quinta-feira, agosto 11, 2011

Hérnia de disco

Antes de ler este artigo, acho interessante você dar uma passadinha no artigo sobre medula espinhal (Vá aqui), pois o que iremos falar agora tem tudo a ver com ela.

A coluna vertebral é uma caixa óssea rígida e dura, mas flexível pois os ossos, as vértebras, encaixam-se perfeitamente uns nos outros de cima a baixo através de várias juntas ou articulações. Graça a essa flexibilidade, é possível alcançar os pés estando-se em pé, ou agachar-se, ou mesmo fazer abdominais ou estender o corpo todo para trás. A coluna vertebral começa na base do crânio e vai até as nádegas, terminando em um osso que mais parece um pequeno rabicho, o cóccix (veja abaixo).

http://scienceblogs.com/afarensis/2006/04/27/how_cool_is_that/ 

Os ossos são as estruturas de cor bege. Observe que a coluna faz várias curvas ao longo de seu trajeto, sendo todas normais. Mas quando por doença ou problemas posturais, estas curvas podem ficar mais acentuadas, levando a dor e incapacidade. Um aumento da curvatura anterior da coluna tem o nome de lordose; o aumento da curvatura posterior recebe o nome de cifose; e quando a coluna é muito curvada para um dos lados, recebe o nome de escoliose. Veja abaixo o que digo e compare com a figura acima:

http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcR23iQKM--c_iTvVGgRj_BM8AbC7qVWilnUPUXn_-JBtbRN-vqS


Muito bem. Olhe a primeira figura de novo. Entre os ossos há espaços meio azulados, certo? Estes são os discos intervertebrais. Mas para que servem?

Imagine um carro. O amortecedor do carro protege o pneu e o carro dos solavancos do dia a dia, certo? Caso contrário, depois de vários buracos e lombadas, seu carro estaria uma lata-velha, concorda? Pois é, estes discos intervertebrais têm a mesma função de um amortecedor, amortecem o impacto que a coluna inteira sofre quando você anda, corre, pula, sofre um acidente ou se machuca. Eles, por serem elásticos, servem para absorver o impacto.

Assim, quando você corre ou anda, por exemplo, seus discos intervertebrais absorvem o impacto produzido pelo choque do pé, tornolezo, perna e joelho com o chão, diminuindo o ônus que estas articulações e sua perna/pé têm de suportar. Claro que não são somente os discos intervertebrais que servem para isso, mas todos os ligamentos e, principalmente, os músculos lombares e os abdominais servem também para isso. E sabe-se que músculos lombares e abdominais fortes significam mais absorção de impacto, ou seja, menos lesões em certas situações.

Muito bem. E como é um disco intervertebral? Aqui vai um:

http://www.cedars-sinai.edu/Patients/Programs-and-Services/Spine-Center/Anatomy-of-the-Spine/Images/vertebral_body-10860.jpg


Observe ainda outro disco intervertebral:

https://encrypted-tbn1.google.com/images?q=tbn:ANd9GcThXqe4qPFieOhi0pD1tl2b1Mbw5CSnmS-66GfMV49LkCJVxqymbQ
Em geral, estas alterações aparecem de forma insidiosa, lenta, e se manifestam como dor ou desconforto no pescoço (cervical) irradiando para os braços ou costa, ou nas costas (lombar) irradiando-se para as pernas. Podem haver fatores que desencadeiam uma crise aguda, especialmente em alguém que já tem a coluna doente, como por exemplo, um mau jeito ao tentar levantar algo ou empurrar algo, um acidente ou um trauma qualquer, ou muitas vezes não há motivo aparente.

Observe agora uma hérnia de disco

http://cdn.mikereinold.com/wp-content/uploads/blogger/7-1749-799X-3-46-1.jpg
Observe o núcleo pulposo herniando, extravasando, e comprimindo uma raiz à direita.

Observe mais uma figura:

https://encrypted-tbn1.google.com/images?q=tbn:ANd9GcQFpjTf8nWrW7v7lMw2trefVKt8kcmn0DMssekTmvnNDLEvkuCs4g


Qualquer pessoa pode ter uma hérnia de disco, e cada vez mais jovens estão aparecendo nos consultórios com os sintomas. Má postura, falta de condicionamento físico aliado a uma musculatura vertebral fraca e falta de atividade física contribuem para isso. Também, musculação em excesso, exercícios físicos em excesso, excesso de peso sobre a coluna podem causar isso, e obesidade é uma das causas.

