domingo, março 27, 2011

Meningite em adultos


O cérebro é coberto não só por osso e pele, mas por três camadas de tecido chamadas de meninges. Elas envolvem o cérebro, e auxiliam não só na diminuição de traumas, mas evitando a entrada de elementos nocivos à saúde do cérebro, como bactérias e outros microorganismos.

Lá vai uma figura do cérebro com as meninges, para ilustrar o que quero dizer:



http://2.bp.blogspot.com/_ngfn-6Dg4Es/SwNRy6VpWLI/AAAAAAAAARg/iPnyATspQpI/s400/meningite.jpg
Mas em certas situações ocorre justamente a infecção destas estruturas chamadas de meninges, e daí vem o termo  Meningite. Há vários tipos de meningite, dependendo da causa, sendo que temos as bacterianas, as virais, as causadas por fungos, as assépticas (quando a causa não é por microorganismos, mas por inflamações outras), por tuberculose, etc...

Um quadro de meningite é sempre uma situação grave, pois leva a febre, nuca rígida, e alterações mentais. A meningite bacteriana é a forma mais grave. Geralmente evolui com febre alta, dor de cabeça, confusão, nuca bem rígida, sudorese, mal-estar geral, vômitos e aumento da pressão na cabeça. Seu diagnóstico deve ser imediato, e seu tratamento ainda mais urgente. Quanto mais tarde se der o antibiótico, mais sequelas o paciente poderá ter após o tratamento da doença.

As meningites virais são mais benignas, na maior parte das vezes. Seu tratamento inclui repouso, analgésicos, e hidratação. Evolui com febre (mais baixa que a bacteriana), rigidez de nuca, dor de cabeça e alterações mentais. Pode também ser grave dependendo da causa, e se há ou não acometimento do próprio cérebro (virando uma encefalite).

Logo, se alguém na sua casa estiver com febre, dor de cabeça, nuca difícil de fletir, confuso, leve-o imediatamente ao médico (não espere!), pois pode ser uma meningite.

O diagnóstico é feito pela retirada do líquido da espinha, que pode vir normal em aparência nas meningites virais, ou parecido com leite nas bacterianas (o líquor normal parece água mineral). Uma tomografia sempre é necessária nestes casos, e a entrada do antibiótico deve ser imediata.

sexta-feira, março 25, 2011

Mas o que é distonia?

Distonia é uma síndrome (ou seja, não é uma doença, mas sintomas que ocorrem em várias doenças diferentes) que se caracteriza por contrações musculares involuntárias, sustentadas, de vários músculos que fazem movimentos contrários de uma extremidade ou de uma parte do corpo.

Para você entender melhor, imagine seu braço. Há os músculos que trazem o antebraço em contato com o braço e o ombro (flexores como o bíceps) e músculos que fazem o contrário, afastam o antebraço do ombro e do braço (os extensores, como o tríceps). Quando o bíceps contrai, ou seja, você faz o "muque", o tríceps relaxa, e quando você estica o braço, o tríceps contrai e o bíceps relaxa. Agora imagine estes músculos agindo ao mesmo tempo, de forma forte e forçada, sem você querer - pois é, isso é a base fisiológica da distonia. E isso pode ocorrer no rosto, na boca, na língua, no braço, na perna, no tronco, etc...

Nos próximos artigos, falaremos algo sobre outros tipos de distonia além da cervical.

Distonia cervical - Princípios para o leigo e o paciente

Distonia cervical (DC) é uma desordem neurológica de causas ainda desconhecidas e múltiplos desencadeantes, desde traumas periféricos e lesões cerebrais até a inexistência destes.
Caracteriza-se pela presença de movimentos involuntários do pescoço em várias posições e planos, podendo estes movimentos ser posturas fixas ou movimentos dinâmicos, havendo dor que muitas vezes domina o quadro clínico.
É uma desordem socialmente embaraçante, que faz com que muitos pacientes decidam se isolar de seu familiares, amigos e atividades, levando a transtornos psíquicos e depressão.

Como todas as doenças neurológicas, a distonia cervical não está isenta de pesquisas e mais pesquisas atrás de uma cura, ou pelo menos de um alívio dos sintomas, especialmente a dor, que em muitos pacientes parece ser a fonte maior de sofrimento.

Há várias medicações utilizadas com esse intuito, como os relaxantes musculares (tanto os de farmácia como o baclofen), anticolinérgicos e benzodiazepínicos, como o clonazepam e o diazepam. Mas a medicação que mais faz efeito nestes casos é mesmo a toxina botulínica.
O termo distonia cervical é um guarda-chuva, que abriga várias condições, que têm em comum movimentos involuntários da musculatura do pescoço, podendo evoluir para outras áreas, como ombros, membros superiores ou face. Ainda, a distonia cervical pode fazer parte de um quadro mais amplo, que pode ter se iniciado na face ou membro superior.

Várias são as doenças neurológicas que cursam com distonia cervical. Muitas ocorrem na infância e adolescência, e outras na vida adulta. Várias desordens genéticas, como a doença de Wilson e a doença de Hallervorden-Spatz podem se manifestar como distonia cervical. Traumas cervicais, lesões medulares ou cranianas, siringomielias podem se manifestar como distonia cervical. Logo, deve-se fazer o diagnóstico da causa, se houver, juntamente com o plano terapêutico.

Como já foi comentado, há vários tipos de distonias cervicais, sendo o mais comum o tipo onde há uma rotação da cabeça, ou para a direita ou para a esquerda. A este tipo de movimento, dá-se o nome de torcicolo (por favor, diferencie do torcicolo que se tem quando se dorme de mal jeito ou se dá um "jeito" no pescoço. Nestes casos, ocorre dor intensa e postura anormal, mas o quadro é agudo e resolve em horas a dias, e não costuma tornar a aparecer). Geralmente há, acompanhando este movimento, dor que pode ser de leve a intensa, em alguns pacientes sendo mais grave que o próprio movimento involuntário.

Em vários pacientes com torcicolo, há também o que chamamos de laterocolo, ou tilt, um desvio da cabeça para um dos lados, que pode ser leve a grave. Este tilt tende a ser contralateral ao torcicolo (torcicolo para direita, tilt para a direita, e vice-versa).

O paciente queixa-se de dificuldade para virar a cabeça para o lado contrário ao torcicolo, e há em alguns pacientes tremor em negação (de um lado para o outro) que é melhor quando o paciente vira a cabeça para o lado da distonia, e piora quando vira a cabeça para o lado contrário. O tremor tende a bater para o lado da distonia.

Laterocolo é o desvio da cabeça fazendo com que a orelha fique mais próxima do ombro. Pode ser para a direita ou para a esquerda, e pode vir acompanhado de elevação do ombro do mesmo lado do desvio. Leva a bastante dor por tensão do músculo elevador da escápula, um pequeno músculo localizado na parte de trás do pescoço e que auxilia a levantar o ombro, e do músculo trapézio, que vai da nuca até o meio das costas de ambos os lados.

