domingo, dezembro 29, 2019

Comentários sobre causas de pressão alta na cabeça ou hipertensão intracraniana


Cefaleia 3


Cefaleia 2


Cefaleia 1


Anamnese das tonturas 3


Anamnese das tonturas 2


Anamnese das tonturas 1


Enxaqueca - quadro clínico e tratamento


O efeito do estresse sobre o sistema nervoso central


Nova medicação para enxaqueca


Cefaleia e depressão


segunda-feira, janeiro 21, 2019

Sou jovem e tenho tido esquecimentos, O que pode ser?

Bom dia. Trabalho em vários locais como neurologista, e esta queixa é a mais comum depois de dor de cabeça. Pessoas jovens, às vezes com parentes idosos com doença de Alzheimer (Bem, quem não possui parentes idosos em casa ou na família?), vindo ao consultório com queixas de perda de memória. O mais interessante é que, ás vezes, a perda de memória é seletiva, ocorrendo mais em casa ou no trabalho, e piorando em momentos de estresse. Agora, levante a mão quem nunca teve um lapso de memória antes. Eu já tive, vários!

Mas vamos separar o joio do trigo. O que é demência? Demência é uma síndrome, ou seja, um conjunto de sinais e sintomas, e cujo diagnóstico depende a conjunção quadro clínico + exames de imagem + exames laboratoriais. Ou seja, demência não é um diagnóstico, mas um conjunto de diagnósticos que se manifestam quase da mesma forma. Algumas são mais rápidas, outras mais lentas. Algumas dão perda de memória, outras alterações de comportamento. Algumas são tratáveis, outras não. E quais os sintomas de demência? São, principalmente, alterações de cognição (memória, orientação espacial, linguagem, raciocínio, abstração, atenção, conhecimento, etc...) ou de comportamento, consistentes (ocorrem sempre e em todos os lugares) e progressivas (vão piorando ao longo do tempo). 

Os jovens que apresentam problemas de memória, em geral, pela minha experiência (me avise se eu estiver enganado), apresentam-nos em situações de estresse, ou principalmente em ambientes de tensão, como trabalho, por exemplo. Referem problemas de memória, mas na maior parte das vezes conseguem se lembrar do que esqueceram, especialmente se lhes for dada uma pista (uma sugestão de algo que lhe faça lembrar do que foi esquecido), ou lembram algum tempo depois, especialmente quando saem da situação estressante. 

Alguns pacientes jovens, no entanto, possuem perda de memória verdadeira, diária, esquecendo compromissos, nomes, onde guardam objetos importantes. Estes casos nos preocupam, pois, às vezes, há doença estrutural cerebral ocorrendo. Como médicos neurologistas, temos de dar a atenção devida ao problema, especialmente quando há sinais e sintomas consistentes de quadro orgânico. 

Mas muitos casos de esquecimentos em jovens são devidos aos seguintes problemas:

1. Problemas no trabalho ou em casa, conjugais, familiares ou financeiros - problemas nos fazem desviar a atenção para o que realmente precisa de atenção. Você não conseguirá lembrar do que leu se o livro estiver competindo com uma discussão familiar ou um problema financeiro que você não para de tirar da cabeça. Atenção é fundamental para uma boa memória.

2. Insônia - parece, e é, óbvio. Quem não dorme direito não tem boa memória. E por vários motivos. Não dormir à noite te deixa sonolento durante o dia. Você não cosneguirá prestar atenção na aula, ou colocará algo em algum lugar e não terá a atenção devida para lembrar disso depois, se estiver com sono. O sono, também, além das funções vitais, auxilia na maturação e poda de sinapses, ou seja, o sono ajuda seu cérebro a limpar o que não precisa, e potencializar o que precisa. Sem sono, o seu cérebro fica com excesso de memória basal (tal como seu computador) e não consegue processar novas informações. Por último, o sono é necessário para os hormônios trabalharem melhor. 

