou do tálamo, que já fica dentro do cérebro, podem levar ao coma.

A FRAA relaciona-se com um mecanismo que existe dentro do tronco, também, e que é responsável pelo sono. Isso mesmo, o sono começa no tronco cerebral e se espalha para o córtex como uma onda de inativação cortical. O sono pode ser iniciado em núcleos na ponte e no bulbo, relacionados à FRAA. 

Então, descobrimos que há um conjunto de neurônios que modula nosso sono e nosso despertar, encontrando-se dentro de uma estrutura importante do cérebro chamada de tronco cerebral.


quarta-feira, novembro 13, 2013

Mais sobre a substância cinzenta cerebral

Além do que já foi discutido no post anterior sobre o córtex cerebral, há no cérebro ilhas de neurônios, cuja função é filtrar tudo o que entra de informação no cérebro (odores, gosto, tato, sons, visão) antes de encaminhar as informações ao córtex cerebral para análise mais aprofundada, e refinar os movimentos produzidos no córtex cerebral, de forma que consigamos realizar movimentos grosseiros e finos com total harmonia e delicadeza.

Estas ilhas de neurônios são os núcleos cerebrais e de tronco cerebral.

Há vários destes núcleos, de forma que a substância cinzenta cerebral não está somente cobrindo a substância branca, mas se encontra dentro dela também.

Os principais núcleos são:

Os núcleos da base - Putâmen, caudato, globo pálido, substância negra, núcleo subtalâmico (leia mais sobre eles aqui).

O tálamo (leia mais sobre ele aqui).

O hipotálamo (leia mais sobre ele aqui).

Os núcleos do tronco cerebral - Aqui há vários agrupamentos nucleares de neurônios dentro do tronco cerebral, cujas funções são as mais diversas, dentre movimentação dos olhos, controle da respiração, do ato de engolir, da movimentação da língua e da boca, da sensibilidade espacial (localizar-se no espaço com os olhos fechados), da sensibilidade da face, entre outras funções.

Veja abaixo:

http://bradyonthebrain.files.wordpress.com/2013/10/cranial-nerve-nuclei-in-brainstem-schema-2.jpg
Acima você vê os nervos cranianos motores (em vermelho) e sensitivos (em azul) com seus núcleos (as expansões dos nervos dentro do tronco cerebral).

http://bedahunmuh.files.wordpress.com/2010/05/cranial-nerve-nuclei-in-brainstem-schema-1.jpg
Acima, a mesma figura vista de lado.

Há vários outros núcleos no tronco cerebral, dos quais falaremos após. 

E há os núcleos do cerebelo, claro:

http://kin450-neurophysiology.wikispaces.com/file/view/19.1.jpg/140453055/411x326/19.1.jpg
Acima, uma visão do tronco cerebral e do cerebelo por trás. Os núcleos cerebelares estão à esquerda, em roxo (núcleo fastigial, emboliforme e globoso (juntos foram o núcleo interpósito) e o núcleo denteado).

O córtex cerebral

A porção mais externa do cérebro, e que o envolve como uma malha, chama-se de cóirtex cerebral. A palavra córtex vem do latim cortex, que quer dizer "casca ou carapaça" (leia aqui).

O córtex é também chamado de substância cinzenta, por conta da cor meio marrom-acinzentada que ele apresenta nas preparações cerebrais (veja abaixo).

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0c/Human_brain_right_dissected_lateral_view_description.JPG
Observe que a substância branca (a parte interna do cérebro) é toda coberta por uma capa que é facilmente distinguível, a substância cinzenta ou córtex cerebral. Apesar de possuir milímetros de espessura, o córtex cerebral possui 6 camadas entremeadas de neurônios e de fibras (axônios e dendritos), que ora saem destes neurônios para outras áreas do córtex e estruturas mais profundas do cérebro, ora chegam de várias regiões cerebrais a estes neurônios.

Observe as duas figuras abaixo, que mostram o seu córtex cerebral visto ao microscópio. 


http://thebrain.mcgill.ca/flash/d/d_02/d_02_cl/d_02_cl_vis/d_02_cl_vis_3a.jpg
http://chronopause.com/i293.photobucket.com/albums/mm55/mikedarwin1967/Feline-62a.png

Observe a quantidade de células e de fibras que sobem, descem e correm paralelamente à superfície do cérebro. São bilhões de fibras e células neuronais, associadas a células gliais de suporte e manuntenção da eletricidade cerebral, que juntas realizam toda a transmissão cerebral elétrica.