Esta forma de distonia cervical resume-se a um deslocamento cervical para a frente, tanto um deslocamento anterior como uma queda do pescoço. É a forma mais difícil de tratar, pois os músculos envolvidos são profundos, e de difícil aplicação com a toxina botulínica.

Devido aos vários diagnósticos diferenciais, incluindo doenças musculares (miopatias), miastenia gravis, síndromes miastênicas (com fraqueza muscular), doença de neurônio motor (como a esclerose lateral amiotrófica e a atrofia espinhal progressiva, além da atrofia bulbar progressiva), derrames ao nível do bulbo, doenças da coluna cervical, como malformação de Arnold-Chiari e siringomielia, e outras, deve-se fazer um extenso estudo, com ressonância de crânio e cervical e eletromiografia, ao menos que exames acurados demonstrem contrações distônicas que favoreçam o diagnóstico clínico. O tratamento é o mesmo das outras formas de distonia cervical.
Retrocolo é a forma antagônica do anterocolo, ou seja, desvio posterior do pescoço para trás, por contrações tônicas, involuntárias do pescoço, que o trazem forçadamente para trás, com dores e contrações de vários músculos cervicais. Estes movimentos pioram muito quando o paciente anda ou escreve, e com movimentos como falar e engolir, e podem melhorar completamente quando o paciente deita de costas ou de frente, apoia-se em uma parede ou segura a cabeça por detrás com a mão, o que denominamos truque sensitivo, e que pode ocorrer em qualquer forma de distonia cervical.

Seu tratamento consiste na aplicação de toxina botulínica nos músculos afetados, mais comumente os músculos localizados na parte posterior do pescoço, como o trapézio, elevador da escápula, semiespinhais do pescoço e da cabeça, e longuíssimos do pescoço.

Parkinsonismo - O que é?

James Parkinson foi um médico de uma comunidade rural da Inglaterra, que em 1817 publicou um livro relatando 6 casos de uma nova doença por ele descoberta, e a qual ele chamou de "paralisia agitante". Alguns anos após a morte de James Parkinson, o considerado Pai da Neurologia, Jean Martin Charcot chamou a doença de Doença de Parkinson. Os sintomas mais importantes desta doença são:
1. Tremor de repouso (quando o membro, braço ou perna. está descansando, ao longo do corpo, sobre uma cadeira, ou quando não está em movimento);
2. Lentidão (a chamada bradicinesia);
3. Rigidez (endurecimento das articulações que ocorre na doença);
4. Instabilidade postural (quedas e risco de quedas).

Mas outras doenças podem causar estes sintomas, não só a doença de Parkinson, e a estas doenças chamamos de parkinsonismos (ou seja, parkinsonismo é a ocorrência de bradicinesia com tremor de repouso e/ou rigidez, podendo haver quedas).

Entre os parkinsonismos, temos a própria doença de Parkinson, chamada de parkinsonismo primário (sem causa definida). Há outras formas, como:

1. Secundário - Causado por medicações, como os antipsicóticos e algumas medicações para labirintite, causado por traumas ou infecções da cabeça, ou exposição a tóxicos e drogas, ou causado por derrames, ou por hidrocefalia (acúmulo anormal de líquido na cabeça, ou causado por tumores, etc...)
2. Atípico - Doenças que parecem a doença de Parkinson, também sem causa, mas não são a doença de Parkinson (temos quatro doenças neste grupo, e poderemos falar delas após)
3. Heredodegenerativo - São os casos que acompanham outras doenças neurológicas, ou seja, o parkinsonismo não é o sintoma principal da doença, mas faz parte dela.
4. Genético - Algumas formas de doença de Parkinson podem ser causadas por mutações genéticas

Parece complicado, mas na verdade é simples. Com um pouco de paciência, qualquer neurologista pode explicar isso ao paciente sem preocupações.

quinta-feira, março 24, 2011

Saiba o que é a doença de Parkinson

Doença de Parkinson (DP) é a segunda doença neurodegenerativa mais comum do mundo (perde somente para a doença de Alzheimer (DA)), e suas características são bem diferentes das da DA. Na DP, o que se observa é tremor ou rigidez/lentidão de movimentos, que geralmente se iniciam de um lado só, e pouco a pouco (meses a anos) se espalham para o outro lado.

Os primeiros sintomas podem sr leves, que às vezes somente um observador bem cuidadoso pode ver, como um tremor bem pequeno e leve de um braço quando o paciente anda, ou o arrastar de uma perna, bem devagar e leve, ao caminhar, ou o não balançar um dos braços ao se caminhar, ou uma psotura do tronco levemente curvada para a frente, ou a falta de piscamento, ou de mímica facial, ou uma combinação destes sintomas.

A doença evolui bem lentamente, geralmente em 15 a 30 anos (bem variado mesmo), e pode levar a incapacidade progressiva e lenta. Mas o tratamento pode melhorar a qualidade de vida e fazer o paciente viver de forma normal ou quase normal por vários anos.

Cerca de 10 a 15% dos casos são genéticos (não necessariamente hereditários, ou seja, está nos genes mas pode não passar de geração para geração). O resto não tem causa conhecida, e muitas possibilidades existem quanto a causas da DP.

No próximo artigo, falaremos mais da DP e depois, em outros artigos, de doenças que simulam a DP.

terça-feira, março 22, 2011

Demências secundárias

Demências secundárias são as que possuem causa definida quando são bem investigadas. As causas variam, e a mais comum é doença vascular cerebral (derrame cerebral). Derrames podem causar demência, e não necessariamente precisam ser muitos derrames. Pode ser que um derrame único, mas grande ou localizado em uma região importante do cérebro leve a demência, ou pode ser que múltiplos derrames, ou múltiplos pequenos derrames ocasionem os sintomas de demência.

Hipotireoidismo (tireóide funcionando abaixo do normal) pode causar alentecimento mental, sonolência, moleza, sintomas semelhantes a depressão, e mesmo demência, em especial em idosos. A mesma coisa pode-se falar da sífilis, doença antiga, da época dos antigos gregos, e que ainda existe em nosso meio, causada por uma bactéria em forma de bastão alongado chamada de Treponema pallidum. Sua transmissão é por meio geralmente sexual (sexo sem camisinha com pessoas portadoras de sífilis), mas uma mãe com sífilis pode transmitir a bactéria para o feto durante a gestação. A sífilis possui três fases, chamadas de primária, secundária e terciária, essa levando anos ou décadas para se manifestar, e pode ocorrer como demência.

Traumas cranianos podem levar não só a lesões cerebrais (contusões e concussões), como podem levar à formação de hemorragias (hematomas) tanto dentro do cérebro (intraparenquimatosas) como fora dele (hematomas epidural, o mais externo; subaracnóideo, localizado no compartimento onde flui o líquido da cabeça; e o subdural, esse o mais comum em idosos). O diagnóstico é facilmente feito através de uma tomografia de crânio, quando pela história e pelo exame o médico suspeita de hematoma cerebral.

Meningites crônicas como as causadas pela tuberculose ou outras doenças crônicas, e infecções cerebrais durante a infecção pelo HIV (AIDS) também podem causar demência. Nestes casos, após uma tomografia de crânio, deve-se fazer um líquido da espinha atrás de anormalidades que indiquem a causa do problema.

Epilepsia pode ser causa de demência? Não necessariamente, mas crises contínuas, ou seja, que não param, e que podem persistir por dias mesmo sem abalos ou mesmo sem o paciente se debater (chamadas de status epilepticus não convulsivo) podem ocorrer e levar somente a confusão mental persistente, sendo o diagnóstico feito através da suspeita pela história e pelo exame clínico, e por um eletroencefalograma.

Outras doenças mais raras podem levar a demências secundárias. E nem sempre uma demência secundária é tratável. A investigação deve ser pormenorizada, feita logo que se detecta o problema, para que as consequências sejam mínimas. E a investigação deve ser feita por um neurologista.

Demência - Definições para o leigo

Demência é uma condição em que ocorre progressiva perda de funções mentais que antes eram normais. Ou seja, ocorre perda de memória e/ou de cálculo e/ou de orientação espacial (incapacidade de se orientar em locais antes conhecidos) e/ou reconhecimento de pessoas e/ou capacidade de comunicação verbal (linguagem, tanto falar o que se quer quanto entender o que nos é falado) e/ou modificação de personalidade ou comportamento, e outros tantos sintomas que podem ocorrer. Perceba que o e/ou significa que pode haver uma combinação de déficits em uma mesma pessoa.

Como disse no início, estas perdas são progressivas, ou seja, demência não ocorre de uma hora para outra. Em casos nos quais o paciente, geralmente idoso, tem alterações agudas ou subagudas (horas a dias) de suas funções mentais, denomina-se delirium ou estado confusional agudo (não confundir com delírio, que é um sintoma psiquiátrico), e é um quadro urgente, tendo o paciente que ser visto imediatamente por um médico, pois as causas são variadas, podendo ser graves, como infecção pulmonar ou renal, ou mesmo um derrame, e são geralmente tratáveis, se não curáveis. Já a demência geralmente evolui por meses a anos, é causada por doenças de evolução geralmente lenta, sua evolução não é súbita, e a maior parte dos casos não tem cura.

Pacientes demenciados podem ter piora aguda de sua demência, ou seja, podem ter um quadro de delirium, que pode ser causado por infecção pulmonar, renal, escara infectada, gripe ou qualquer doença infecciosa aguda, problemas de sangue (queda de sódio ou cálcio), ou insuficiência renal. Ou os pacientes pode ter crise convulsiva, derrame ou outras doenças agudas durante a demência, o que pode complicar o quadro.

Entre as demências, temos as chamadas primárias e as secundárias. As primárias são as que não se conhece a causa. São principalmente a doença de Alzheimer, e uma doença rara chamada de demência fronto-tempoal (falaremos sobre ela em outro tópico).

Entre as demências secundárias, a mais comum é a demência vascular (causada por um ou vários derrames). Há também a demência causada por problemas de tireóide, hematomas da cabeça, traumas cranianos, hidrocefalia (aumento dos compartimentos de líquido da cabeça), tumores cerebrais, sífilis, deficiência de vitamina, alcoolismo, e outras causas mais raras.

domingo, março 20, 2011

Memória - Os segredos que ela guarda

Nos dias de hoje, raras são as pessoas que possuem memórias fantásticas, capazes de guardar um sem-número de informações, e mais ainda, de se lembras de todas. Bem, os nossos dias atuais testemunham um quadro bem menos animador. Pois quantos são os pacientes que me chegam ao consultório com a seguinte queixas:

"Doutor, estou muito esquecido (a)"...

Mas afinal de contas, por que isso ocorre? Quais os motivos desta epidemia de perda de memória?
Muitos, pelo menos os mais pessimistas, poderão afirmar: "Perda de memória é igual a doença de Alzheimer!". Pois eu digo que isso é uma falácia, ou seja, não é verdade!

Muitos são os pacientes jovens que me chegam com queixas de que colocam coisas em um lugar, e esquecem de onde colocaram a bendita coisa. Ou que leram um capítulo, ou uma página, e não se lembram de nada. Mas vão ao consultório sós. Sabem sair e chegar em casa. Sabem onde estão, não se perdem nas horas ou nos dias da semana, e lembram de suas queixas, detalhe por detalhe. Pois aí está o lance da questão.

Perda de memória causada por doença de Alzheimer, ou uma demência qualquer, é quadro grave, progressivo, que leva a perda de memória e mais alguma coisa, como incapacidade de se localizar, confusão, déficit de cálculo (um contador que não sabe mais operar uma calculadora ou se perde no cálculo de imposto de renda, que antes fazia bem). Mas mais importante, doença de Alzheimer é raro em pessoas abaixo de 50 anos.

Ah, mas há várias outras demências, não existe só doença de Alzheimer! Perfeito, e é por isso que no consultório, ao mencionar esta queixa, devemos levá-la em consideração, tirar uma história clínica adequada, fazer um exame completo ou pelo menos direcionado, e com base na existência de sinais que apontem para uma doença orgânica, solicitar exames, como hemograma, provas de função de fígado e de tireóide, ou níveis de vitamina B12. Uma tomografia de crânio pode ser solicitada para os casos mais preocupantes.

Mas ainda não respondi à pergunta inicial. Qual a causa desta epidemia de perda de memória?
A resposta é: Estresse, ansiedade, irritabilidade, agitação, perda de concentração, incapacidade de se concentrar em uma tarefa só, uso de drogas em algumas pessoas, má alimentação, perda de sono ou sono não reparador (a pessoa dorme à meia-noite para acordar estressada para trabalhar em um emprego maçante e massacrante às 05:00 horas da manhã, e volta para casa cansada às 20:00 horas depois de pegar três ônibus para chegar em casa, o que lhe custou só de viagem 2 horas). Ou seja, é o mundo de hoje, moderno, neoliberal, agressivo, exigente, massacrante, que nos consome, que causa vários sintomas dentre os quais enquadra-se a perda de memória.

Mas se você queixa-se de estar esquecido, vá ao médico. Veja se não é nada grave, por que muitas vezes há uma doença envolvida em sua vida agitada. Fale ao médico tudo o que você sente, todos os sintomas, quando começaram, a intensidade, se pioraram ou se melhoraram, e com o quê melhoraram ou pioraram. Quanto mais informação o médico tiver de sua doença, mais rápido e eficazmente ele chega ao seu diagnóstico.

E só quem tem a ganhar é você.

Medicações para prevenir a enxaqueca

Em certas situações, deve-se usar medicações de uso diário para evitar que as dores da enxaqueca venham, ou que venham dores fortes. Estas são as medicações chamadas de preventivas, ou profiláticas. Devem ser usadas quando o paciente assim o desejar, quando o paciente tiver uma ou mais crises incapacitantes e intensas ao longo do mês, ou quando houver, mesmo que leves, várias crises ao longo do mês.