Nossa coluna é um conjunto ósseo que necessita ser regular e íntegro para funcionar de forma devida. Com o passar da idade, ou com doenças que atacam a coluna, ocorrem alterações nos ossos que podem deixá-los fracos, instáveis, levando a várias consequências. Muitas vezes nas imagens de tomografia e ressonância, o médico não vê somente a hérnia de disco, que pode ser pequena, chamada de protrusão discal, mas pode ver além da protrusão alterações ósseas e articulares como uncoartrose, que é a artrose (envelhecimento, precoce ou não) das articulações das vértebras, ou espondiloartrose, que o envelhecimento da própria vértebra, que pode ficar achatada, irregular, deslocar-se em relação às outras, criar extensões (verdadeiros dentes) em suas porções anteriores, a que chamamos de "bicos de papagaio".

Portanto, entre as causas encontram-se estresse sobre a coluna, como excesso de peso, má postura, falta de um amortecedor muscular (ou seja, todo o impacto do dia-a-dia concentra-se na coluna), excesso de atividade física, especialmente feita sem as orientações corretas, trauma como quedas, acidentes de carro ou moto, e outras causas, e mesmo sem causa definida. Pode ocorrer de uma pessoa nascer com algum defeito no colágeno (que é uma proteína que possui várias formas e forma a base do nosso tecido conectivo, ou seja, do tecido que serve de sustentação a nossos corpos), e a camada externa do disco intervertebral é feita de colágeno. Defeitos neste colágeno podem predispor a hérnias discais mesmo sem traumas.

E qual o tratamento de uma hérnia de disco? Varia desde repouso relativo, poupando atividades que exijam carregar peso, levantar coisas ou mudar de posição várias vezes, medicações analgésicas, mudanças de postura, melhora da postura, exercícios de fisioterapia e reeducação postural global (o famoso RPG), e mesmo em casos mais sérios, cirurgia da coluna.


Em geral, estas alterações aparecem de forma insidiosa, lenta, e se manifestam como dor ou desconforto no pescoço (cervical) irradiando para os braços ou costa, ou nas costas (lombar) irradiando-se para as pernas. Podem haver fatores que desencadeiam uma crise aguda, especialmente em alguém que já tem a coluna doente, como por exemplo, um mau jeito ao tentar levantar algo ou empurrar algo, um acidente ou um trauma qualquer, ou muitas vezes não há motivo aparente.

Qualquer pessoa pode ter uma hérnia de disco, e cada vez mais jovens estão aparecendo nos consultórios com os sintomas. Má postura, falta de condicionamento físico aliado a uma musculatura vertebral fraca e falta de atividade física contribuem para isso. Também, musculação em excesso, exercícios físicos em excesso, excesso de peso sobre a coluna podem causar isso, e obesidade é uma das causas.

Nossa coluna é um conjunto ósseo que necessita ser regular e íntegro para funcionar de forma devida. Com o passar da idade, ou com doenças que atacam a coluna, ocorrem alterações nos ossos que podem deixá-los fracos, instáveis, levando a várias consequências. Muitas vezes nas imagens de tomografia e ressonância, o médico não vê somente a hérnia de disco, que pode ser pequena, chamada de protrusão discal, mas pode ver além da protrusão alterações ósseas e articulares como uncoartrose, que é a artrose (envelhecimento, precoce ou não) das articulações das vértebras, ou espondiloartrose, que o envelhecimento da própria vértebra, que pode ficar achatada, irregular, deslocar-se em relação às outras, criar extensões (verdadeiros dentes) em suas porções anteriores, a que chamamos de "bicos de papagaio".

Portanto, entre as causas encontram-se estresse sobre a coluna, como excesso de peso, má postura, falta de um amortecedor muscular (ou seja, todo o impacto do dia-a-dia concentra-se na coluna), excesso de atividade física, especialmente feita sem as orientações corretas, trauma como quedas, acidentes de carro ou moto, e outras causas, e mesmo sem causa definida. Pode ocorrer de uma pessoa nascer com algum defeito no colágeno (que é uma proteína que possui várias formas e forma a base do nosso tecido conectivo, ou seja, do tecido que serve de sustentação a nossos corpos), e a camada externa do disco intervertebral é feita de colágeno. Defeitos neste colágeno podem predispor a hérnias discais mesmo sem traumas.

E qual o tratamento de uma hérnia de disco? Varia desde repouso relativo, poupando atividades que exijam carregar peso, levantar coisas ou mudar de posição várias vezes, medicações analgésicas, mudanças de postura, melhora da postura, exercícios de fisioterapia e reeducação postural global (o famoso RPG), e mesmo em casos mais sérios, cirurgia da coluna.



terça-feira, agosto 09, 2011

Pequeno dicionário de termos médicos - Hemiparesia

Hemiparesia é outra daquelas palavrinhas que vêm do grego (esse grego...), que quer dizer fraqueza (paresia) e hemi (metade, meio), e quer dizer fraqueza de metade do corpo. Não, não é a metade de cima ou a de baixo, mas a de um lado ou outro. Assim, falamos de hemiparesia direita ou esquerda. A hemiparesia pode afetar a face, quando então chama-se de hemiparesia completa. Se for do pescoço para baixo, chama-se de hemiparesia incompleta.