O córtex cerebral é completo, desenvolvido, e permite a integração entre várias regiões cerebrais distintas e a integração entre o próprio córtex e os núcleos de substância cinzenta existentes na profundidade do cérebro, o cerebelo e a medula espinhal.

Sem esta malha altamente intricada de fibras e células, nunca conseguiríamos o avanço científico, tecnológico, de linguagem e social que possuímos hoje.

Estudos demonstram que os animais mais próximos de nós, como macacos e outros animais como cachorros, porcos e gatos, possuem também córtices (esse é o plural de córtex) com 6 camadas, semelhantes ao nosso. 

A diferença é que nosso cérebro é disposto em inúmeras colunas de células ao longo das camadas, em número muito maior que nos outros animais. Ou seja, células que pertencem a camadas diferentes conectam-se entre si verticalmentem, formando colunas que servem para ações específicas dentro de uma região cortical. Há colunas celulares que são ativadas pela visão de linhas e bordas, outras são ativadas pela cor, outras que são ativadas pela visão de movimento, e assim vai, ao longo do córtex cerebral, de tal forma que uma função é trabalhada em partes, ao longo de várias camadas celulares, em várias colunas, tornando a análise e percepção do estímulo mais completos e complexos. 

Observe abaixo:

http://www.fizyka.umk.pl/~duch/ref/00/00-how-brain/column.gif
A figura acima, que demonstra a conexão e a passagem de estímulo entre várias células, demonstra à esquerda três colunas de células corticais. As colunas possuem, cada uma, as 6 camadas corticais, mas separam-se através de minúsculos espaços. As colunas são interconectadas entre si, permitindo a células que respondem a um estímulo conectar-se com células nas proximidades ou à distância que respondem a outros estímulos, de modo a tornar a percepção de estímulos algo bastante completo.

Ou seja, seu cérebro é todo conectado, tanto de cima para baixo e de baixo para cima, como de frente para trás e entre os lados. 

quinta-feira, outubro 03, 2013

O neurônio

O neurônio é a célula principal do sistema nervoso. Existentes em todo o sistema nervoso, há mais de 100 tipos de neurônios dispersos pelo cérebro, medula, tronco cerebral e nervos periféricos e autonômicos. Sua função é a propagação da informação através de minúsculas correntes elétricas que percorrem o sistema nervoso, e passam de um neurônio ao outro através de suas conexões, as sinapses. 

O neurônio, como célula, possui um citoplasma (a substância que preenche o corpo celular) e um núcleo, além de DNA, o seu material genético. Mas o neurônio possui algo que as outras células não possuem, ramificações, os dendritos e os axônios. 

Observe um neurônio abaixo:

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a9/Complete_neuron_cell_diagram_en.svg
O neurônio possui os dendritos, ramificações pequenas e múltiplas, mas que são cheias de canais por onde passam os íons de sódio e potássio responsáveis pela produção do potencial de ação, a maneira como os neurônios se comunicam. Já o axônio, único, sendo a terminação maior do neurônio, possui uma camada de proteção (em azul à direita do desenho) chamada de bainha de mielina, cuja função é evitar que a informação corra pelo axônio sem se dispersar, além de fazer com que o potencial de ação corra depressa (através de um mecanismo chamado e condução saltatória) (leia mais sobre isso aqui).

As conexões entre os neurônios, as sinapses (representadas no círculo da parte superior da figura), são a maneira como os neurônios se comunicam, através da liberação de substâncias (íons) que estimulam novos potenciais de ação, ou através da ação de proteínas que levam à célula do outro lado da sinapse realizar uma ação. 

O núcleo neuronal é como qualquer outro de uma célula de mamífero. Ao mesmo tempo, o neurônio possui todo um aparato que lhe possibilita produzir proteínas, transferi-las de local em local dentro do neurônio, liberar e armazenar elementos, como o cálcio, metabolizar proteínas inúteis e produzir energia. São estes elementos o retículo endoplasmático, o complexo de Golgi, os lisossomos, e as mitocôndrias, organelas que existem em várias outras células além dos neurônios.

Observe agora alguns tipos de neurônios:

http://www.mind.ilstu.edu/curriculum/neurons_intro/imgs/neuron_types.gif
Estes são somente alguns dos vários tipos de neurônios que existem no corpo.

E o que é uma sinapse?

Leia sobre ela aqui.

quarta-feira, dezembro 05, 2012

A fossa posterior

Antes de falarmos sobre a malformação de Arnold-Chiari, vamos falar sobre uma nota anatômica importante, a fossa posterior.