Estas medicações são prescritas para diminuir a frequência e a intensidade da dor. Há várias medicações à disposição no mercado, e cada uma tem seu perfil de efeitos colaterais, de contra-indicações, e de doses. Citaremos as mais comumente usadas.

1. Citrato de magnésio - Usada ocasionalmente, pode ser útil em alguns pacientes, especialmente, na opinião do autor, nos pacientes com crises ocasionais e leves a moderadas. O efeito colateral mais comum é constipação intestinal.

2. Flunarizina - Usada bastante, é útil para crises leves a intensas. Pode ser usada em comprimidos ou gotas. Seus efeitos colaterais mais comuns são sonolência, aumento de peso (pode ser controlado por dieta), e tremor (este, se ocorrer, deve prontificar o médico a retirar a medicação imediatamente. Em doses baixas não costuma causar este tipo de efeito).

3. Pizotifeno - Bastante usado, especialmente em jovens, tem a desvantagem de causar grande excesso de peso, mas é eficaz.

4. Amitriptilina e nortriptilina - Eficazes, são antidepressivos potentes no tratamento da enxaqueca. Usados geralmente ao deitar. Eefeitos coletarais mais comuns são boca seca, constipação, sonolência, aumento de peso. O autor acha prudente o médico pedir um eletrocardiograma antes de prescrever estas medicações por conta de efeitos raros, mais possíveis, destas medicações sobre o coração.

5. Propranolol e atenolol - São medicações que, apesar de usadas para tratar arritmias e pressão alta, são muito, mas muito bons para enxaqueca. Devem ser usados, entretanto, com cautela, pois podem causar queda de pressão. Podem causar ainda insônia, e alguns raros pacientes referem sintomas de depressão com esta medicação. Não devem ser usados, especialmente o propranolol, em asmáticos e portadores de enfisema ou bronquite causada pelo fumo.

6. Ácido valpróico, valproato de sódio e divalproato de sódio - São anticonvulsivantes de uso global na enxaqueca, eficazes em todas as intensidade e frequências. Podem causar raramente, quando bem indicados, problemas de fígado (deve-se medir enzimas hepáticas pelo menos a cada 3 meses), sonolência, aumento de peso, queda de cabelo. Podem dar mal-estar, mas pode este sintoma ser passageiro. Pacientes com doenças do fígado, etilistas e portadores de cirrose não podem usar esta medicação.

7. Topiramato - Outro anticonvulsivante muito bom para as crises, pode causar formigamentos temporários nas mãos, pés e ao redor da boca (sintoma comum e benigno), perda de memória (ocasionalmente, mas pode ser severo a ponto de se ter que parar a medicação), e pode causar cálculo renal (logo, o autor recomenda que se faça um exame de ultrassonografia de rins e vias urinárias antes de se usar esta medicação; em pacientes com história pessoal ou familiar de cálculo, mas sem pedras atualmente, todo o cuidado aqui é pouco).

8. Gabapentina - Outro anticonvulsivante, é razoavelmente eficaz na enxaqueca, e pode causar aumento de peso, sonolência e mal-estar.

9. Toxina botulínica - Iremos discutir sobre ela em tópico a parte.

O que o autor quer não é ensinar as medicações aos pacientes, e muito menos tornar-los capazes de discutir com o médico qual a melhor medicação para si. O que quero é alertar o paciente de que enxaqueca tem tratamento, apesar de aparentemente não ter cura, e mostrar as principais medicações usadas. Quem deve diagnosticar, decidir qual medicação usar, e monitorar o seu uso é o neurologista.

Ah, e na humilde opinião do autor deste artigo, o tratamento, para ser eficaz, deve durar pelo menos 1 ano.

sábado, março 19, 2011

Como prevenir a enxaqueca

Enxaqueca, definida como uma cefaleia unilateral, latejante, em que a luz e o barulho incomoda, podendo ter náuseas, vômitos e tontura, durando de 4 a 72 horas, e vindo com sintomas visuais, pode ser evitada (prevenida).

Inicialmente há considerações não medicamentosas a serem discutidas:
1. O paciente portador de enxaqueca (sim, enxqaqueca não aparece do nada, como uma dor de cabeça que vem há 15 dias, mas é uma doença que comumente aparece entre a adolescência e o início da vida adulta, podendo acometer crianças e mesmo pessoas mais velhas) não deve perder horas de sono, nem dormir a mais do que costuma, mesmo em domingos e feriados, pois isso pode acarretar uma crise.
2. O paciente não deve perder refeição, e deve se alimentar, de preferência, em pequenas porções a cada 3 horas, auxiliando assim o metabolismo, inclusive prevenindo a obesidade. Perder refeições pode significar dores e crises mais fortes.
3. O paciente não deve se expor excessivamente ao sol, devdndo usar óculos escuros e chapéus de aba larga, especialmente se for passar longas horas embaixo do sol, como em filas de parques de diversão ou na praia.
4. O paciente não deve ingerir álcool de forma regular e nem em doses elevadas, pois pode estar em uso de medicação com a qual o álcool pode interagir, podendo dar efeitos colaterais (consideração mais importante para o ácido valpróico, o valproato de sódio e o divalproato de sódio).
5. O paciente deve conhecer se há algum alimento que provoque uma crise, e deve evitá-lo. Os alimentos mais comumente associados a crises são:
a. Chocolate
b. Doces e açúcar cristal
c. Frituras
d. Embutidos
e. Condimentos industrializados, como ketchup e mostarda
f. Salsichas e enlatados
g. Castanhas e nozes
Há outros alimentos, a depender do paciente. Já vi pacientes que tinham dores com o consumo de pepino ou melancia. E tenho paciente que não têm problemas com alimentos. Logo, revise sua vida, e veja se há algum alimento que você deva evitar, pois se houver, seu consumo pode desencadear uma crise.

O que usar nas crises de enxaqueca?

Como já dissemos anteriormente, ter dor de cabeça é muito, mas muito desagradável. A vontade de acabar com a dor é maior que a capacidade de discernir o que é bom e o que não é bom para tomar, especialmente quando não temos conhecimento do que estamos tomando. Logo, vamos esclarecer alguns detalhes:

1. Analgésicos, como aspirina, cetoprofeno, ibuprofeno, naproxeno, ketorolaco, e outros nomes são bons para acabar com uma crise de cefaleia, mas não devem ser usados em excesso (ou seja, mais do que 2 ou a 3 comprimidos POR SEMANA, isso mesmo, SEMANA!). O risco é você levar a uma cefaleia chamada de cefaleia por abuso de analgésicos, que costuma ser leve a moderada, mas pode ser intensa, e píor, diária ou quase diária.

2. Os famosos alcalóides do ergot, tão usados por aí afora (ergotamina e congêneres), também auxiliam na crise, mas cuidado. Não devem ser usados mais do que 2 a 3 comprimidos por semana da mesma maneira que os analgésicos, por conta da piora das dores, mas também podem, em cardíacos, causar angina, dores no peito, e mesmo infarto do miocárdio. Logo, se você é cardíaco ou já teve infarto, comente isso com seu neurologista antes de lhe prescrever uma medicação.

