terça-feira, outubro 18, 2011

Cirurgia para doença de Parkinson?

A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum do mundo, perdendo somente para a doença de Alzheimer. Mas há uma grande diferença entre as duas doenças - a doença de Parkinson é tratável, apesar de não ser curável. 

O tratamento envolve basicamente o uso de medicações, as mais variadas, como os agonistas dopaminérgicos e a levodopa, esta última a medicação padrão-ouro (a melhor de todas quando se trata de efeito) para a doença, discutida em outro tópico deste blog. 

A doença de Parkinson, no entanto, evolui com o passar dos anos, e após vários anos, que podem demorar ou não, acabamos por nos encontrar em situações onde a medicação não leva a tanta melhora como levava antes por que já temos uma grande degeneração do núcleo chamado de substância negra, onde há os neurônios que produzem dopamina, o neurotransmissor mais importante na doença de Parkinson.

Além disso, e também com o passar dos anos, necessita-se aumentar a dose de levodopa e agonistas dopaminérgicos, e acabam por aparecer efeitos colaterais, sendo os mais frequentes as flutuações motoras (o paciente ora está ótimo, e de repente ou horas após fica rígido, como se não houvesse tomado a medicação), wearing-off, a perda progressiva do efeito (tempo de ação e efeito) da levodopa, e as discinesias, movimentos involuntários que aparecem com o uso de levodopa, quase sempre no final do efeito ou no pico do efeito da levodopa.

Nestes casos, pode-se optar por tratamentos que já estão consolidados e amplamente difundidos no mundo todo, os procedimentos cirúrgicos em doença de Parkinson. 

A cirurgia não é nova, na verdade é muito antiga, datando as primeiras cirurgias modernas dos anos 50 do século passado. Mas a descoberta da levodopa mudou o tratamento da doença, e a cirurgia ficou para segundo plano. No entanto, com os efeitos colaterais da levodopa cada vez mais frequentes e crescentes, a cirurgia apareceu novamente com alternativa fiel ao tratamento da doença. E funciona quando bem indicada.

E como são as cirurgias?

A cirurgia ablativa é simplesmente a realização de uma lesão em uma dada região cerebral, como um pequeno derrame, mas calculado, monitorizado, e feito para melhorar os sintomas da doença. Temos a talamotomia (feita em uma região chamada tálamo, e com o objetivo de controlar melhor o tremor, de preferência o tremor causado pela doença de Parkinson), a palidotomia (no glodo pálido interno, e com o objetivo de melhora global e melhora das discinesias, isto é, dos movimentos como dança descontrolada que ocorrem em alguns pacientes com doença de Parkinson após o uso da levodopa), a campotomia (feita para melhorar os sintomas globalmente, em uma região chamada de Campo de Forel), a subtalamotomia (também podendo melhorar os sintomas gerais, feita no subtálamo, isto é, abaixo do tálamo). Esta cirurgia é dita irreversível, pois a lesão não volta atrás. Os efeitos podem ser duradouros, mas podem diminuir com o tempo. É uma cirurgia segura nas mãos de quem tem experiência e segurança para realizá-la.

Já a estimulação cerebral profunda (ou DBS, sigla em inglês para Deep Brain Stimulation) é a colocação do marcapasso cerebral. Observe a figura abaixo, da simulação gráfica de um marcapasso: