quarta-feira, novembro 16, 2011

O cérebro, este órgão tão maravilhoso e tão desconhecido

Dentro de sua cabeça ocorrem centenas, milhares, milhões de reações químicas e transmissões de impulsos elétricos todos os dias. Descargas e liberação de neurotransmissores que deixariam qualquer eletricista doido (e doído, também). Várias são as substâncias envolvidas na função deste órgão tão desconhecido, e que devagarzinho vai sendo desvendado, o cérebro.

O cérebro é o local onde ocorre a formação da parte mais importante do ser, a consciência. Mas também aqui  desenvolve-se o que nos faz pessoas, a personalidade, nossos traços pessoais, a linguagem e nossos costumes, nossa maneira de ver o meio, inclusive a visão é processada no cérebro. Aliás, tudo o que ocorre com nosso corpo é processado no cérebro, e necessitaria escrever um livro para falar sobre tudo o que pode ser processado e apreendido no cérebro. Podemos dizer, sem medo de errar, que tudo o que sentimos, comemos, cheiramos, falamos e ouvimos, é processado pelo cérebro, e é o cérebro que faz a informação como nos a conhecemos e percebemos. 

O cérebro é composto de células, já discutidas neste blog em post anterior, e estas células fazem parte de núcleos e tratos, as fibras que vão de núcleos a outros. Os núcleos possuem os corpos celulares dos neurônios, as células que transmitem impulsos entre si, e são mantidas pela glia, as células de suporte. O cérebro possui grosseiramente falando uma substância branca, que na verdade é amarronzada, e uma cinzenta, que é bem mais escura que o cinza. A susbtância cinzenta possui os núcleos celulares, além dos núcleos que estão na profundidade do cérebro, enquanto que a substância cinzenta está bem na superfície. A substância branca contém as fibras dos neurônios, ou seja, os dendritos e os axônios, e células de suporte, a glia.

Observe abaixo um cérebro real cortado:

Esta figura veio daqui: http://kobiljak.msu.edu/WebGraphics/Pathgraph/17730.jpg

Observe que o cérebro possui dois hemisférios, o direito e o esquerdo, e essa divisão é particularmente importante, não somente do óbvio ponto de vista anatômico, mas também por que pessoas ditas destras, ou seja, que possuem dominância da mão direita, possuem a função da linguagem predominantemente no hemisfério cerebral esquerdo. Mas isto também ocorre com a maioria dos canhotos, ou seja, que possuem dominância da mão esquerda. Uma minoria da população mundial possui a linguagem predominantemente localizada no hemisfério cerebral direito. Qual a importância disso, você pode se perguntar? Bem, derrames localizados em áreas extensas, ou mesmo pequenas áreas, mas bem localizadas, do hemisfério esquerdo, podem levar à perda da linguagem, a capacidade de se comunicar, o que pode ser desastroso, enquanto que lesões pequenas do lado esquerdo ou lesões de vários tamanhos do hemisfério direito podem levar a alterações da articulação das palavras somente, com manutenção da linguagem.

O cérebro ainda possui sulcos, ou seja, fendas e mais fendas, e que o cérebro é todo dobrado, enrugado em si mesmo. Entre os sulcos temos a massa cerebral propriamente dita, os giros. O cérebro possui uma área de superfície muito grande (cerca de 1500 a 1200 cm2). Se pudéssemos pegar o cérebro de um adulto normal e abri-lo todo, estendendo-o sobre uma superfície lisa, ele cobriria duas folhas do seu jornal de domingo. Logo, as dobras, ou seja, giros, existem para fazer com que ele caiba dentro de sua cabeça. E o cérebro ocupa 70 a 80% do volume do seu crânio (Fonte: http://saude.hsw.uol.com.br/cerebro7.htm).

O cérebro de um adulto normal pesa em média 2% do peso total do corpo, e recebe cerca de 1/4 (25%) de sangue do corpo todo. Chega a pesar em média 1,2 a 1,4 kg, e tem cerca de 100 bilhões de neurônios (Fonte: http://saude.abril.com.br/edicoes/0284/bem_estar/conteudo_300900.shtml)

O cérebro masculino, pelo tamanho geralmente maior dos homens, pode pesar cerca de 100 a 200 gramas mais que o cérebro feminino, mas isso não mede a inteligência (Fonte: http://saude.abril.com.br/edicoes/0284/bem_estar/conteudo_300900.shtml).

O funcionamento do cérebro depende de substâncias que são liberadas nas fendas sinápticas, os espaços entre as células, entre dendritos e axônios, que funcionam como a comunicação entre os neurônios. Estas substâncias são os neurotransmissores. Os neurotransmissores mais conhecidos são a dopamina, a serotonina, a noradrenalina, a acetilcolina, o glutamato, o ácido gama-aminobutírico (GABA) e a glicina, mas há vários outros menos prevalentes, e mais localizados em áreas específicas do cérebro. Algumas doenças cerebrais podem ter na falta de seus neurotransmissores a causa de alguns sintomas, como a falta de dopamina na doença de Parkinson, por exemplo.

O cérebro possui áreas de processamento das informações, como uma usina que possui áreas para cada função. Assim, há áreas específicas para o processamento da visão, da audição, do equilíbrio, da memória, da concentração, dos movimentos e sensações do corpo, etc... Mas essa divisão não é tão ortodoxa assim, e áreas cerebrais podem ter mais de uma função, ou grandes áreas podem ser diferenciadas em áreas menores, que lidam preferencialmente, mas não somente, com uma dada função. Assim, a área occipital da visão pode ser dividida em áreas mais específicas para o processamento da velocidade de movimentação do objeto, da profundidade, da sensação de aproximação ou afastamento do objeto, da capacidade de perceber cores, etc...

Observe que o cérebro é dividido em áreas com números, as famosas áreas de Brodmann, em homenagem ao anatomista alemão Korbinian Brodmann, que as descreveu com base em estudos, em 1909. Além disso, Brodmann também, utilizando cérebros humanos, de macacos e de outras espécies, demonstrou a existência de camadas no córtex, ou seja, a substância cinzenta, com vários tipos celulares diferentes.  As áreas de brodmann, numeradas de 01 a 52, estão visualizadas em cores abaixo:

Esta figura veio daqui: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/90/Brodmann_areas_3D.png/220px-Brodmann_areas_3D.png.

 O cérebri pode ainda ser dividido em lobos, que são grupamentos maiores, que servem para facilitar o estudo do cérebro e de suas doenças. Temos os lobos frontal, parietal, temporal, occipital e insular

Observe abaixo:
Esta figura veio daqui: http://4.bp.blogspot.com/_b_WcwOr4Y8Y/SXt_MOCeVsI/AAAAAAAAAFY/7C-u80cpL7s/s400/Sinapsejjjj.JPG

O lobo insular fica dentro do cérebro, embaixo do lobo temporal. Observe abaixo:
Esta figura veio daqui: http://www.auladeanatomia.com/neurologia/sulcosinsula.jpg

Falaremos mais em próximo post.

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Médico Neurologista