A base do crânio, a parte de baixo da face interna do crânio, é formada por três fossas, a fossa anterior, a média e a posterior. A fossa posterior, como o nome indica, fica na porção de trás do crânio, onde a cabeça une-se ao pescoço. 

Observe abaixo a base do crânio vista de dentro:

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgk8MzQivimmtjcOu03uxwc32eVJxO4UZwxpFquUFggMuqyxKjxMEBdBjkTx2rQpm0KmnYpRv4mN_dCYwZU-fHchBuurL3ywZ14O0jDW_O6Zg4EDmjVim75j9atezGSy72kCwct2J3TpfOP/s1600/base+of+Skull.png
Em azul, na parte de cima, a porção mais anterior do crânio, a fossa anterior. O osso em azul na parte de cima da figura é o osso frontal, e logo abaixo dele estão as órbitas e os olhos (aliás, o osso frontal forma parte da estrutura óssea que forma suas órbitas). O osso em amaraleo chama-se esfenoide, em forma de asa. Esse osso é muito importante, por que ele delimita a fossa anterior da média do crânio, e por ele passam vários nervos e artérias importantes através de forames, orifícios (buracos) dentro dos ossos. Em rosa temos o osso temporal. Esse osso pode ser sentido na frente e ao redor da orelha. E em azul atrás, o osso occipital, o mais importante osso da fossa posterior.

Observe um grande buraco neste osso azul grande. Esse forame é chamado de forame magno, pois é o orifício mais largo do crânio, e por onde o cérebro se comunica com a medula espinhal.

Em geral, somente passa por esse orifício a transição entre o bulbo (parte mais baixa do tronco cerebral) e a medula cervical, vasos e o revestimento (as meninges) com líquor. Acima desse osso, e deitando sobre ele, localiza-se o cerebelo. 

Observe abaixo:

http://www.upright-health.com/images/inside-vault.jpg
Essa figura mostra o crânio cortado ao meio. Observe no lado direito, o osso azul claro (osso occipital). Observe que há uma descontinuação deste osso indo da direita para a esquerda. Essa descontinuação é o forame magno. Observe a posição dele em relação ao crânio (pense na sua cabeça em relação ao seu pescoço - você é um modelo vivo para si mesmo).

http://www.cerebral-palsy.net/stenosis/graphics/RH0380017006.jpg
Agora olhe essa figura acima. A figura foi virada em relação à figura anterior. Observe o forame magno (foramen magnum). Observe a posição do cerebelo (a estrutura folhosa à esquerda da figura) e do tronco cerebral inferior - o bulbo (em inglês medulla oblongata), este passando pelo forame magno e se continuando com a medula cervical.

Observe que a fossa posterior não é muito grande, e o forame magno é largo. Observe também que o cerebelo possui partes mais em contato com o assoalho da fossa posterior, e outras partes mais em contato com a porção de trás do osso. Na malformação de Arnold-Chiari, é essa porção mais inferior do cerebelo que importa. 

Observe uma outra figura:

http://www.netterimages.com/images/vpv/000/000/004/4481-0550x0475.jpg
Observe a posição do cerebelo (à direita na figura) em relação ao tronco cerebral (logo à esquerda dele) e o forame magno (por onde o bulbo passa).

Muito bem, agora você entende algo sobre a fossa posterior. Falaremos no próximo post sobre a malformação de Arnold-Chiari. 






sábado, dezembro 01, 2012

Pequeno dicionário de termos médicos - Cauda Equina

Antes de falarmos sobre o que é a síndrome da cauda equina, vamos explicar o que é a cauda equina.
A medula espinhal está conectada ao corpo através de nervos, que entram e saem dela pelas raízes nervosas. Observe abaixo:
http://www.sciact.org/images/articles/The_Spinal_Cord_Model.jpg
 A medula fica dentro de uma estrutura óssea, a espinha dorsal ou coluna vertebral, composta das vértebras.

Observe abaixo a coluna vertebral com a medula e as raízes:

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4p5DCCJTu7EgkqSFid8LkMAVI6EaF_rdSGPpYzL1WhcNOFH-DPGoNtvh-x9ctPpC-euTJ9kmwsmKitsQLaa1_DbjFerMmYCOq_xs7aeLBEygnmc-60Sc1tOI_8Ubot4UgGvCNHK5YOf4/s1600/Picture19.png
A medula, pelo que você pode ver acima, é menor que a estrutura óssea que a comporta. Isso por que, após alguns poucos anos de vida, a coluna vertebral começa a crescer mais que a medula, que fica para trás no crescimento, sendo que no adulto, a ponta final da medula, chamada de cone medular, toca a borda inferior da primeira vértebra lombar (L1), deixando um espaço abaixo revestido por meninges e preenchido pelo líquido da espinha (o líquor ou líquido céfalo-raquidiano) e pelas raízes que vêm das partes mais baixas da medula e que vão sair entre as vértebras correspondentes.