3. Os triptanos são os melhores, comprovadamente mais eficazes nas crises. São o sumatriptan, o rizatriptan, o naratriptan, o elatriptan, o fovratripan, e o zolmitriptan. Mas também padecem dos mesmos riscos dos medicamentos anteriores. Fora isso, não devem nunca ser usados por cardiopatas ou pacientes que tiveram infarto ou angina, e nunca devem ser usados junto com os ergotamínicos, pois podem desencadear infarto ou isquemia do coração.

No próximo artigo, falaremos sobre as medicações preventivas de enxaqueca.

sexta-feira, março 18, 2011

A pior dor de cabeça da vida

Dor de cabeça realmente não é bom. Em artigos anteriores, demonstrei a diferença entre alguns tipos de dores primárias. Hoje, quero comentar sobre um outro sintoma, A PIOR DOR DE CABEÇA DA VIDA.

Ocasionalmente encontramos, especialmente em serviços de emergência, pacientes que se queixam de uma cefaleia (dor de cabeça para os que ainda não leram os artigos anteriores) que se iniciou de forma súbita, de um segundo para o outro, de forma já intensa, a pior dor da vida, e que persiste, podendo mesmo levar a desmaios ou crises convulsivas. 

Estas crises não costumam piorar, pois já se iniciam de fortíssima intensidade, daí chamadas de cefaleias em trovoada (thunderclap headache). A causa mais comum (e mais grave) é a ruptura de um aneurisma cerebral, mas há outras causas como tromboses cerebrais (quando uma veia do cérebro entope, especialmente em pacientes fumantes), derrames, lesões arteriais do pescoço, e mesmo casos primários (cefaleia em trovoada primária).

Mas o aneurisma é o que preocupa mais, tanto os médicos como os pacientes e seus familiares, e deve ser afastado. 

Observe abaixo um aneurisma cerebral e sua ruptura:

https://encrypted-tbn1.google.com/images?q=tbn:ANd9GcS6ELPnk3qrRjCbuaihXS19JDF1TtsDhDziRqkccaHmB1EJVIvcJw
Observe que o aneurisma é uma dilatação da artéria, e que pode, como na figura abaixo, romper e levar a extravasamento de sangue para o cérebro (hemorragia parenquimatosa) ou para as estruturas ao redor do cérebro (hemorragia subaracnóidea).

https://encrypted-tbn0.google.com/images?q=tbn:ANd9GcSi_0QxXO_CuIq8Cc8hJcvlqh-IsLszo2jWS1N3sDcLLIgbKRINwA

Logo, nestas situações, a primeira coisa a fazer é ir a um pronto-socorro (PS) imediatamente e fazer uma tomografia de crânio a procura de sangramento cerebral. Caso a tomografia seja normal, deve-se colher o líquido da espinha lombar à procura de sangue na cabeça. Este diagnóstico deve ser perseguido com afinco pelo médico, pois pode salvar vidas (o aneurisma pode ser clipado ou fechado, e não romper mais, o que poderia matar o paciente).

Logo, se você sentir este tipo de dor, ou algum parente ou amigo seu, vá ou leve-o imediatamente a um PS.

E você sabe quais são os dois fatores de risco mais comuns para um aneurisma cerebral? São a pressão alta e o tabagismo (fumo). Logo,faça um favor a si próprio, se você fuma, tente parar de fumar, e faça um bem a sua saúde.

Crise convulsiva - primeiros socorros

Uma crise convulsiva é um evento catastrófico e perturbador, tanto para quem sofre como para quem assiste. Especialmente se quem tem a crise é um parente ou amigo próximo. Por isso mesmo deve-se saber cuidar do paciente durante e após a crise, para prevenir acidentes e doenças causadas pela aspiração pulmonar de secreções.

Uma crise convulsiva é caracterizada por abalos musculares difusos com perda total da consciência, sialorreia (baba), mordedura de língua com sangramento, e eventualmente laceração lingual, e incontinência urinária (o paciente urina na calça). Após a crise, é comum e natural o paciente ficar sonolento, confuso, e mesmo agressivo, o que pode durar horas.

Na crise, se o paciente estiver sentado ou em pé e você estiver junto dele, ajude-o a cair, amortecendo a queda. Coloque o paciente de lado, com a cabeça pendendo para baixo, de modo a fazer cair a língua para fora e impedir a mesma de entupir a entrada de ar (não coloque os dedos na boca do paciente para livrar a garganta da língua - além de anti-higiênico, o paciente pode contrair a mandíbula fortemente e lesar gravemente seus dedos). Com o paciente nessa posição, imediatamente coloque objetos macios ao seu redor e embaixo de sua cabeça para evitar traumas, como travesseiros ou almofadas. Evite contato com objetos pontiagudos ou duros, o que pode machucar o paciente. Não segure o pescoço do paciente, para eviatr fraturas que podem complicar o quadro, e não segure os braços ou pernas do paciente, pois ele ou você podem sair lesados desse evento. Ao invés, deixe-o se batendo até a crise acabar.

A crise deve durar cerca de 1 minuto. Após acabar, chame imediatamente uma ambulância. Uma crise que dure mais de 3 a 5 minutos é uma emergência médica, e deve ser socorrida por médicos ou no hospital o mais rápido possível.

Se somente você estiver em casa com o paciente, mantenha sempre a calma, o que é essencial nessas horas, e chame o serviço de atendimento médico tão logo a crise acabe. Caso esteja você e mais outras pessoas, solicite a uma delas (maior de idade) que acione o serviço de atendimento médico de urgência.

Lembre-se: Se você é epiléptico, tome suas medicações corretamente, conforme a prescrição médica, e evite perder ou deixar faltar medicação, ou perder horário de tomada, o que pode fatalmente desencadear crises.

quinta-feira, março 17, 2011

Crise epiléptica vs Epilepsia vs Convulsão

Crise epiléptica é quando ocorre uma descarga cerebral em um grupo de neurônios por vários motivos, quer seja idiopática (sem causa definida, como ocorre em vários casos de crianças e alguns casos de adultos), por febre (como ocorre em crianças de menos de 4 anos de vida com febre alta), por medicações (sim, alguns remédios podem levar a crise epiléptica, logo não se auto-medique), a trauma craniano (como em acidentes), ao uso de álcool, a derrames, tumores cerebrais, etc...

As crises podem ser únicas ou várias. Crises únicas podem ser de várias causas, mas uma boa parte dica sem diagnóstico. Agora, quando o paciente tem mais de uma crise epiléptica espontânea, ou seja, não precisou bater a cabeça, nem ter derrame, nem usar medicações ou drogas ou álcool, ou ter febre, ou qualquer outra coisa para ter a crise (o cérebro já tem uma área doente, que descarrega independentemente de qualquer coisa), daí chamamos de epilepsia, e temos de dar medicações para controlar as crises.