3. Estresse leva a alterações no hormônio do estresse, o cortisol, e o cortisol é ruim para seus neurônios. Sim, o cortisol em excesso pode levar a morte neuronal. E não adianta medir os níveis de cortisol no sangue, pois são os níveis cerebrais que importam. Muito estresse pode levar a alterações no hipocampo, o local do cérebro por onde entram as memória recentes, e levar a perda de memória.

4. Sedentarismo - exercícios físicos auxiliam na melhora da memória. Quanto mais atividade física, mais fluxo sanguíneo cerebral e mais metabolismo neuronal do bem. Também, a atividade física aumenta as sinapses cerebrais e melhora a memória. Sedentarismo, por outro lado, ajuda a piorar a memória.

5. Fatores de risco vasculares, como hipertensão arterial, obesidade, tabagismo, diabetes e colesterol elevado, aumentam sua chance de derrames, que podem, claro, levar a perda de memória. Além disso, aumentam as chances de lesões dos pequenos vasinhos cerebrais, a microvasculatura, e isso também aumenta a chance de perda de memória, aumentando, também, as chances reais de demência no futuro. 

6. Doenças clínicas, como hipotireoidismo, diabetes, problemas de coração e de pulmão, problemas de fígado, especialmente por excessso de álcool, podem complicar a memória, e não raro pacientes jovens que bebem muito ou fumam muito, ou não tratam seus problemas hormonais, são vítimas de problemas graves de memória. 

7. Apneia do sono - o ronco e a falta de oxigênio durante noite pela resistência à entrada de ar pelas vias aéreas, a apneia do sono, levam a vários despertares durante a noite, vários, podendo chegar a 100, 200 despertares durante a noite, mesmo o paciente não se dando conta disso, o que chamamos de microdespertares. O resultado - sono fragmentado, ou seja, o paciente não dormiu nada. Isso leva a sonolência diurna, cansaço, obesidade, risco de hipertenão e diabetes, além de risco de derrames e infartos do miocárdio durante o sono. A causa mais comum da apneia é a obesidade.

8. Uso de drogas, além do álcool, como maconha (já há comprovação dos efeitos deletérios da marijuana sobre a memória), cocaína e outras drogas. Também, o uso de medicações de prescrição, como tarjas preta, podem causar alterações de memória. Mas se você faz uso destar medicações por orientação médica, e está tendo problemas de memória, discuta isso com seu médico antes de modificar a medicação. 

No final, o paciente jovem tem menos chanmce de ter demência real, mas mais chance de ter algo tratável com recomendações médias que devem ser seguidas à risca. 

Lembre-se, jovem, que seu cérebro será na velhice o que você faz dele agora, na juventude. Cuide-se. 

sexta-feira, agosto 17, 2018

Tenho Doença de Parkinson. Há riscos de meus filhos terem também?

A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa, ou seja, com o tempo, ocorre a morte de vários neurônios em regiões específicas cerebrais, com perda de ligação entre regiões do cérebro. A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum do mundo, perdendo somente para a doença de Alzheimer, e é muito comum após os 65 anos de idade. 

Os sintomas mais comuns são lentidão e rigidez muscular. O tremor de repouso pode ocorrer em mais de 40% dos pacientes, mas pode ser que alguns pacientes com doença de Parkinson não o apresentem, ou o apresentem tempos depois do início da doença. 

A doença de Parkinson clássica NÃO é hereditária, ou seja, NÃO passa de pai ou mãe para filho ou filha. Se seu pai ou mãe tem a doença, não significa que você terá a doença. No entanto, se você tem um familiar, especialmente pai ou mãe, afetado, sua chance de ter a doença aumenta um pouco em relação às outras pessoas, mas de modo algum determina que você terá a doença.  

Há casos genéticos, que passam de geração para geração, mas isso é raro, e geralmente relaciona-se a casos da doença que começam muito cedo. Sabe-se que somente 15% dos casos de doença de Parkinson possuem história familiar, e na maior parte dos casos (85% restantes), a causa é desconhecida.

Portanto, é possível dizer que a doença de Parkinson NÃO é hereditária!

E, infelizmentem não há modo conhecido de prevenir a doença de surgir.