Cada raiz sai da coluna por um espaço entre as vértebras, o chamado forame intervertebral ou forame neural. Observe abaixo:

http://spinalrehab2011.com/wp-content/uploads/2012/03/dp_latcutaway-BB.jpg
O nervo, em amarelo na figura à esquerda, sai entre as vértebras, sendo que o primeiro nervo cervical sai acima da primeira vértebra cervical (C1), até o oitavo nervo cervical (sendo que há somente 7 vértebras cervicais), que sai acima da primeira vértebra torácica (T1). A partir de T1, as raízes saem abaixo das vértebras correspondentes - a raiz do primeiro segmento medular torácico ou dorsal sai abaixo da primeira vértebra torácida ou dorsal (T1 ou D1), e assim por diante, sendo que cada raiz lombar sai abaixo de suas vértebras correspondentes. E como a coluna cresceu mais que a medula, isso significa que o nervo tem que descer muito até conseguir sair da coluna pelo espaço entre as vértebras correspondentes.

Este conjunto de nervos finais que saem da medula formam um feixe de fibras nervosas, que aos primeiros anatomistas lembrava uma causa de cavalo - daí o nome Cauda Equina.

Observe abaixo:

http://www.umm.edu/graphics/images/en/19504.jpg
Observe que a ponta da medula acaba lá em cima na figura, e abaixo somente temos um feixe de fibras, a cauda equina.

Estes nervos são responsáveis pela motricidade e sensibilidade da região da virilha, períneo (área localizada entre a nádega e o escroto, no homem, e a vulva, na mulher) e os membros inferiores (coxas, pernas e pés).

Falaremos no próximo post da síndrome da cauda equina.


sábado, novembro 10, 2012

Os nervos periféricos - A mielina


O seu corpo possui nervos, nervos estes que saem da medula (se forem nervos motores, ou seja, que promovem movimentação muscular) ou que entram na medula (se forem sensitivos, ou seja, carregam informações de sensibilidade, seja de temperatura, tato, dor, posição no espaço ou vibração).

Os nervos estão presentes no corpo inteiro, mesmo nas pontas de seus dedos. E há nervos grandes e pequenos. 

Os nervos podem ser didaticamente classificados em mielinizados e não mielinizados. A mielina é uma substância gordurosa (fosfolipídeos) que nos nervos é produzida por uma célula chamada de célula de Schwann, e que reveste a maior parte dos nervos. Observe abaixo:

https://anatomyphysiology2009-10.wikispaces.com/file/view/I10-75-myelin.jpg/119534713/I10-75-myelin.jpg
Observe que o nervo, neste caso identificado como o axônio do neurônio, é revestido por camadas e mais camadas de mielina, e que a célula de Schwann enrola-se por sobre o axônio (observe o núcleo da célula, em azul, na parte superior à direita).

Observe ainda abaixo:

http://www.healthcentral.com/common/images/9/9682_9613_5.jpg


http://www.daviddarling.info/images/myelin_sheath.jpg
Observe que a mielina reveste o nervo de forma descontínua, ficando espaços sem mielina entre os segmentos mielinizados. Estes espaços são chamados de nodos de Ranvier. 

Observe ainda mais abaixo:

http://kvhs.nbed.nb.ca/gallant/biology/schwann_myelin.jpg
O nodo de Ranvier localiza-se entre as camadas de mielina. E qual a função dele? Melhor ainda, qual a função da mielina??

Bem, vamos por partes:

Quantos tipos de dor você conhece (e se conhece, é por que já os sentiu, certo?)? Vamos usar um exemplo prático, do seu dia-a-dia. Que tal uma cólica? Vamos lá. Quando você está tendo uma dor de barriga, não importa a causa, você consegue apontar exatamente com o dedo o local da dor, dizer onde ela está exatamente? Sua resposta provavelmente será não! E por que? Por que a cólica faz parte da sensibilidade dita protopática, ou seja, a sensibilidade mal localizada, mal definida. É o mesmo tipo de dor que ocorre após uma queimadura no dedo. A primeira dor é intensa, aguda, rápida, bem localizada. Mas depois, fica uma dorzinha chata, mal localizada, no dedo todo, certo? (Não tente fazer isso em casa!). 