Uma crise epiléptica pode ter várias formas de apresentação, desde uma parada do olhar (ausência, quando em crianças ou raramente em adultos), uma torsão ou abalos de um braço, perna ou parte do rosto, ou uma perda de consciência, até a famosa crise de abalos, em que o paciente se bate, baba, e pode morder a língua. A estas últimas crises epilépticas mais violentas, intensas, e dramáticas, chamamos de crise convulsiva, ou mais laicamente convulsão.

segunda-feira, março 14, 2011

Como prevenir um AVC?

O AVC é uma doença causada por lesões vasculares do cérebro, ou quando há um entupimento de vasos (isquemia) ou uma lesão vascular e extravasamento de sangue para o cérebro (hemorragia).

A isquemia cerebral é a forma mais frequente de AVC, e os fatores de risco mais comuns são:

1. Pressão alta (hipertensão anterial sistêmica)
2. Diabetes
3. Fumo (Tabagismo)
4. Uso excessivo de álcool
5. Sedentarismo
6. Colesterol elevado (hipercolesterolemia)
7. Obesidade
8. Fatores genéticos (mãe ou pai tiveram AVC's em idade precoce, ou seja, abaixo dos 50 anos, o que pode sugerir doenças genéticas como a causa do AVC)
9. Fatores mais raros, como vasculites (doenças reumáticas), trombofilias (doenças caracterizadas por coagulação do sangue em excesso), etc...
10. Uso de drogas (cocaína, crack)

Já a hemorragia cerebral, que pode ser no próprio cérebro (parenquimatosa), ou no espaço subaracnóide que envolve o cérebro (a famosa hemorragia subaracnóidea do aneurisma), tem como fatores de risco principais:

1. Hipertensão arterial
2. Tabagismo
3. Uso excessivo de álcool
4. Doenças renais (insuficiência renal)
5. Uso de drogas (cocaína, crack)
6. Genético

Como você pode ver, há fatores de risco tratáveis (e passíveis de prevenção) e não tratáveis. Previna-se, evitando obesidade, hipertensão, diabetes, fazendo atividade física regular, evitando o fumo e o uso em excesso de álcool.

Alguns vão falar - meu parente fazia tudo isso e morreu de AVC (ou infarto). Pois bem, como disse há fatores de risco não tratáveis (não preveníveis), como os fatores genéticos, o sexo (masculino mais frequente) e a idade (mais frequente em pessoas maos velhas). Esses casos realmente não são passíveis de prevenção, e podem acometer até os mais saudáveis, mas esses são a EXCEÇãO, e não a regra.

domingo, março 13, 2011

AVC? Corra ao hospital o quanto antes!

AVC (Acidente Vascular Cerebral) é um evento vascular em que há lesão cerebral por falta de sangue em um local do cérebro (isquemia) ou extravasamento de sangue no cérebro (hemorrágico). O isquêmico é o mais comum. Um AVC ocorre de uma vez, é súbito. E é algo que pode ser evitado (a ser discutido em um artigo posterior), mas também pode ser tratado.

O paciente pode ter o AVC acordado, com os amigos ou parentes, sou só em sua casa, o que gtorna as coisas mais difíceis (não dá para prever essas coisas), ou pode ter o evento dormindo, e acordar com o déficit, o que também dificulta as coisdas pois não sabemos quando o evento começou.

Se você ou seu parente/amigo estiver tendo um AVC, vá imediatamente a um hospital, pois o diagnóstico deve sre imediato, com avaliação neurológica, exames de sangue, e tomogtrafia de crânio. Feito o diagnóstico de AVC, pode-se usar no paciente uma medicação chamada de r-TPA, que consegue reveter uma boa parcela dos casos de AVC, com pequenos riscos de hemorragia na dependência de critérios de exclusão que devem ser avaliados pelo médico que atende no PS do hospital.

Não espere os sintomas passarem, vá a um médico o quanto antes por que você pode perder a chance de melhorar e evitar sequelas.

E quais são os sintomas de um AVC?

São variados - dependem dos locais cerebrais acometidos. Mas os mais comuns e mais bem identificados pelos pacientes são fraqueza de um lado do corpo (rosto/braço e/ou perna), perda de sensibilidade ou formigamento/dormência, dificuldade para falar ou para engolir, perda de fala (paciente não mais consegue falar ou fala coisas desconexas), perda de visão ou perda de equilíbrio.

Quando uma dor de cabeça realmente preocupa

Dor de cabeça (cefaleia) é um sintoma tão, mas tão comum, que quando vem incomoda mas deixamos de lado e esperamos passar. Não é verdade? Bem, mas há situações em que a dor de cabeça pode ser séria o suficiente para necessitar de apoio médico imediato ou urgente. Essas situações nas quais a dor deve ser identificada de imediato chamam-se Red Flags, dando-se a entender que são "bandeiras vermelhas" de algo grave ocorrendo na cabeça. São estes:

1. Dor de cabeça que começa de uma vez, a pior que o paciente já teve, a mais forte, aquela que o paciente nunca sentiu igual. Essa chama-se de cefaleia em trovoada (thunder headache) e deve ser investigada de imediato, pois pode significar sangramento cerebral.

2. Dor de cabeça nova, diferente de todas as que você já teve. Mesmo se você já tem dor há muito tempo, mas se a dor atual é completamente diferente, em oiutra localização, ou de forte intensidade (maior que usual), deve ser inevstigada.

3. Cefaleia com febre deve ser sempre investigada o mais rápido possível, especialmente se há dificuldade para dobrar o pescoço, pois assim como pode ser só uma sinusite ou uma amigdalite, pode ser também uma meningite.

4. Cefaleia com perda visual deve ser investigada o quanto antes, sempre.

5. Cefaleia com fraqueza, perda de coordenação, perda de sensibilidade, peda de fala ou equilíbrio, visão dupla ou dificuldade ‘a fala deve ser investigada imediatamente.

6. Cefaleia nova em paciente com doenças crônicas como doenças reumáticas ou câncer deve ser ivestigada de imediato.

7. Cefaleia com lacrimejamento, queda de pálpebra, secreção nasal do mesmo lado da cefaleia, ou alterações oculares deve ser investigada logo.

8. Cefaleia que precede uma crise convulsiva deve sempre ser investigada.

9. Cefaleia nova, recente, sempre do mesmo lado deve ser investigada.

Os casos descritos acima exemplificam quando uma dor de cabeça deve prontificar o apciente a procurar um médico urgente, e não esperar em casa o quadro passar.

No consultório do neurologista

O neurologista é o médico que lida com as doenças do cérebro, da medula espinhal, e dos nervos e músculos.
Estes sistemas são bastante complexos, e as doenças que os envolve também o são. Logo, é necessário que um bom neurologista tire do paciente uma boa história clínica.
A história clínica é a entrevista que o médico faz com o paciente, visando tirar o máximo de informações possível do paciente para compor um diagnóstico ou possíveis diagnósticos, e já pensar em exames a serem solicitados, se necessitarem, e em um tratamento para o caso.
Na história médica, pergunta-se sobre os sintomas principais, como começaram, por onde começaram, e se começaram de forma insidiosa (devagar) ou abruptamente. Pergunta-se sobre outros sintomas, e a maneira de início destes, além da relação destes com o sintoma principal. Pergunta-se ao paciente sobre seus sistemas orgânicos, ou seja, coração, pulmão, trato digestivo, pele, senstidos da audição, visão, tato, olfato, paladar, rins e urina, fezes, e outras coisas visando verificar se a doença afeta outros sistemas, ou se há mais de uma doença a ser diagnosticada. Inquire-se o paciente sobre doenças e tratamentos/cirurgias anteriores, doenças da família que ajudem em um diagnóstico, e uso de medicações atuais além de alergias.