A paresia é uma fraqueza que não é total, ou seja, ainda há algum grau de força. À fraqueza total, chama-se de plegia (quando o paciente não consegue mover absolutamente nada daquele membro ou hemicorpo).

Qual a causa mais comum das hemiparesias/hemiplegias? Geralmente são os derrames, ou AVC's. Mas tumores e traumas cranianos ou de parto (quando o bebê sofre durante a saída pelo canal vaginal ou pela incisão da cesareana) pode causar isso também. 

Além da hemiparesia e da hemiplegia, há outros termos interessantes a serem destacados aqui:

1. Monoparesia/monoplegia - É a fraqueza (completa ou não) de um único membro (um braço ou uma perna)
2. Diparesia/diplegia - É a fraqueza dos dois lados do corpo, mas que ocorrem em momentos diferentes, como um derrame que afeta um lado, e logo após vem outro afetando o outro lado.
3. Paraparesia/paraplegia - É a fraqueza ou dos dois braços (mais raro, chamado de paraparesia braquial) ou das duas pernas (paraparesia crural). Este último é geralmente causado por lesões da medula espinhal.
4. Tetraparesia/tetraplegia - É a fraqueza dos quatro membros de uma só vez, como ocorre nas lesões medulares altas, como ao nível do pescoço (cervical)


domingo, agosto 07, 2011

Confusão mental

Confusão mental é um termo bastante vago e genérico. Pode-se dizer que ocasionalmente "brancos", ou seja, esquecimentos rápidos e fugazes, como "Que rua é essa?", ou "Onde eu deixei meu carro?", ou mesmo "O que eu vim fazer aqui, mesmo?" sejam episódios de confusão, mas geralmente são benignos quando isolados, raros e sem consequências sérias, e apesar de merecerem investigação apropriada quando julgado pelo neurologista, geralmente não demonstram anormalidades maiores nos exames de sangue ou na tomografia de crânio. É claro que episódios destes que se repetem, ou de gravidade maior, devem ser investigados de forma bem rigorosa. Já falei de esquecimentos em um post anterior sobre memória. Mas hoje falaremos de algo ainda mais sério, quando há um quadro persistente de confusão mental.

Vou sugerir um quadro que é bastante frequente em pronto-socorros e em consultórios médicos. Imagine que um familiar idoso, tal como sua avó, ou seu avô, ou seu pai, que até ontem estava bem, andava,  comia sozinho, vestia-se só, fazia suas coisas só, de repente de um dia para o outro começa a não falar mais nada de forma correta, troca palavras ou frases, confunde-se em casa mesmo ou acha que não está em sua casa, ou associado à confusão o familiar dorme demais e não acorda nem para almoçar, ou acha que foi sequestrado, não o/a reconhece, ou torna-se agressivo e agitado de repente. Você já se deparou com uma situação dessas? Se já, sabe do que estou falando. É uma situação realmente difícil de lidar, com um familiar que de repente perde sua personalidade, suas características que conhecíamos e amávamos, e agora está outra pessoa.

A este quadro tão dramático dá-se o nome de estado confusional agudo ou delirium (não confundir com delírio, que é o julgamento errado de uma situação por conta de um quadro psiquiátrico ou neurológico, como o paciente esquizofrênico que acredita que as pessoas estão sempre falando mal dele, ou o paciente com doença de Alzheimer que acha que a esposa ou o marido está tendo um caso com alguém).

Estado confusional agudo é uma situação de emergência, geralmente causado por infecções, como pneumonia, infecção urinária ou mesmo uma gripe, ou problemas de eletrólitos, os componentes do sangue, como sódio, potássio ou cálcio, ou problemas de oxigenação do sangue (dificuldades respiratórias ou problemas pulmonares que impedem o oxigênio de chegar nos pulmões), ou problemas cardíacos graves como descompensação de uma insuficiência cardíaca, ou problemas metabólicos, como glicemia muito alta ou muito baixa, ou problemas graves de tireóide. Outras causas como desidratação, bastante comum na verdade, ou desnutrição, alcoolismo, abuso de medicações para várias doenças, problemas renais ou de fígado (hepáticos) graves, traumas cranianos, derrames podem ser encontradas. Internação por uma causa qualquer, mesmo em idosos antes supostamente sãos, e cirurgias podem desencadear um estado confusional agudo.

Qualquer um pode ter isso? Sim, todos estamos sujeitos, mas há fatores de risco. Quais são eles?