Muito bem, a dor mal localizada é transmitida por fibras nervosas, nervos, que propagam o estímulo (a dor) de forma lenta, bem lenta. E estes nervos ou possuem pouquíssima mielina, ou nenhuma mielina, ou seja, são não mielinizados. 

Observe abaixo um nervo destes:

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg70QJ5h_lUA6BzFihZsaNeM9Ns75N00xoxeTY6zrx4vqOgXC8BlN2tzRfY5tQRVo3zSImi387yfDnoRwtPfgaTnLsaf1Zw09tIYuea1O4k1JniEpMSI41T_sy8_8FCeDGo_d73BWikHM78/s1600/Neuron.jpg
Já a dor bem localizada, a dor aguda, fina, que você identifica o local com o dedo, exatamente, além do tato fino, o tato das mãos, a sensibilidade fina dos dedos, a vibração e a posição do corpo no espaço (classificados como sensibilidade epicrítica) e mesmo as informações motoras para movimentação muscular, e sua saída e propagação ao sistema nervoso central, é feita por nervos grossos, que transmitem a sensibilidade de forma rápida, ligeira. E isso somente ocorre através da mielina. Mas como?

Observe abaixo o que ocorre em seus nervos mielinizados:

http://www.carlosdinares.com/wp-content/uploads/2012/02/myelin.png
Nos nodos de Ranvier, ficam grandes quantidades de canais de sódio, os responsáveis pelo famoso potencial de ação, o desequilíbrio químico e elétrico entre a célula e o meio onde ela está, e que inicia e propaga o estímulo elétrico em todas os organismos vivos. E assim, o estímulo não precisa percorrer o nervo todo, mas sim os nodos de Ranvier, fazendo-se, logo, uma condução rápida do estímulo, ou seja, o que chamamos de condução saltatória. 

Observe abaixo uma alegoria do que estou falando:

http://www.ms-gateway.ie/html/images/upload/Picture3.jpg

Nestes nervos grossos (que carregam a sensibilidade epicrítica e a informação motora), a velocidade de propagação do sinal nervoso é de cerca de 400 km/hora. Use a sua altura como distância para calcular o tempo que um estímulo na ponta de seu dedinho do pé leva para subir ao cérebro e ser processado em dor. 

Observe mais abaixo:


http://antranik.org/wp-content/uploads/2012/04/conduction-in-a-myelinated-nerve-fiber-saltatory-conduction.jpg
Observe acima uma figura demonstrando a condução saltatória. Seu corpo é realmente maravilhoso, e funciona muito bem. 



sexta-feira, outubro 19, 2012

Os nervos cranianos

Em nossa cabeça, mais especificamente em uma parte do encéfalo chamada de tronco cerebral, há vários agrupamentos de neurônios que formam núcleos, e que dão origem a fibras de axônios que trafegam em nervos, endereçados principalmente a estruturas da face e pescoço, mas também a órgãos do abdome.

Estes nervos que saem do tronco cerebral carregam o nome de nervos ou pares cranianos (pares por que são sempre dois, um de cada lado). E há 12 pares destes nervos, muitos dos quais já foram bem comentados aqui neste blog. São eles:

1 - Olfatório
2 - Óptico
3 - Oculomotor
4 - Troclear
5 - Trigêmeo
6 - Abducente
7 - Facial
8 - Vestíbulo-coclear
9 - Glossofaríngeo
10 - Vago
11 - Acessório
12 - Hipoglosso

Observe o tronco cerebral abaixo, com suas três porções, a mais alta ou mesencéfalo, a do meio ou ponte, e a mais baixa ou bulbo (também chamada de medula oblonga):

https://encrypted-tbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSgC0QWpwh5lco1urpbBBN-rBhUaEWkIRMlxTlB43IddXl-s5Kl
Esta figura mostra um corte sagital (na linha média) do cérebro, cujas partes estão pintadas de várias cores. O mesencéfalo está em verde, a ponte em laranja e o bulbo em azul claro. Observe a localização das estruturas.