A história clínica é a parte mais importante do processo diagnóstico em qualquer especialidade médica, e a neurologista não é diferente. Na verdade, a história clínica é tão importante no diagnóstico neurológico que sem ela não é possível fazer-se um diagnóstico neurológico.

O exame físico vem depois, e pode ser completo, ou seja, examina-se o paciente todo, não só a parte neurológica como todos os outros sistemas, ou pode ser direcionado, o que não invalida o diagnóstico. No exame direcionado, utiliza-se a história clínica para examinar os aparelhos ou sistemas neurológicos supostamente envolvidos, e dá-se atenção também, mas menos, aos outros sistemas supostamente intactos.

Um exemplo: Um paciente com história de perda visual súbita há 3 dias, com dor ocular e tontura. Após uma história completa, pode-se examinar o coração atrás de anormalidades de ritmo ou sopros, artérias carótidas e artérias vertebrais atrás de sopros que podem confirmar uma fonte de coágulos que podem ter entupido a artéria do olho acometido, examina-se o olho acometido e o normal, faz-se o exame de fundo de olho atrás de sinais que indiquem entupimento arterial/lesão venosa e/ou o porquê deste entupimento, ou lesões de retina ou mesmo de outras partes do olho (algo que deve ser confirmado por um oftalmologista), examina-se campo visual para ter certeza de que não houve lesão cerebral sendo a causa da perda visual, examina-se a pupila atrás de sinais que indique se os nervos ópticos estão normais ou não, e examina-se a movimentação ocular. O exame de consciência, força, sensibilidade, coordenação, reflexos e outros nervos cranianos deve ser feito pois pode-se descobrir sinais outros que suportem ou levem o diagnóstico para outra direção, mas pode ser mais sucinto que os testes anteriores, devido ao direcionamento da história.

Com este artigo, não pretendo transformar o leitor em um neurologista, mas fazê-lo ter ciência de como uma consulta neurológica funciona.

Depressão e ansiedade - Quem cuida disso?

Muitos vão dizer que o local de geração de emoções, sensações, medo, depressão inclusive, é o cérebro, e portanto, ansiedade, depressão, estresse, manias, ou seja, doenças mentais são todas de caráter neurológico! 

Bem, não é tão simples assim. Muitos pacientes (mesmo médicos e inclusive psicólogos!) procuram ou encaminham seus pacientes a um neurologista para tratar depressão, ansiedade, ou medos. Mas isso não é o rumo certo a ser seguido. Isso por que estes são distúrbios psíquicos, e que apesar de serem gerados no cérebro, dizem respeito ao comportamento, e portanto há toda uma base psíqica/psiquiátrica por baixo, com tratados e livros e mais livros sobre o assunto que são de domínio quase que exclusivo da psiquiatria.

E mais, chamar psiquiatra de "médico de louco" é tão ultrapassado quanto achar que epilepsia se pega pela baba do epiléptico. Psiquiatra é o médico que cuida do comportamento, das emoções, do humor, e dos seus transtornos.

O neurologista cuida da parte física, do "hardware" do computador. Das terminações nervosas, das estruturas, e das doenças que as acometem. Mas pode o neurologista ousar tratar um quadro depressivo ou uma crise de ansiedade num paciente seu, portador de uma doença neurológica, haja vista quadros psíquicos acompanharem doenças físicas?

Bem, poder pode, mas aconselho a estes médicos que encaminhem seus pacientes a um psiquiatra de confiança para acompanhamento, pois esta não é "a nossa praia". Há várias nuances e segredos no tratamento destes quadros, e há várias estratégias de tratamento que só um psiquiatra bem treinado saberá orientar.

E também há neurologistas com formação em psicanálise, psicologia, ou mesmo com residência em psiquiatria e neurologia, sendo, portanto, qualificados para o tratamento de doenças psíquicas. Mas não é a regra.

Portanto, se você está procurando um médico para tratar aquela depressãozinha que parece sempre estar ali, ou aquela ansiedade, ou um medo, ou algo mais sério, procure um bom psiquiatra.

sábado, março 12, 2011

E afinal de contas, que é enxaqueca?

Muito bem, chegamos ao ponto. Enxaqueca.
Doença descrita há mais de 2000 anos, já havia relatos de dores e tratamentos para estas dores desde a antiguidade egípcia.
Enxaqueca (agora denominada mais formalmente Migrânea), é o segundo tipo mais comum de dor de cabeça no mundo, e uma das causas mais importantes de absenteísmo do trabalho e perda da qualidade de vida. Caracteriza-se por crises de dor de cabeça de moderada a intensa, chegando a muito intensa, geralmente de um lado só, mas que pode mudar de lado entre e dentro de uma mesma crise, latejante (pulsátil), acompanhada de piora com a luz (fotofobia), com ruídos (fonofobia), e mesmo com certos odores (osmofobia), náuseas e/ou vômitos, fraqueza, moleza, cansaço, irritabilidade, mal-estar e tontura. A dor pode ser nucal e frontal bilateral. Pode mesmo ser na cabeça toda (holocraniana).

Alguns pacientes (e algumas crises) podem apresentar antes (ou durante a crise) auras, ou seja, sintomas não dolorosos que mais comumente são visões (pontos negros na visão, pontos brilhantes ou coloridos, alterações de campo visual, listras periféricas brilhantes que aumentam e diminuem, aumento ou diminuição de objetos, ondas no campo visual), ou sensitivas (formigamentos, dormências, perda de sensibilidade) ou motoras (perda de força), ou mesmo desequilíbrio, visão dupla, alterações de fala ou dificuldade para engolir (sintomas de um tipo de enxaqueca chamada de enxaqueca basilar).

Horas ou dias antes, o paciente pode apresentar bocejos contínuos, fadiga intensa, cansaço, irritabilidade, e pode o paciente prever uma crise com base nestes sintomas prodrômicos.

Mulheres são afetadas mais que os homens, e há piora nítida ou mesmo ocorrência de dor somente no ciclo menstrual (é comum, mas não é universal), e geralmente há história familiar, de pais, tios, avós, irmãos, ou filhos com dor de cabeça parecida ou igual à do paciente.

O diagnóstico é clínico, ou seja, história e exame físico com fundo de olho, que deve ser feito por neurologista, e o uso de exames de imagem (como tomografia de crânio) deve ser criterioso, dependendo das suspeitas do médico, de quando a doença começou, das características da doença, ou de sinais neurológicos que o médico pode encontrar no exame.