1. Idade avançada
2. Doenças graves subjacentes, como problemas graves de coração, rins, fígado, tireóide, problemas cerebrais como derrame prévio, demência (pacientes com doença de Alzheimer ou outras demências podem ter piora aguda de seu quadro demencial, caracterizando um estado confusional agudo)
3. Doenças psiquiátricas
4. Uso de múltiplas medicações para várias doenças diferentes

Demência e estado confusional são a mesma coisa? NÃO! Demência é um problema que se desenvolve ao longo de meses a anos. Estado confusional agudo desenvolve-se ao longo de dias, e pode ocorrer em pacientes demenciados.

O que fazer se meu parente tiver isso?

Leve-o imediatamente ao hospital. Isso é uma emergência médica, e as causas têm de ser descobertas o mais rápido possível e tratadas, pois podem levar a piora de um quadro subjacente, ou mesmo morte do paciente. O paciente deve ser diagnosticado, e exames como glicemia (exame do dedinho), exames de sangue, exame de urina, e mesmo uma tomografia de crânio, além de avaliações como oximetria de pulso devem ser solicitadas.

Portanto, se seu parente tiver isso, corra a um hospital com ele. Você e seu familiar só terão a ganhar com isso.

sábado, agosto 06, 2011

Qual o meu hemisfério dominante?

O hemisfério cerebral dominante é aquele (também) responsável pela linguagem. O cérebro possui dois hemisférios, o direito e o esquerdo. Em 90% das pessoas, o hemisfério esquerdo é o dominante, mesmo em pessoas canhotas ou ambidestras. O hemisfério não dominante responsabiliza-se por emoções, orientação visuo-espacial (saber onde você se encontra no espaço ao seu redor) e outras funções.

Como saber qual o seu hemisfério dominante? Bem, geralmente pessoas destras (que escrevem com a mão direita) têm o hemisfério esquerdo como dominante, por que o lado esquerdo do cérebro controla o lado direito, e vice-versa (falaremos desse assunto intrigante em outro post).

Mas pessoas canhotas ou ambidestras podem ter o hemisfério esquerdo como dominante, também. Então, há algum modo de saber isso?

Provavelmente sim, e é simples. Em uma folha de papel, faça um furo pequeno com um alfinete, e olhe através dele. Se você olhar com o olho direito, sua dominância cerebral provavelmente será o lado esquerdo em cerca de 65% dos casos (Referência), e vice-versa. Há uma clara distinção na literatura especializada entre dominância ocular e dominância manual, com relatos de incrongruências entre elas.

Outra maneira inusitada é saber com qual mão você segura o cabo da vassoura ao varrer a casa. Se você segura o cabo com a mão direita, sua dominância cerebral é esquerda, e vice-versa. Há inclusive uma escala para verificar clinicamente qual a dominância cerebral de uma pessoa (Referência).

Há um método mais agressivo, que é o uso de amital sódico, um anestésico, que é injetado em cada carótida através de angiografia (cateterismo) e anestesia cada hemisfério, um de cada lado. Assim, verifica-se com a anestesia sucessiva de um hemisfério atrás do outro qual leva à perda da linguagem, sendo este o hemisfério dominante.

Dúvidas? Mande-me um e-mail ou comente abaixo.

Pequeno dicionário de termos médicos - Afasia

Afasia é o termo usado pelos neurologistas para definir distúrbios de linguagem, ou seja, problemas na produção, compreensão ou repetição de palavras ou frases.

Diferente da disartria, onde há prejuízo nos órgãos que emitem os sons, aqui o som sai normalmente, mas sai sem sentido, ou a palavra não é compreendida ou o paciente não consegue repetir palavras ou frases.

A afasia ocorre por lesões cerebrais. A disartria pode ocorrer por lesões tanto do cérebro como de várias outras partes do corpo, como já visto no post anterior.

Há vários tipos de afasia, assim como há várias áreas cerebrais responsáveis pela produção/compreensão da linguagem. Não iremos detalhar isso aqui ainda por ser de grande complexidade, mas basta saber que duas áreas cerebrais estão envolvidas, respectivamente, na produção e na compreensão da linguagem: a área de Broca, ou giro frontal inferior, e área de Wernicke, ou giro temporal superior. Aqui vão as duas áreas:


Essa imagem veio daqui: http://www.logopedia-granada.com/images/broca.gif

E quais são as causas de afasia?

1. Derrames (tanto isquêmicos como hemorrágicos) - As causas mais comuns. Afasia ocorre, em cerca de 90% das pessoas, com lesões do hemisfério cerebral esquerdo (considerado o hemisfério dominante, ou seja, o hemisfério da linguagem, mesmo nas pessoas canhotas e ambidestas, ou seja, que escrevem com as duas mãos). Lesões do hemisfério direito produzem, na maciça maioria das vezes, disartria.

2. Traumas cranianos - Ocorre afasia com lesões igualmente do lado esquerdo

3. Placas de esclerose múltipla - Lesões extensas podem, ocasionalmente, levar a afasia

4. Tumores cerebrais - Igualmente, do hemisfério esquerdo em 90% dos indivíduos