Olhe mais abaixo:

http://www.sistemanervoso.com/images/imagem/te_i_01.jpg
Esta figura apresenta os nomes das estruturas ao lado esquerdo. Agora, use esta figura acima para decifrar a figura abaixo, um pouco mais complexa:

https://encrypted-tbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRFUtDIsLyn6I6ZJvTp5F8w78hW83EP6gpsinN-z991TDHhs0-k
Você consegue dizer onde estão as partes do tronco cerebral? O mesencéfalo também é chamado de pedúnculo cerebral. Agora, olhe esta figura ainda, aqui abaixo:


http://www.afh.bio.br/nervoso/img/tronco%20cerebral.gif
Aqui você vê a mesma figura acima, mas de frente e de baixo. Observe o tronco cerebral, com o pedúnculo cerebral, ou mesencéfalo, acima, a ponte, gorda, robusta no meio, e o bulbo abaixo. Observe que entre as estruturas ou de dentro delas, saem filetes, ramos que se unem e seguem um caminho. Estes filetes são os nervos cranianos. E estes nervos saem da superfície do tronco cerebral vindos de núcleos, agrupamentos de células, localizados na profundidade do tronco. Observe abaixo:

http://www.sistemanervoso.com/neurofisiologia/11_images/11_clip_image002_0006.jpg
Esta figura esquemática mostra o tronco cerebral por trás, com os núcleos dos nervos motores, ou seja, os responsáveis pela movimentação muscular. Temos, como disse, 12 pares de nervos cranianos, e destes 5 são exclusivamente motores, ou seja, não possuem ramos sensitivos: 

1. O nervo oculomotor, que fornece movimentação ao olho (leia mais sobre ele aqui);
2. O vero troclear, que também fornece movimentação ao olho (leia mais sobre ele aqui);
3. O nervo abducente, que também serve para movimentar o olho (leia mais sobre ele aqui);
4. O nervo acessório, que inerva alguns músculos do pescoço (principalmente p esternocleidomastóideo [ufa!] e o trapézio - olhe abaixo):

http://powershowz.medicalillustration.com/imagescooked/26785W.jpg
O esternocleidomastóideo e o trapézio são os dois músculos demonstrados acima que se localizam no pescoço.

5. Nervo hipoglosso, que inerva os músculos da língua.

Há outros nervos com núcleos demonstrados na figura do tronco cerebral acima. Mas estes nervos possuem também ramos sensitivos. São os chamados nervos mistos. São eles:

1. Nervo trigêmeo, cuja porção motora inerva os músculos da mastigação (leia mais sobre ele aqui);
2. Nervo facial, que possui muito mais uma função motora, inervando todos os músculos da face (leia mais sobre ele aqui);
3. Nervo glossofaríngeo, que apesar de ter uma grande parte sensitiva, possui parte motora que inerva os músculos da deglutição (o ato de engolir);
4. Nervo vago, que possui função mista, e sua porção motora é a responsável por praticamente todo o ato da deglutição, mas também é o nervo que inerva a musculatura da traqueia, esôfago, estômago, vias biliares e parte do intestino, fora o coração:

http://img.tfd.com/MosbyMD/thumb/vagus_nerve.jpg
Esta figura esquematiza tudo o que o nervo vago inerva. 

Olhe agora abaixo:

http://www.auladeanatomia.com/neurologia/nervoscranianosesquema.jpg
Esta figura complexa demonstra os nervos e núcleos sensitivos à esquerda, em azul, e os motores à direita, em vermelho. E quais são os nervos puramente sensitivos, ou seja, aqueles sem componente motor?

1. Nervo olfatório, que responde pela sensação de olfato (leia mais sobre ele aqui);
2. Nervo óptico, que responde pela visão (leia mais sobre ele neste longo texto);
3. Nervo vestíbulo-coclear, que responde pela audição e pelo equilíbrio relacionado ao labirinto.

Muito bem, agora você já conhece por cima os nervos cranianos. Falaremos mais de cada um deles. 

sábado, outubro 13, 2012

O tálamo

Imagine uma rede com uma central que recebe informações de todas as regiões do mundo e manda informações para todas as direções, sendo que antes de chegarem à central e antes de serem retransmitidas, estas informações são trabalhadas em uma rede menor, mais sofisticada e compacta, de modo que a informação seja mais bem compreendida. Imaginou? Pois bem, esta rede e esta pequena central existem, e dentro de sua cabeça. Isso mesmo. A rede é o seu sistema nervoso, e cada informação que chega às mais variadas regiões do cérebro, e cada informação que dele sai para os membros e outras partes do corpo, são antes trabalhadas e manipuladas por dois núcleos, um de cada lado, simétricos, chamados de tálamo. 