O tratamento existe, e não é só tomar analgésicos. Dependendo da intensidade e da frequência das crises, pode-se fazer uso de medicações ditas profiláticas, usadas diariamente por um período de tempo, para diminuir a intensidade e o número de crises. O uso e abuso de analgésicos leva a modificações na dor, na frequência (para pior), e na duração da dor (antes durava de 4 a 72 horas, o que é o esperado para crises de enxaqueca, e agora dura vários dias ou mesmo o mês inteiro). Também o não tratar a dor pode levar a sua piora em alguns casos.

Se você tem enxaqueca, procure um neurologista, e inicie um tratamento.

E quanto à cefaleia tensional?

Nome diferente para uma dor de cabeça, não? Mas este nome, cefaleia tensional, é o nome dado à cefaleia mais comum no mundo. E é tão comum, que chega a ser desvalorizada pelos pacientes. Sim, pois não é todo mundo que a possui que procura um médico. A cefaleia tensional é aquela dor chata, leve a moderada, em aperto ou peso, localizada dos dois lados da cabeça na frente, atrás ou na cabeça toda, como um capacete a pressionar o couro cabeludo. Geralmente a luz ou o barulho não incomodam, ou um dos dois incomoda pouco, diferente da enxaqueca em que a luz e o barulho geralmente levam o paciente a desesperadamente procurar um lugar escuro e silencioso para se encolher. Não há náuseas ou vômitos, e a dor não atrapalha, ou atrapalha pouco as atividades da vida diária, diferente da enxaqueca em que a cefaleia força o paciente a parar de fazer o que estiver fazendo.

As causas da cefaleia tensional são várias, e mais comumente referem-se a cansaço físico ou mental, esforço repetitivo, tensão emocional, ou às vezes não se encontra causa (ou seja, é idiopática).

O diagnóstico é pela história da dor de cabeça, mas deve-se fazer uma tomografia de crânio, pelo menos, quando a cefaleia é nova, ou sofreu piora recente, ou ocorre em paciente acima de 50 anos de idade, ou é nova e ocorre em pacientes com história de doenças sérias como lúpus, doenças reumáticas ou câncer.

O tratamento é variado, e deve ser feito com neurologista, que é o médico que estuda as causas e as melhores terapias para cefaleia tensional.

sexta-feira, março 11, 2011

Cefaleia em salvas - O que isso significa?

Cefaleia em salvas é um tipo de dor de cabeçça primária, daquelas que existem há anos e cuja causa não sabemos. É uma cefaleia bastante característica, e geralmente a história que o paciente nos conta já é suficiente para dar o diagnóstico. É uma dor intensa, muitas vezes dita como excruciante, geralmente de um lado só da cabeça, e permanece desse lado, na maior parte das vezes, por todas as crises. Geralmente é na têmpora ou atrás do olho, vem com lacrimejamento, queda da pálpebra, olho avermelhando, escorrimento e obstrução nasal sempre do mesmo lado da dor. A crise dura de 40 a 180 minutos, e pode vir todos os dias ou pode vir em salvas, grupos de dor, de duração de 7 dias ou mais.

É dor que apesar de poder ocorrer a qualquer hora do dia, é mais comum durante a madrugada, e sempre ou quase sempre no mesmo horário.

Se o quadro começou a pouco tempo, é necessário fazer exames como tomografia ou ressonância magnética do crânio para descartar lesões cerebrais.

O diagnóstico e a investigação são do neurologista, e há tratamento bom e eficaz para isso.

quarta-feira, março 09, 2011

Cefaléia ou enxaqueca?

Que dúvida, não?

Se temos uma dor de cabeça, alguém já nos fala que conhece um bom remédio para enxaqueca. Mas fomos ao médico, e ele nos disse que o que  temos é cefaléia. Afinal, qual a diferença?

Cefaléia é um termo genérico, ou seja, é o nome que se dá a qualquer dor de cabeça, não importa se ela é aguda ou crônica, fraca ou forte, se vem com ânsia de vômito ou não, se é enxaqueca ou não. E há vários tipos de cefaléia, que podemos dividir em primárias ou secundárias (complicou mais?).

As cefaleias primárias são as cefaléias ditas sem causa definida, ou que apesar de não possuírem uma causa, possuem fatores desencadeantes, que iniciam as crises quando nos expomos a eles, e que geralmente são iguais entre uma crise e outra. São caracterizadas por crises, que vêm e vão de forma igual ou diferente umas das outras, e que persistem por meses a anos. São os tipos mais comuns a cefaléia do tipo tensional, aquela que se tem quando se está cansado, ou quando se acorda cedo demais, ou quando se estuda demais, ou quando se está tenso. É dor leve a moderada, na cabeça toda ou na frente, bilateral, sem ânsia de vômito, dura minutos a horas, e melhora quando se descansa.

Outro tipo comum é a enxaqueca (aaaah!), uma cefaléia geralmente de caráter genético (ou seja, há pessoas na família com a dor também, parecida ou não com a do paciente). Esta é difícil de tolerar, é latejante, intensa ou moderada, de um lado ou de outro, ou muda de lado na mesma crise, vem com fenômenos visuais (bolinhas coloridas, ou negras, ou vista embaçada, ou flashes de luz, ou perda de visão) por minutos antes ou durante a crise (a aura), vem com ânsia de vômito e mesmo vômito, a luz incomoda, barulho incomoda, pode se que um cheiro (como de fritura ou de algum perfume) incomode, e mesmo desencadeie a crise ou leve o paciente a vomitar. A crise pode durar, classicamente, de 4 a 72 horas. Mas há crises mais duradouras, especialmente quando a enxaqueca se mistura com cefaléia tensional ou quando o paciente abuda de medicações para a dor.

E aí, você tem cefaleia ou enxaqueca?

domingo, março 06, 2011

O que é a neurologia?

Neurologia é a parte da medicina que estuda o sistema nervoso, incluindo o cérebro, o tronco cerebral, a medula espinhal, os nervos periféricos, e os músculos, ou seja, estuda o sistema nervoso central e o periférico.

O sistema nervoso chama-se assim por que é o centro dos nervos do corpo, para onde convergem todas as informações que vêm da periferia (do ambiente) e de onde saem todas as informações em direção aos órgãos e membros do corpo.

A neurologia preocupa-se com o estudo das doenças destes órgãos que compõem o sistema nervoso, em especial os aspectos físicos, ou seja, lesões das partes físicas do sistema nervoso, diferenciando-se da psiquiatria, que lida com a mente, com as emoções, com o comportamento e com a resposta de cada indivíduo a situações de estresse.

Entre as desordens de abrangência da neurologia, citam-se distúrbios de desenvolvimento cerebral, paralisias, derrames, e doenças como esclerose múltipla, esclerose lateral amiotrófica e variantes, demêmcias, doença de Parkinson e outras doenças que se apresentam de forma semelhante, tonturas centrais, ou seja, causadas por lesões do cérebro, tumores cerebrais, neuropatias periféricas (doenças dos nervos e raízes), miopatias (doenças dos músculos), AVC's (derrames) e outras lesões vasculares cerebrais e medulares, mielopatias (doenças da medula espinhal), e outras doenças.