Tálamo vem do grego, θάλαμος, ou talamos, e significa leito ou câmara interna. O tálamo é formado por agrupamentos de neurônios especializados e suas células de suporte, as células gliais, além de várias conexões entre estes agrupamentos. O tálamo é funcionalmente dividido em porções, várias e muitas vezes variáveis de acordo com cada autor, e cada porção está relacionada a uma função, um conjunto de fibras de substância branca (trato) que entra ou sai do cérebro, e a uma parte diferente do cérebro. 

Observe o tálamo abaixo e sua localização:

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f1/Thalamus.gif
O tálamo é as duas estruturas avermelhadas acima. 

Observe outra figura, agora mais detalhada:

http://www.medicalartlibrary.com/images/thalamus-hypothalamus.jpg
O tálamo está em vermelho acima, e abaixo dele o hipotálamo, em amarelo, outro agrupamento de neurônios que controlam as funções ditas autonômicas, como regulação da temperatura, frequência cardíaca e pressão arterial, e outras funções (leia mais sobre ele aqui).

O tálamo, como eu disse, é dividido em núcleos. Observe abaixo:

http://science.v-barker.org/wp-content/uploads/2012/07/thalamus.jpg
As divisões, meramente ilustrativas, estão à direita, e à esquerda, a localização, novamente, do tálamo. O núcleo não é dividido bonitinho assim na vida real, e essas figuras são somente para ilustrar e ensinar, mas  não se preocupem em decorar nada. 

Observe um tálamo de verdade abaixo:

http://www.becomehealthynow.com/images/organs/nervous/thalamus.gif
O tálamo está marcado com os números 1 e 5, e o hipotálamo com o número 2. O número 3 é o mesencéfalo, o 4 a ponte, o 6 a comissura anterior (leia mais sobre ela aqui), o 7 o quiasma óptico, ou seja, o local onde os nervos ópticos se cruzam, o 8 os corpos mamilares (leia mais sobre eles aqui e aqui). O número 9 corresponde à pineal, uma glândula que secreta o hormônio do sono, a melatonina. O número 10 corresponde a núcleos que controlam o olhar vertical e parte da audição, os colículos superior e inferior. O número 11 diz respeito a outra comissura, a lâmina terminalis, e o 12 à comunicação entre os ventrículos, o forame de Monro (leia mais sobre os ventrículos aqui).

Aqui vai outra figura, em espanhol:

http://poderdasmaos.com.br/admin/db/artigos/611.jpg


Agora, observe a relação do tálamo com outras partes do cérebro:

http://www.sistemanervoso.com/neurofisiologia/15_images/15_clip_image002_0003.jpg
Nesta figura, cada cor do córtex corresponde grosseiramente a uma parte do tálamo, identificada com a mesma cor. Os nomes de cada região do tálamo estão em português, para os que se interessarem.

A comunicação entre o tálamo e o córtex, e entre o tálamo e os demais núcleos e regiões do cérebro e da medula é feita através de tratos de substância branca, axônios e dendritos de neurônios que sobem e descem pelo cérebro. Observe abaixo:

http://grants.hhp.coe.uh.edu/clayne/6397/Unit5_files/Unit5.3.jpg
Esta é a via sensitiva, que cuida da sensibilidade. As informações aqui vêm da periferia, mãos, pés, pernas, braços, tronco, em termos de sensibilidade térmica, tátil, dolorosa, vibratória e de localização no espaço (propriocepção). Observe que todas as vias passam obrigatoriamente pelo tálamo antes de chegar no córtex.

Olhe mais abaixo:

http://homepage.ntlworld.com/teversal/myweb/CNS/Images/bmot10.gif
As informações de movimento que vêm do córtex, permitindo que nos movamos, também passam antes pelo tálamo antes de chegar à medula, nervos e músculos.

E mais:

http://ars.els-cdn.com/content/image/1-s2.0-S0014483511000340-gr1.jpg
As imagens que vemos passam, antes de chegar ao córtex occipital, lá atrás no cérebro, pelo tálamo (neste caso, por um núcleo de cada lado chamado de núcleo geniculado lateral, em azul claro na figura acima).

Do mesmo modo, as informações que nos chegam aos ouvidos, antes de serem interpretadas no córtex, passam pelo corpo geniculado medial (o número 5 na figura abaixo), uma parte do tálamo, e mesmo as informações de paladas e olfato têm de passar pelo tálamo antes de serem processadas:

http://brainmind.com/images/Auditory5.jpg


Ou seja, você tem um outro computador ainda menor dentro do computador maior, que funciona ajudando seu cérebro a processar as informações que vêm do mundo, e para ele voltam. 

sábado, setembro 29, 2012

Pequeno dicionário de termos médicos - Foice do cérebro

Olhando exames de tomografia do crânio, o seu por exemplo, você deve ter reparado no nome "foice do cérebro". Mas o que é a foice cerebral?

O cérebro é formado por dois hemisférios, o direito e o esquerdo. Observe abaixo:

http://www.google.com.br/url?source=imglanding&ct=img&q=http://www.auladeanatomia.com/neurologia/hemisferios.jpg&sa=X&ei=nm9mULbSH4uC8QShroDYCA&ved=0CAoQ8wc&usg=AFQjCNHLoHgrylG6Yp3nOZCKqscvlVmwmw
Observe o nome Fissura Longitudinal. É justamente a entrada que marca o início da separação dos hemisférios, que no entanto nunca estão completamente separados, haja vista haver as comissuras, massas de substância branca (axônios e dendritos, sem corpos de neurônios) que unem os dois hemisférios, permitindo ao hemisfério direito saber o que se passa no esquerdo, e vice-versa (por culpa das comissuras, você pode, com os olhos fechados, pegar algo com a mão esquerda - a informação vai para o hemisfério direito - e dizer o que é - por que a linguagem, em mais de 95% das pessoas, localiza-se no hemisfério esquerdo - ou seja, um hemisfério sabe o que o outro está fazendo).

Observe as comissuras apontadas pelos números, sendo a maior o corpo caloso (leia sobre ele aqui):

http://www.google.com.br/url?source=imglanding&ct=img&q=http://www.fosjc.unesp.br/disciplina/anatomia/neuro/neuro3.jpg&sa=X&ei=v3FmUL_5A4Xm9AT-5oGwBw&ved=0CAkQ8wc&usg=AFQjCNFWD6vcK0fc6zP7p4hsc6h6mQqcqA


Há a comissura anterior, a posterior, a comissura talâmica e o corpo caloso, entre outras menores. 

http://www.google.com.br/url?source=imglanding&ct=img&q=http://www.auladeanatomia.com/neurologia/fibrasassociacao.jpg&sa=X&ei=E3JmUMfyMJOi8QTo84H4Ag&ved=0CAoQ8wc&usg=AFQjCNEBCVsdvk9Khy37UJF15IbM_heY_g
Acima estão a comissura anterior e o corpo caloso vistos como as fibras que os compõem.

Muito bem, mas o que é a foice do cérebro?

Bem, a foice é uma membrana grossa, semelhante à membrana que recobre o cérebro, a dura-máter, e que separa os dois hemisférios. Observe abaixo:

http://www.google.com.br/url?source=imglanding&ct=img&q=http://www.auladeanatomia.com/cardiovascular/seiosdaduramater.jpg&sa=X&ei=onJmUL7QCYnO9ATM6oDYDw&ved=0CAoQ8wc&usg=AFQjCNHH4-T1jkSpQ4_0O6vjAZ_53y9p1Q
A foice é a membrana grossa, esbranquiçada, justamente em forma de foice! Vista anatomicamente, lembra mesmo uma foice. Observe que as veias cerebrais passam e são recobertas pela camada fibrosa da foice do cérebro (leia sobre as veias do cérebro aqui).

Observe outra imagem da foice:

http://www.google.com.br/url?source=imglanding&ct=img&q=http://www.osteodoc.com/images/RTM.jpg&sa=X&ei=IXNmUL7jGoXM9QSIp4HAAw&ved=0CAkQ8wc&usg=AFQjCNGyGvfzP9z78rGKwypcWamTQjuk5g
Abaixo, e continuando-se com a foice, há a tenda do cerebelo (na figura, tentorium cerebelli), uma camada grossa que separa o cerebelo do resto do cérebro, mas falaremos mais disso depois. 

A foice pode apresentar calcificações, depósitos de cálcio, que podem ser vistos na tomografia de crânio, e que não representam doença nem problema grave.

http://www.google.com.br/url?source=imglanding&ct=img&q=http://www.gla.ac.uk/ibls/US/cal/brain/flax.jpg&sa=X&ei=nnNmUMOmLYWS9gT0i4CwBA&ved=0CAkQ8wc&usg=AFQjCNHWsb0mAdUOQb3AfdX4TYUl0GJzzQ
Nesta tomografia, a calcificação é a mancha branca no meio da figura.

Mas a foice do cérebro pode apresentar problemas, como infiltração por tumores, como o linfoma, mas isso é outra história.